Toda vez que vou a Buenos Aires, acabo fazendo uma viagem peculiar – e cada vez por um motivo. Eu estava felicíssima de ter sido convidada pelo Paulo (meu amigo de muitos e muitos anos) para seu casamento na cidade. Recolhi uma série de endereços de chás para tomar Chamana, Inti.zen, Tea Connection, Tealosophy e nenhum dos planos deu muito certo – exceto por Tealosophy (aguardem um post especial sobre a loja). Achei que ia passar horas cruzando Palermo de ponta a ponta, matar as saudades de Palermo Viejo… e nada! Fiquei pulando de galho em galho, de amigo em amigo, charlando, tomando chá, celebrando os encontros. Ou seja, uma verdadeira cerimônia que durou quatro dias!

Juan (o da direita, por favor, o outro eu não faço a mínima ideia de quem seja) foi meu anjo da guarda. Além de ter me hospedado, ele foi comigo fotografar a loja de Inés Berton em Palermo. A Tealosophy fica em um espaço com carinha de Provence (com direito a jasmins no chão), a Galeria Paul. Fazia tempo que eu não via Juan – desde a minha última viagem a Buenos Aires, em 2004 – e fazia tempo também que não nos falávamos. Retomamos contato recentemente para falar do blog Cerimônia do Chá. Juan foi um dos amigos fundamentais para fazer o blog renascer.

Depois de eu quase surtar na Tealosophy, segui a pé até o Ilum Experience Home, onde estavam hospedados os noivos (Paulo y Paula). Como eu sempre passava lá para dar um “oi” e essas passadinhas nunca duravam pouco tempo, acredito que tenha sido o salão onde mais passei tempo tomando chá, sempre da marca José, mate ou de rosa mosqueta. A trouxinha que armazena a erva é linda, mas me deixa um pouco aflita imaginar que elas não tem para onde se expandir, ficam todas apertadinhas lá dentro.

Ainda na minha lista de queridos amigos, pude rever mi “mama argentina”, a Titi, mãe do Andy, duas pessoas queridas que muito me influenciaram no hábito de tomar chá.

Titi até me emprestou um livro, passamos horas falando de nossas paixões, descobertas, fases de vida… Tentamos encontrar alguns chás de Tealosophy na sorveteria Volta – mas o endereço da Santa Fé, infelizmente, não tem chás desta marca. No entanto, nos compensou com um jardim agradável!

Outros grandes momentos de conversa e aconchego foram compartilhados com meus anfitriões, Juan y Patricia, sua namorada, que eu acabo de conhecer, mas era como se estivesse na minha vida há alguns anos. Patricia carinhosamente preparava o café da manhã (e Juan o jantar) e sentávamos juntos para passar bons momentos. O que eu mais gostava era da hora do mate, é claro, afinal, estava em Buenos Aires.

Manhãs de frio e sol, com a chaleirinha da casa e o mate misturado com um pouco de açúcar e casca de laranja.

ichigo ichie

E, além de colocar meu blog no ar, em pé, Juan ainda me envia o seguinte e-mail depois da minha volta:

ASSUNTO: encontrei isso e lembrei de você

a cuarta característica da arte zen

Naturalidad (Shizen)

Ausencia de fingimiento o artificio. Lo que significa en este contexto no es lo mismo que “naturaleza en estado bruto”. Es “no irrazonabilidad”, “no idea”, “no intensión”. Esta naturalidad no puede ser prevista. En el rito del té se dice: “Es bueno que las cosas sean sabi, pero hacer sabi las cosas no es bueno, pues es forzado y artificial”. Aquello que alguien vuelve natural es innatural. La naturalidad debe involucrar una plena intensión creativa y, al mismo tiempo, debe ser inartística y no forzada.

