a arte de beber chimarrão

19/02/2011

Apesar de já ter lavado algumas cuias e bombas na minha vida (todo mundo que já conviveu ou namorou com gaúchos sabe bem do que estou falando), eu nunca fui chegada em chimarrão. Sempre achei o mate de um amargor danado. Mas, na sexta-feira, ele entrou para a minha vida de uma maneira quase espontânea depois da aula de yoga – e apresentado por uma… catarinense, a Carline (vejam o post sobre nossa cerimônia no blog dela – você vai notar que muitas fotos são repetidas mesmo; elas foram feitas – com qualidade – pela Carline, já que as minhas, de celular, não deram muito conta do recado). Eu gostei da experiência.

Além de aprender a saborear (acho que a “abertura do paladar” para mais sabores de chás me ajudou na apreciação), descobri várias coisas sobre o preparo do chimarrão, que é um lindo ritual. A primeira delas é que é preciso purificar a cuia, jogando água fervente dentro dela e deixando por alguns instantes (uns dois minutos). Depois de jogar a água fora, tem quem coloque um pouco de água fria dentro da cuia para baixar sua temperatura – assim, a erva-mate (para quem quiser pesquisar mais, o nome científico da planta é llex paraguariensis) não fica queimada, o que pode alterar seu sabor. Há toda uma maneira de depositar a erva dentro da cuia, que permanece levemente inclinada para que a montinho de ervas fique na diagonal – como aparece ilustrado na embalagem do “Chimarrão dos Pampas”, da marca Leão:

Só então podemos acomodar a bomba, que dá uma segurada na diagonal (eu adorei esta parte, embora não testei ainda se consigo deixar tudo equilibrado assim). Antes que me perguntem, a quantidade de erva colocada depende do tamanho da cuia… desde que se mantenha a diagonal!!!

Bom, depois de toda essa preparação (que ainda inclui uma térmica com água a 75 graus), a parte 2 do ritual é iniciada pelo anfitrião/dono da cuia  (‘anfitrião” é bem modo de dizer mesmo, uma vez que o chimarrão não é necessariamente tomado sempre dentro da casa de alguém, pode acontecer em locais públicos, como na praia por exemplo – podemos pensar no uso da palavra “anfitrião” remetendo ao ato de proporcionar à experiência ao grupo). O anfitrião – no caso, a Carline, coloca a água no espaço que está vazio da cuia até que ela fique toda preenchida com água quente. Uma pessoa viciada em cerimônia do chá japonesa poderia achar que isso é uma certa falta de educação. Béeeeeee – julgamento errado. Carline me explicou que isso acontece para testar se a temperatura da água está boa. Como não foi o caso neste dia, abrimos um pouco a térmica para deixar a água esfriar, Carline tomou seu chimarrão pelando e, assim que terminou, completou novamente a cuia com água quente e a ofereceu para mim. Fiquei com os lábios levemente adormecidos, mas não queimados, afinal, a bomba é de metal. Depois, a água foi esfriando e eu já estava conseguindo curtir a bebedeira.

Achei bem legal o aprendizado do “ouvir” enquanto se bebe o chimarrão. A fala da Carline explica:

Sendo a cuia comunitária, é um verdadeiro ritual de servir e ser servido, de falar e ouvir. Enquanto uma degusta a bebida quentinha, a outra pessoa partilha os sentimentos.

Outro ponto que gostei muito: a pessoa que acabou de beber (pode, sim, fazer barulho quando se chupa pela bomba e a água está acabando) pergunta para a seguinte se ela quer continuar a roda. Se a resposta for positiva, ela preenche a cuia com mais água e a oferece ao próximo com a bomba na direção certa para que ele tome o chimarrão… E assim se segue até o final da água (e reposição), do frio, do papo.

Mais fotos (da Carline, granulada pelo meu celular). Prestem atenção na última foto: quandocheguei ao finalzinho da minha primeira rodada, bebi um pouco de erva que subiu pela bomba. Recorremos ao filtro de bomba, uma delicadeza…

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3 Respostas to “a arte de beber chimarrão”

  1. sonia bogaz Says:

    menina eu me apaixonei pelo mate omo dizem os gringos argentinos e tomei muito por lá.mas eu realmente não consigo fazer sem a erva subir pela bomba e daí comprei na LIba aqueles saquinhos para encher com a erva e literalmente coloquei na bomba(camisinha) daí sim.
    tenho bomba,cuia,termica,tudo!
    até um gauchinho para espetar na erva,que uma amiga gaucha que me deu.
    muito bom esse ritual.

  2. Yuri Says:

    Hmmmmmmmm… que delícia!!! Adoro um mate! A gente plantou uma árvore aqui mas ainda é muito pequena. Quando crescer vamos testar seu sabor! 🙂
    Beijos!!!
    Yuri

  3. KIKKS Says:

    eu adoro acompanhar as suas histórias de “plantação”, Yuri! beijos


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