finalement, Mariage Frères

17/09/2010

Faz uma semana que estou enrolando para escrever este post. È que falar de Mariage Frères envolve uma certa responsa. Não escrevo isso só pelo nome da loja até porque minha filosofia de vida vai contra o pagar caro por um logo ou etiqueta. Trata-se muito mais do savoir-faire de uma família de comerciantes altamente prestigiados em Paris que abriu uma loja em 1854 para vender os chás que comercializavam havia mais de um século. Ou seja, os caras têm uma bagagem de mais de 300 anos: a história do chá na França se mistura à história dos irmãos (frères) Édouard e Henri Mariage, que fundaram uma dinastia do chá por assim dizer. E assim fizeram uma ponte entre a Europa e o Oriente quando as pessoas ainda viajavam de navio.

Eu sempre achei a loja opulenta demais para o meu gosto e nunca consegui comprar nada lá ou frequentar o salão de chá. Deixava para tomar chás da Marige Frères de saquinho mesmo, em café ou restaurantes. Hoje me arrependo profundamente. Reconheço que por puro preconceito deixei de ter experiências que hoje valorizo muito. Mas c’est comme ça

Então, tão logo soube que uma amiga que mora em Paris embarcaria para o Brasil, fiz uma encomenda de dois clássicos, Marco Polo e Casablanca, mas teve outro que chegou antes, meio de surpresa…

*

Este saquinho, que vocês veem no início do post, percorreu várias mãos e muitos quilômetros para chegar até aqui. Ainda em Paris, minha amiga Kênya saiu da sua casa no 14ème arrondissement e foi até uma Mariage Frères (não sei qual delas) para depois se encontrar com outra amiga nossa, Taíssa, e entregar o pacote em mãos. Taíssa saiu da sua casa em Fontainebleau e seguiu até o aeroporto Charles de Gaule e embarcou com o presente até Cumbica. De Guarulhos, foi para São Paulo, onde nos encontramos, mais precisamente no bairro do Itaim-Bibi. O chá ainda percorreu alguns (poucos, desta vez) quilômetros até Pinheiros, onde estreei a degustação junto com Paula e Dudu (que também conhece a Taíssa), sócios da Editora Flâneur, que publica a n.magazine. Estávamos comemorando o fechamendo da edição de número 2 da revista (linda por sinal)!

Acho que os irmãos Mariage ficariam felizes de saber dessa trajetória.

O que mais me chamou atenção no pacote foi a etiqueta, que trazia não apenas o nome do chá – YUZU TEMPLE – mas também duas indicações importantes: 90ºC/2 minutos (a temperatura da água e o tempo de infusão – digníssimo, não?). Na casa dos irmãos Burckhardt (Paula e Dudu), encontrei uma chaleira super apropriada e carregava comigo um coadorzinho japonês, próprio para chá. Foi um sucesso!

O Yuzu Temple é um chá verde japonês com notas aromáticas de limão japonês (yuzu) e mandarina: d.i.v.i.n.o. Aconselho não deixar passar de 2 minutos, senão o picante sutil da bebida se transforma em amargor.

E a Kênya, mais uma vez, me presenteia com um chá que entrou para a lista dos preferidos – o outro é o Fleur de Geisha, do Palais des Thés, mas deixo esta história para outro dia.

* TEMPERATURA DA ÁGUA: de 90 °C  * MEDIDA: 1 colher de chá por xícara * TEMPO DE INFUSÃO: 2 minutos *

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