Se a nova ala do shopping Higienópolis abrir para o público hoje, conforme o prometido, você já vai poder conhecer a Talchá, a primeira marca brasileira de chás goumet (atenção, a marca é brasileira, mas a maioria dos chás comercializados são importados).

Mônica Rennó, a idealizadora da marca, passou um ano e meio desenvolvendo este projeto de compartilhar sua bebida preferida com o público brasileiro. Durante grande parte de sua vida, ela não deu muita importância ao chá, mas em uma viagem à Paris teve o click ao conhecer a Mariage Frères (viram só como não é exagero só meu) e sua vida mudou…

O desejo de Mônica Rennó de tornar o chá gourmet uma bebida acessível ao consumidor se realiza em vários aspectos. A arquitetura da loja (assinada por Marcio Kogan) deixa expostos utensílios, acessórios, livros e chás – tudo pode ser tocado, lido, cheirado e experimentado.

Clique sobre a foto para visão panorâmica da loja

(crédito das fotos: Fernando Saiki)

E por falar em “experimentado”, a loja tem sempre um  “chá do dia” (quente no inverno e gelado no verão) oferecido para degustação. Fomos recebidos com o Apricot, chá verde chinês com sabor de damasco natural – bem refrescante.

A loja ainda tem uma pequena área para servir os clientes (além de uma mesinha-luxo do lado de fora, com vista para o jardim do shopping + wireless): 20 variedades de chás e blends (a carta foi montada pela própria Mônica Rennó), incluindo um verde especial produzido no Brasil (Bossa Nova), o Pétalas de Fujian (folhas de chá verde amarradas com cravo, que abre como uma flor quando em contato com água quente) e drinks com chás, além de lanches, saladas, quiches, outras comidinhas e petiscos do Arroz de Festa (a chef Adriana Cymes, que fez o cardápio, apresentou suas deliciosas tartelettes e ainda mostrou um de seus chás preferidos, o Genmaicha, chá verde japonês com arroz torrado, também conhecido como “chá de pipoca”, que tem sido citado por muita gente que conheço).

Eu, que tenho um pouco de birra de chá branco, escolhi para degustar o primeiro branco que vi no cardápio: Pera Fujian, composto por folhas de chá branco e pedaços de pera (o bule, que serve duas xícaras, custa R$ 7). Gostei tanto que comprei um pacotinho de 50g (R$ 38, o preço não é tão acessível, mas esta quantidade  rende aproximadamente 30 xícaras segundo o vendedor). Vale um comentário importante: as embalagens são escuras por fora e têm um fecho zip acoplado para fechar melhor o saquinho – eu aprovei totalmente. Elas também tem as cores do tipo de chá comprado (branco, verde, preto, rooibos e infusão) e trazem a temperatura média da água do chá comprado (detalhes mais precisos são encontrados em um folder/catálogo com informações sobre as 50 variedades vendidas na loja). Eu acho bem bacana toda essa preocupação didática.

Comprei dois outros mimos: um coador de bambu para substituir o deixado em Paris e um medidor fantástico que regula a quantidade de chá de acordo com o seu gosto (fraco, normal ou forte), para até 5 xícaras.

Há vários outros acessórios, como coadores de metal (e fundos, o que é importante para dar espaço para as folhas se abrirem durante a infusão), saquinhos em 3 tamanhos, pegadores, bules, bouilloires (chaleiras elétricas), canecas, xícaras e vou parar de por aqui para não contar tudo.

Antes de finalizar o post, queria comentar os detalhes que me conquistaram:

* a xícara da marca (a branquinha, que aparece na primeira foto) é assinada pela Rachel Hoshino (cujos objetos já circulavam aqui em casa, todos presentes que adorei receber). Com estampa singela e presente, tem a alça conforável para o dedo e uma espessura delicada para os lábios. Em seu briefing, Mônica Rennó destacou a importância de a xícara ser mais aberta para difundir o aroma da bebida;

* o atendimento, tanto da loja quanto do café, é cortês e atencioso (fui atendida por um vendedor bom de conversa – sobre chás obviamente) sem ser grudento, forçado ou puxa-saco além da conta (algo que chega a ser um problema em algumas lojas dentro de alguns shoppings);

* a bebida é servida em uma temperatura suave – creio que seja um dos raros lugares em São Paulo que se preocupa com isso.