Extractos del libro Zen y Arte, publicado en Japón en 1958, por el caligrafo pintor Sinyu Morita.

chá e design

20/03/2011

Não aguentei de curiosidade e escrevi para a Mônica Rennó, da Talchá, para saber mais sobre a luminária (postada “de cabeça para cima” agora, para você poder ver como ela fica no ambiente) citada no post sobre a última visita à loja. E fiquei sabendo que as luminárias de teto da loja foram compradas na Foscarini, empresa italiana de design que trabalha tanto com grandes nomes quanto com os “jovens talentos”. Pesquisando um pouco mais, cheguei no nome dos criadores da linha ALLEGRETTO de luminárias: a companhia suíça Atelier Oï (só de entrar no site dos caras, dá vontade de trabalhar lá, mais do que na Foscarini).

Se você quiser viajar mais um pouco no trabalho dos caras, segue um videozinho ótimo de uma intervenção/apresentação de  trabalho feita por eles em um evento de design na Suíça…

Em paralelo ao surto alegreto, recebo a notícia de que o lounge store da Gourmet Tea mal abriu e já está concorrendo ao Prêmio Casa Claudia na categoria “lojas” (se você quiser votar, entre neste link). Os arquitetos Alan Chu e Cristiano Kato assinam o projeto. Para quem ficou curioso para conhecer um pouco mais da “loja pantone”, como eu costumo chamá-la também carinhosamente devido ao seu lindo balcão com latas de chás de todas as cores, seguem as fotos de Djan Chu, bem estilo divulgação, com a loja ainda vazia (eu prefiro um certo movimento). Eu já votei porque além do balcão-pantone e das cadeiras, eu acho a fachada maravilhosa.

oriental feelings

13/03/2011

Sexta-feira costuma ser meu day off. É o dia da semana em que eu costumo fazer “minhas coisas”: yoga, chá demorado com Carline, almoço com alguém querido, chá da tarde, reuniões de projetos bacanas, realização de projetos bacanas, às vezes uma reunião ou outra de trabalho (quando possível, tento passar as mais legais para sexta), cinema, livinho, bate-papo etc. Raramente “não faço nada”. E o “não fazer nada” é relativo, é bem relativo (assim como a expressão day off, porque eu sexta é muitas vezes o meu “day mais inn” da semana).

Trabalhei na última sexta até duas da tarde, ritmo meio non stop. Sabia que a Flavia chegaria à Talchá antes de mim, então deixei a recomendação para ela pegar uma das mesinhas do lado de fora, beeeem agradável porque almoçar depois do horário vale a pena quando 1) a reunião que atrasou é muito boa (e foi o caso) e 2) quando o lugar escolhido e a comida me transportam para outro mundo (então, no lugar de uma praça de alimentação cheia de adolescentes em plena sexta-feira, achei que poderia optar pela mesinha externa da Talchá, saladinha Arroz de Festa e, finalmente, o chá Bossa Nova!).

Fazia meses que eu estava devendo uma visita Talchá para experimentar o Bossa Nova, chá verde que é produzido no Brasil para exportação e que não chega(va) nas nossas prateleiras. Para quem gosta de chá verde com unami forte, é uma boa pedida. Esse é o único chá da loja que não fica armazenado dentro da lata, mas se encontra na geladeira para que seu sabor e frescor sejam mais bem conservados = essa dica já tinha sido passada para mim pela Miki, que me convidou para a cerimônia do senchá. Ainda não fiz isso em casa porque ainda não inaugurei nenhum pacote novo de chá verde. Deixem o próximo chegar…

Com uns pingos de garoa, transportamos nosso almoço-chá-reunião legal para o lado de dentro da loja e, tão logo entrei, já bati o olho nos lustres que ficam sobre a mesona dentro da loja e, mais uma vez, enxerguei o chasen, batedor de bambu, de ponta-cabeça (a foto está invertida para que você possa visualizar o mesmo sem ficar entortando a cabeça ou o notebook).

