MINHA CERIMÔNIA DO CHÁ: POESIA NO COTIDIANO

Comecei a me interessar por chás aos poucos. Ganhava chás e canecas de presente, enchi um baú com eles, atravessei oceanos com cerâmicas, fiz performance sobre o tema e, de repente, fui ocupando as estantes da minha nova casa com pacotes de misturas de sabores que me transportavam para longe. E no meio de tantas descobertas de sabores, lugares, momentos e pessoas, me deparei com a escassez de bons sites e blogs em língua portuguesa que tratem o  chá como hobby, prazer, fonte de conhecimento ou simples desculpa para filosofar com os amigos.

Decidi então começar a divulgar o chá com a mesma reverência que tenho quando aqueço um pouco de água, escolho uma caneca e um blend e abro um espaço no meu dia para uma viver uma experiência. É o que costumo chamar de “cerimônia do chá contemporânea”, que pode ser feita com objetos do seu cotidiano e pessoas queridas.

A poesia do encontro está na intenção de tornar o momento especial, no carinho com os utensílios e no cuidado do preparo. A proposta, portanto, é a mesma da cerimônia do chá.

É isso que pretendo dividir com vocês aqui: minhas pequenas descobertas e detalhes que podem tornar a bebida mais saborosa.

Porque a filosofia do chá envolve troca, prazer e desocobertas.

Com muito respeito e reverência, mas sem tanta cerimônia.


A CERIMÔNIA DO CHÁ TRADICIONAL: CHANOYU

Se você caiu aqui em busca de mais informações sobre a cerimônia do chá japonesa, também conhecida como chanoyu, deixo para você um breve resumo da prática, que surgiu no século XVI no Japão e tem como grande referência o mestre  Sen no Rikyu, que introduziu o conceito de ichi-go ichi-e (literalmente “uma única vez, um único encontro”). Mais do que um ritual complexo influenciado pelo zen-budismo, com uma série de passos e movimentos rigorosamente concebidos para serem precisos e um espaço construído de maneira complexa, englobando uma série de elementos, eu prefiro resumir a cerimônia do chá como a arte que celebra um encontro único entre anfitrião e convidado(s) reunidos para degustar um bom chá. A precisão dos gestos e o cuidado na escolha da água, do chá (matchá), dos doces servidos como acompanhamento (wagashi), da decoração etc. compõem um momento especial que jamais será repetido na vida dos participantes. A cerimônia do chá possui quatro princípios fundamentais: harmonia, respeito, pureza e tranquilidade.

Quem quiser saber um pouco mais sobre o assunto pode ler a  matéria escrita por Gisele Kato, grande amiga e jornalista, para a revista VEJA SP em 2008, ano do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil.

Recomendo também o Livro do Chá, de Kakuzo Okakura, escrito no início do século XX e que propõe um mergulho nos princípios estéticos e filosóficos da prática (e que nos ajuda a entender também outros aspectos da cultura japonesa). De uma sensibilidade imensa.

Há ainda o livro Chanoyu Arte e Filosofia, publicado em 1995 pelo Centro de Chado Urasenke do Brasil. Sob a direção de Sensei Hayashi, a escola Urasenke difunde a arte além das fronteiras do arquipélago japonês em demonstrações, workshops e cursos. Mais informações pelos telefones (11) 3208-5485 e 3815-3641. O Centro de Chado Urasenke do Brasil está localizado no prédio do Bunkyo: rua São Joaquim, 381 – 4º andar (sala 44), no bairro da Liberdade.

Para quem quer entrar mais a fundo no pensamendo de um do 15º descendente de Sen no Rikyo, recomendo o livro Vivência e Sabedoria do Chá, escrito por  Shoshitsu Sen XV (grão mestre da escola Urasenke) e publicado por T. A. Queiroz. O nome do livro em inglês é bem esclarecedor sobre o seu conteúdo: Tea Life, Tea Mind. Shoshitsu Sen relata de uma maneira muito acessível os episódios e aprendizado adquirido em seu caminho do chá.

E, por fim, recomendo este precioso link de uma bibliografia básica sobre o tema (e outras artes do DÔ) no site da Fundação Japão.



4 Respostas to “BLOG”

  1. Nath Says:

    Olá Erika, adorei o seu blog!
    Obrigada pela visita e tenha certeza que podemos trocar figurinhas sim. Gostei dos posts e quero aprender mais sobre chás.

    Um abraço,
    Nathalia

  2. sonia Says:

    que bela fotooooooooooooo,nossa! BRAVO !
    quem tirou?

  3. KIKKS Says:

    Acho que esta é da Fernanda Rabelo, que participou da nossa exposição no Bunkyo no ano do centenário (a Fernanda fez as fotos mais lindas da performance) – me arrepia, Sô!


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