Corre lá!

TALCHÁ: nova ala do Shopping Pátio Higienópolis (av. Higienópolis, 618), tel. (11) 3823-3744.

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Três dos quatro blends da Gourmet Tea que eu tomei foi junto com a Carline Piva (professora de yoga e companheira de degustações de chá “chuchuzinha“). Reservamos as manhãs de quinta para a nossa descerimoniosas cerimônias do chá e hoje foi ainda mais especial. Na terça-feira, ela comemorou seu aniversário no Pão, uma padaria artesanal orgânica pequena, fofa e deliciosa nos Jardins (que só trabalha com chás orgânicos da Gourmet Tea – eu provei a infusão herbal Soothing da linha dos ayurvédicos: uma mistura de camomila, raiz de alcaçuz, semente de funcho, cardamomo e gengibre… e adorei). Lotamos o estabelecimento, que tem três mesinhas aconchegantes. Posso dizer que o calor humano foi fundamental para uma tarde fria de primavera depois do cineminha…

O aniversário passou e ficaram os presentes (bule, chá e a peneirinha japonesa, esta última parte do kit-mimo, que foi o meu presente) e com eles, a Carline preparou este chá de feliz desaniversário 😉

O chá presentado foi o White Passion, da linha de chá branco, que tem raiz de alcaçuz (mordo a língua de novo), grãos de cártamo, centáureo (duas flores lindas, coloridas e com um aroma que quebra a coisa sem graça do chá branco) e aromas naturais (não sei do quê, provavelmente das flores, apenas reproduzo o que estava escrito no rótulo). A dica da Val, amiga da Carline que ofereceu o presente: tomar o chá com cookies integrais de banana.

E assim começamos muito bem nossa quinta-feira.

Cabe aqui um importante comentário: eu estou adorando os chás da Gourmet Tea. Vou comentando os blends conforme eles cruzam meu caminho (coincidentemente, via Carline, que ganhou alguns de presente de amigos). Vale muito a pena experimentar: trata-se da marca nacional que atualmente reúne  produtos de qualidade, ingredientes orgânicos, uma grande variedade de blends com sabor surpreendente (para o bem, pelo menos os que eu já pude provar). O preço não é super acessível (uma lata com 45g custa R$ 23,90 no site da marca, sem contar o frete – custa quase 3 vezes mais que o peso equivalente de um chá básico na Mariage Frères, mas devemos levar em conta que o mercado de chá no Brasil está dando seus primeiros passos, ao contrário do que acontece na Ásia e Europa), mas mesmo assim considero o custo-benefício muito bom.

Conselho aos interessados: no site, há uma lista de estabelecimentos que oferecem os chás da marca em seu cardápio (basta clicar em “onde encontrar”). Vá experimentando aos poucos, descubra o(s) seu(s) favorito(s) para então investir na latinha. Ou então mergulhem no desconhecido (adorei 3 dos 4 que já experimentei, então o meu índice de aprovação por enquanto chegou a 75%).

PÃO: rua Bela Cintra, 1618, tel. (11) 3384-6900 (abre de segunda a sábado, das 9h às 19h, e, aos domingos, das 9h às 14h).

Há alguns anos (poucos, menos de cinco), ganhei de presente uma latinha com “docinhos gostosos para tomar com chá” de uma grande amiga, a Graziela Kronka. Nem sei como descrevê-la direito por aqui e arrisco dizer que ela foi uma das grandes incentivadoras do meu hábito de tomar chá. Toda vez que ela ia me visitar, chegava com um pacote de chás ou apetrechos e, juntamente com o Puri, foi me ajudando a encher o baú de blends maravilhosos, não apenas pela qualidade deles, mas principalmente porque eles nos acompanharam por várias conversas, principalmente no inverno. O presente embarcou conosco para Bordeaux para ser compartilhado com Puri e Richard (que ainda não tinha sido citado aqui, mas que compõe a nossa petite famille) para esquentar o virada de 2006 para 2007.

Junto com o presente, veio a recomendação verbal “é para colocar assim, em cima da caneca”. E a frase nunca saiu da minha cabeça, mesmo quando eu não obedecia às instruções.