Depois da reunião, mais diversão garantida ao nosso MUNDO FLUTUANTE com a chegada do Marcelo, amigo da Flavia. A conversa passeou por meditação, vida, amor, família, encontros, livros, Jack Kerouac (“vagabundo do darma”), técnicas, histórias e mais histórias. Os chás que chegaram em bules diferentes (!) foram servidos trocados e pediram todo um movimento interativo com os aromas nas xícaras que passearam pela mesa.

Marcelo escolheu o Pera Fujian (chá branco chinês com pedaços e aroma natural de pera), que eu adoro. Flavia optou por uma infusão quente-fresca, o Frescor de Capim Limão (pedaços de maçã, gengibre, flor de hibisco, casca de laranja, capim limão, raiz de alcaçuz e ginseng, cártamo, beterraba, menta e alecrim) e eu me joguei no chá mate mesmo, o Mate Gengibre Citrus Orgânico (erva-mate, capim-limão, gengibre, limão-taiti e aromas naturais – ou seja, uma variação cafeinada da bebida da Flavia). Gostei médio desse meu chá, me arrependi de não ter testado com açúcar (talvez seja uma conexão com a minha pré-adolescência, em que as tardes frias, principalmente a de 1988, quando minha tia faleceu e minhas primas ficaram em casa, tinham sempre uma mesa de lanche da tarde com mate docinho preparado pela minha mãe).

Ficaríamos fácil mais um tempo conversando por lá se a loja não estivesse fechando (de repente, ouvimos as badaladas das dez da noite) e seguimos adiante. Flavia me deixou uma carta e Marcelo, uns pacotinhos de chá que ele tomava com os amigos no Plum Village da Califórnia.

Foi com essas memórias que eu acordei antes de seguir para a minha primeira aula de cerimônia do chá de verdade con Sensei Hayashi e Bertha Nakao, da escola Urasenke no Centro de Estudos Japoneses da USP.

Passei a tarde da última sexta-feira na lounge store da Gourmet Tea, que acaba de abrir para o público. E não queria mais sair de lá. Ficava fazendo as contas de quantas vezes eu teria que voltar (ô, sacrifício….) para degustar os 35 blends de chás orgânicos – tudo bem que eu já devo ter experimentando mais ou menos uns 6 deles e que posso fazê-lo em outros cafés e restaurantes de São Paulo que adoro, mas eu quero fazer tudo isso lá e você vai bem entender o porquê.

O convite “permita-se, deixe-se levar pelos aromas, cores e sabores desta aventura” que eu lia todas as vezes que entrava no site da Gourmet Tea se materializou no melhor sentido da palavra. Na entrada, uma pequena estante com os acessórios vendidos pelo site. Sem cara de vitrine, sem ser impositiva. Apenas algo a sua disposição se você quiser levar um pouco das suas descobertas para casa (os chás também estão a venda). Foi lá mesmo que Daniel Neuman, um dos criadores da Gourmet Tea, se aproximou delicadamente, sem aquela intimidação dos vendedores (a proposta nem é essa), já trazendo um pouco do seu silêncio e hospitalidade e abriu as portas para minha experiência. E não há outra palavra que defina melhor o que se passa a seguir: um lindo “balcão-pantone” traz latas e mais latas enfileiradas, a disposição do cliente. Tudo muito à vontade. Você olha, pega, lê, abre… e cheira. Os blends estão todos lá acessíveis, prontos para virarem seus melhores amigos. O balcão segue atravessando a loja até o fundo. E aquelas misturas lindas, cheirosas e coloridas vão se transformando em sabores, quitutes de chás da chef Rita Taraborelli (ela é responsável pelo cardápio da loja, que também oferece almoço) e, é claro, em chás.

Só esta pequena caminhada já é muito divertida, ainda mais se você der sorte, o local não estiver cheio e você engatar uma conversa com o Daniel ou qualquer um dos atendentes. Pela cor, pela beleza da mistura de elementos dos chás ou pelos cheiros, eu já ia elencando algumas latinhas que tinham o potencial de entrar para o meu top 5.

Mas o melhor ainda está por vir…

A cerimônia começa quando você senta.