Esta bolachinha holandesa (lá conhecida como stroopwafel) apareceu em outros momentos especiais: pelas mãos da Camila, na casa da Lúcia, pelas minhas mãos chegando em SP depois de passar muitas horas no aeroporto de Schipol devido a um vôo perdido (e que se tornou um dos doces favoritos do Saiki, meu namorado), pelas mãos do Felipe ou pelas minhas depois de uma passagem por Amsterdam. E agora pela Flavia Sakai, que fez uma encomenda no Sobremesas do Mundo (por sorte, eu estava no estúdio dela no dia em que a sacolinha chegou) e, ao saber que era a sobremesa favorita do Saiki, mandou um pacote aqui para casa.

O dilema da semana foi: “stroopwafel vai bem com quê?“. A Camila, que morou na Holanda, deu a resposta mais confiável: café com leite ou com chá de anis. Café com leite estava descartado, pois eu tinha que colocar a bolacha em cima da caneca de chá. E anis também, pelo simples fato de eu não gostar de anis. Passei uns dias pensando (é sério) e me lembrei que havia um pacote intacto aqui que foi mandado de presente pelo Puri e com um lindo nome: Promenade des Anglais (“passeio dos ingleses”, nome da orla de Nice). Digno, não? (por falar em dignidade, há outra história que envolve Graziela, Valmor e chás que um dia será devidamente contada aqui) Mais digna ainda é a mistura que compõe a Promenade des Anglais: chá preto com pedaços de maçã e amêndoas e aroma de baunilha.

O aroma de baunilha/amêndoas é quebrado pela maçã… delícia! É uma pena que eu não vou saber indicar a marca, pois o presente veio em um delicado saquinho sem nome de loja. E o mistério faz dele algo único, como se ele não existisse em nenhuma loja no mundo em que possa encontrá-lo (ok, eu sei que existe, mas não sei se gostaria de saber). Assim, o sabor dura o tempo do presente, assim como foram todos os stroopwafels que passaram pela minha vida.

Esta esteirinha já virou um clássico das fotos do blog. Ela forra um pedaço do meu escritório, que é o canto zen da casa. É o lugar de ficar sem sapato, de tirar um cochilo, dar água nas plantas, ler sossegada e tomar um chazinho também. Por isso muitas das fotos são feitas no mesmo lugar (o que mudam são os chás).

Dois achados no final de semana me encorajaram a preparar um matchá em dose dupla. Começamos o passeio do sábado fuçando nas barraquinhas da feira Benedito Calixto. Quando me dei conta, estava procurando por bules antigos (é bem difícil achar um bule bonito e solitário – os mais bonitos são vendidos nos jogos de chá completos) e continuamos o passeio pelos antiquários da Cardeal Arcoverde. Encontramos duas latas antigas, uma cheia de canela e outra de saquinhos de planta medicinal no antiquário da Edna, que rende um post à parte (ela tem bules lindos e eu já combinei de ir até lá fotografá-los e tomar um chá com ela e seu filho Miguel). Fiquei viajando nas latas como se estivesse em um mercadinho de chás de outros séculos.

Depois, voltando para casa, passamos na Japonique (é praticamente obrigatório passar lá sempre que estamos andando a pé pelo bairro) e finalmente saí de lá com o tão recomendado (pela Jana, a dona da loja) “bolinho chinês delicioso” principalmente para acompanhar chás deliciosos.Os bolos são feitos de uma massinha branca que tem a textura de uma massa de feijão, mas com um aroma diferenciado, bem perfumado – flor-de-lótus! Ele tem mais ou menos o estilo de um wagashi (nome do doce servido na cerimônia do chá). O nome da marca é JINXUANBAO, de Hong Kong, e cada unidade sai por R$ 6,50.

Pesquisa vai, pesquisa vem, descobri que ele se chama MOON CAKE, um bolo tradicional chinês que é dado de presente a amigos e familiares na época do Festival do Meio do Outono (um dos mais importantes da China). Ele faz parte do ritual de observar a lua… o recheio dos bolinhos é uma massa de semente de lótus e eles devem ser bebidos com chá chineses.

Sem nenhum chá chinês em casa e seguindo os conselhos da Jana (porque o bolinho tem uma textura parecida à do wagashi), me aventurei a prepar matchá para duas pessoas. Nunca tinha feito isso fora de uma cerimônia do chá tradicional e fiquei meio encabulada de me aventurar pelo matchá para beber sem o utensílio que faz espuma.

Deu certo e a combinação matchá-bolinho de lótus ficou extraordinária!

* TEMPERATURA DA ÁGUA: de 80 °C  * MEDIDA: 1/2 colher de chá para 8 colheres de sopa de água * TEMPO DE INFUSÃO: não tem (mexer até dissolver) *

“Chá com açúcar”  foi o nome do evento promovido pela Fundação Japão na semana passada. Corri para fazer a inscrição para a palestra da chef pâtissier Cristina Makibuchi, a criadora da Piquenique, que forcece de doces para A Loja do Chá, Rangetsu of Tokyo e Jun Sakamoto. Acredito que a lista de alguns clientes dispensa mais apresentações.

Foi em Paris que eu comecei a gostar desta história de matchá em sobremesas. No sorvete ou no pão de ló, no macaron… Sem falar nas madeleines de matchá feitas pelo Puri (que me apresentou muitas dessas sobremesas). Íamos juntos  percorrer as mercearias da rue Saint Anne (a Galvão Bueno de Paris) em busca de matchá e outros ingredientes da culinária japonesa para cozinharmos em casa (eu comprei esta latinha na Comercial Gaivota, em Pinheiros).

A tendência de usar chá no preparo de doces começa a se destacar na gastronomia brasileira. Faz um tempo que venho combinando com a fotógrafa Daniela Picoral de dar um pulinho no salão d’A Loja do Chá (ainda não conseguimos nem fazer a nossa degustaçãozinha caseira, mas tudo bem).

Para quem quiser se aventurar mais no mundo dos bolos de chá, a revista Bons Fluidos publicou uma matéria sobre o assunto na edição de julho.

*

Voltamos à palestra, que foi um sucesso. Além de falar sobre algumas técnicas de produção de doces japoneses (como o wagashi, consumido na cerimônia do chá), Cristina falou de seu aprendizado no Japão e em Paris e, generosíssima, levou amostras da Piquenique para o publico: pão de ló de matchá e macaron de castanha com recheio de matchá e leite condensado.

Sabor sutil – não muito doce, do jeito que gosto – e textura extraordinária.

Desde que voltei ao Brasil, há cerca de um ano, foram os doces que mais casaram com meu paladar (foi o melhor macaron made in Brazil que já comi). Ando sonhando com eles nesses dias…

Estou combinando com a Cristina de ir visitar a Piquenique para brincar de harmonização de doces de chá com outros chás. Vamos ver no que vai dar. Em uma rápida conversa, ela já descartou o seu chá preferido – earl grey – que, por ser muito perfumado, pode matar o sabor do doce. Ela até recomendou um matchá bem levinho (vou ter que aprender com a Iweth, amiga que reencontrei na palestra e que estuda a cerimônia do chá há 14 anos).

Prometo contar mais novidades.

Por enquanto, deixo a receita de pão de ló de matchá da Cristina Makibuchi e já de cara repasso 3 de seus segredos:

* usar uma balança para medir todos os ingredientes

* prestar atenção para a massar não passar do ponto (a massar tem que ficar fofinha, se ficar líquida, é sinal de que a farinha soltou glúten e que o bolo vai ficar “solado”)

* não afundar o garfo para ver se ele cozinou, basta dar uma apertadinha na superfície para sentir a consistência

INGREDIENTES

6 ovos

180g de açúcar

240g de farinha peneirada

10g de matchá em pó para confeitaria (mas pode ser o normal, usado para chás)

60g de leite ou água

10g de óleo de cozinha

MODO DE PREPARO

Bater os ovos junto com o açúcar até dobrar de volume. Despejar este “creme” em um vasilhame maior, ir acrescentando a farinha e os líquidos, mexendo com um pão duro, no máximo em 3 vezes. Levar para assar em uma forma retangular forrada com papel manteiga em forno pré-aquecido (200ºC) por aproximadamente 15 minutos. Se for em forma redonda, assar os primeiros 10 minutos em 200ºC e depois baixar para 170ºC por aproximadamente 15 minutos.