Sem hesitar, eu escolhi o Five Elements, que tem base de oolong (um típico chinês, que em termos de oxidação, fica entre o verde e o preto) misturado a ginseng, raiz de alcaçuz, frutos de shizandra e flores de osmanto.

A conversa continua, eu já um pouco mais calma tentando digerir tudo o que tinha visto até então, mais suavizada da caminhada com o sol a pino na rua. A agitação foi baixando aos poucos e eu achei que estava pronta de verdade para encarar o chá, quando fui surpreendida pelo kit que se colocava à minha frente: suporte de madeira comcopo, infusor, pires com o chá, colherzinha, um quitute e……………….um timer!

Como bom anfitrião, Daniel perguntou se eu gostaria que ele preparasse o meu chá. Se fosse um ambiente tradicional, eu seria uma péssima convidada. Mas como a ambiance do lounge store te dá toda a liberdade do mundo, eu espontaneamente neguei a proposta. Como poderia perder a oportunidade de interagir com tudo aquilo (e eu já estava muito interessada em operar o tea maker, infusor sonho de consumo, tanto pela sua “magia” quanto pela sua praticidade – acho que as duas características estão indissociadas no objeto em questão), poder fazer o meu próprio chá fora de casa?!

Cada um preparou o seu próprio chá, um ritual absolutamente acessível e contemporâneo.

Mas o silêncio só chegou no momento em que levei o chá à boca: o equilíbrio que você degusta está na essência dele  – posso garantir isso pela conversa de bastidores sobre como o blend foi concebido, mas não estou aqui para revelar segredos…

Retomando o post: o que me deixou mais feliz nesta visita, além de conhecer o local e explorar sinestesicamente seus cantinhos, foi conhecer o Daniel Neuman e o Leandro Toledano, os dois nomes por trás da Gourmet Tea. Depois do Five Elements, bati um longo papo com o Leandro também e pude descobrir que no DNA da Gourmet Tea há uma parceria de alma, uma história de dois amigos de infância que reuniram amizade, experiências de viagens e paixão pelos chás, depositaram tudo isso em misturas de sabores que foram nascendo e se armazenaram em lindas latas coloridas.Isso extrapola para os produtos e para o ambiente – não dá vontade de deixar o lugar. Parecia aquelas situações na minha infância quando eu visitava a casa de amigas que tiravam todos os seus brinquedos do armário para a gente brincar. E me lembrei também da Inés Berton contando que o chá dava a ela a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas.

Como se não bastasse, ainda encontrei por acaso um amigo de longa data, o Kimura, andarilho da cidade como eu (e anjo da guarda dos macs – mas isso é só um pretexto para as conversas e os cafezinhos e encontros nos estúdios de amigos). Pulei para outra mesa com ele e Rita, a chef que criou o muffin de chá branco: muito, mas muito recomendado. Eu já estava com meu horário estourando, mas não consegui sair de lá sem pedir mais um chá.

THE GOURMET TEA: rua Mateus Grou, 89, Pinheiros, tel. (11) 2936-4814, aberto todos os dias, das 10h às 19h.

Aos poucos, vou equalizando conexão-rotina-posts (por isso o sumiço deste fevereiro). Acho que terei um treco se eu não voltar em breve com a minha “rotina chazística”. Não no sentido de cobrança, mas na conexão com a essência mesmo.

Seguem algumas breves do que aconteceu neste interlúdio…

 

“Momento Alice”


As fotos são da Flavia Sakai em um domingo de sol delicioso, pós-experimentação gustativa no Cosi (a Lu Tokita é sempre EXCELENTE companhia para programas gastronômicos e o restaurante da Vila Nova Conceição tem um telhado/varanda deslumbrante – só não passe por lá em dias muito quentes, deve ser perfeito para o outono mesmo). Saindo de lá, corremos em meio a garoa fina para a  Cristallo bem de frente para a pracinha (Pça. Pereira Coutinho, 182). O mais delicioso, além dos docinhos, foi encontrar chás da Gourmet Tea – eu, que sempre repito as escolhas, desta vez tomei o revitalizante (rooibos, canela, gengibre e cardamomo), da linha ayurvédica. Foi divertido brincar de Alice e bulinho com as amigas.