Voilà!

O meu bolo deu mais ou menos certo. Tá bom, assumo, deu errado. Ele ficou bonito, mas deixou de cozinhar na parte superior. Eu dei um truque (feio) e coloquei para assar mais 10 minutos a 170ºC porque, quando tirei do forno, ela ainda estava crua. Confesso que dei um truque em vários momentos da receita: deixei a massa passar do ponto, bati os ovos com o açúcar no liquidificador mas não tive paciência até ele o volume dobrar de tamanho. A outra coisa: fiz a receita com leite (também recomendado) e não com água (que eu acho que deixaria o bolo mais leve). Vou tentar ser mais CDF da próxima vez. Ou fazer uma encomenda na Piquenique.

A Loja do Chá: av. Brigadeiro Faria Lima, 2.232, 3° piso (Shopping Iguatemi), tel. (11) 3816-5359 (abre de segunda a sábado, das 10h às 22h e, aos domingos, das 14h às 20h).

Comercial Gaivota: rua Cunha Gago, 359, tel. (11) 3815-2976 (abre de segunda a sexta, das 7h45 às 19h e, aos sábados, das 7h45 ás 18h).

Jun Sakamoto: rua Lisboa, 55, tel. (11) 3088-6019.

Piquenique: rua Arthur de Azevedo, 531, tel. (11) 3061-1679.

Rangetsu of Tokyo: av. Rebouças, 1394, tel. (11) 3085-6915.

viajando por oceanos com pão de ló de matchá e english breakfast. para ir até o Japão em um dia nublado: caminhada com Puri e Kênya pela rue Saint Anne em busca de uma latinha com pó verde… e segurar uma xícara quente para dar impulso a sonhos

white breakfast

26/08/2010

Este foi o café da manhã de ontem, antes de eu passar mal com o tempo seco. Toda a mise-en-scène rolou por alguns motivos:

* desde que a semana começou, eu ainda não tinha tomado um café da manhã gostosinho, com calma

* tinha uma manga deliciosa na geladeira

* queria fazer uma foto bonita para o blog

* porque eu não gosto de chá branco e queria descobrir se, preparando um café bonito, ele poderia ser mais gostoso

Acho que de todos os itens, o que mais interessa para o blog é o último. É fato, não gosto de chá branco (uma das minhas melhores amigas adora, e, por influência dela, que tem extremamente bom gosto, eu até tentei, mas não consegui). Acho o sabor dele um pouco enjoativo, não sei explicar. Depois, ainda peguei uma certa birra porque ele entrou com força no mercado brasileiro na onda das dietas (oK, você pode estar pensando que o chá verde também ficou popular por causa das suas propriedades emagrecedoras, antioxidantes, blablablá, mas talvez isso não tenha me afetado tanto porque eu já sabia de sua existência desde pequena, nas missas de família).

Então resolvi tentar de novo. Eu já tinha um pacote aqui em casa, orgânico, da marca Campo Verde. E fui me aventurar. A cor do chá branco seco é linda, meio prateada. Isso porque ele é colhido antes de as flores se abrirem e alguns brotos têm uma penugem verde-claro acinzentada. O chá tem um cheirinho de mato não tão agradável e um gosto bem diferente do chá verde. Apesar de dizerem que o chá branco tem um sabor mais suave, eu acho o sabor menos sutil (talvez seja a marca, vou tentar outras, prometo) e pode parecer uma heresia o que vou dizer agora: tive a sensação de estar bebendo algo levemente estragado pela umidade (talvez as folhas que eu tinha em casa não estivessem bem armazenadas).

Mas não me contentei com a “segunda primeira impressão”. Como uma bebida feita de camellia sinensis poderia ter gosto ruim? Adicionei uma colherzinha de chá de açúcar e tudo ficou mais agradável, compatível com as torradas de pão amanhecido, os cubos de manga e a geleia de laranja com gengibre da Senhora das Especiarias que ganhei de presente de uma grande amiga.

(a mise-en-scène deu uma força para o veredito final)

* TEMPERATURA DA ÁGUA: de 80 °C   * MEDIDA: mais de 1 colher-medidor * TEMPO DE INFUSÃO: 2 minutos *