 

“Cerimônia Senchá”


Receber um convite em mãos, com seu nome escrito à máquinha (um por um, pelo pai da Miki), é uma honra. Se o convite é para uma cerimônia do chá então…  O evento foi promovido pela Associação Tooraku-kai do Brasil (Sencha-Seifuryu) e, além de encontrar amigos queridíssimos – Rose e Pedro, Jane Aki, Sônia, Anne e Miki, que nos convidou – pude rever Okamoto Sensei e Noriko-San, que estiveram nos bastidores deste domingo em que, por algumas horas, esquecemos do calorão de São Paulo. Depois de sermos introduzidos ao chá de sakurá (uma aguinha morna com gosto de umê), partimos para 3 tipos de chá verde, acompanhados de wagashi artesanais, encomendados especialmente para a cerimônia!

A terceira “rodada” da cerimônia foi refresco puro. Além do doce gelatinoso e transparente, recebemos uma xícara de gyokuro gelado, preparado em utensílios de vidro. A transparência nos levou longe do asfalto queimando lá fora.

Depois dessas imagens, penso seriamente em buscar um pouco de água na geladeira…

Desde o último post que me exigiu uma parada para me refazer um pouco, muita coisa aconteceu: um encontro relâmpago com uma amiga querida que estava de passagem por São Paulo (entre Londrina e Chicago), uma tarde na casa de outra (nova) amiga (e vizinha) para a gente juntar nossos chás da Revolution, bebedeira de chá gelado, um reencontro com amigas de longa data e um almoço com cara de amigo secreto com outra amiga recente, que está de partida.

Sem contar na mudança de rotina que me deixa absorvida por uma causa que não deixa de ser uma retomada de projetos antigos e sonhos relativamente recentes – ela tem nome, se chama Childhood e estou completamente maravilhada com as possibilidades que o universo nos apresenta quando estamos com os sentidos abertos.

Os ventos se movimentam e me movimentam.

O mundo online ficou temporariamente abandonado (será assim por mais alguns dias), mas os sabores me acompanharam nesse período de descobertas – o maior clima de ano novo! Registrei o que estava ao meu alcance, pois nem sempre viver permite tantos registros…

“o chai da Kênya”

Se eu tivesse conhecido a Kê quando criança, não tenho dúvida de que nossa brincadeira preferida seria com panelinhas e bulinhos. Além dos livros, filmes, seriados, exposições e amor por nossas sobrinhas, compartilhamos receitas e dicas de cuidados com a casa, o corpo e a saúde. Faz um ano e meio que não moramos na mesma cidade, mas a troca continua. Dessa vez, ela trouxe de Chicago, diretamente do Whole Foods (uma cadeia de supermercados bio nos EUA que conheci pela minha irmã – aliás, toda vez que ela volta das compras, comenta um pouco mais sobre o corredor dos chás), uma linda lata de chai. Coincidentemente, na semana anterior ao nosso encontro, eu estava em busca de uma boa receita de chai para me ajudar a suportar o calorão (uma coisa que eu aprendi no Japão frequentando os banhos públicos de bairro foi subir um pouco a temperatura do corpo para logo em seguida sentir as noites alucinadamente quentes um pouco mais frescas – funciona bem).

Com o chai não foi diferente.

A marca Ineeka segue uma filosofia politicamente correta, impressa em todas etapas de fabricação e parcerias: ingredientes orgânicos, parceria com comunidades, responsabilidade social e responsabilidade ambiental. Mas mais do que isso, queria registrar 2 boas surpresas:

1) O sabor nada enjoativo (se tem coisa que eu abomino é chá com sabor de quentão, e o chai é uma bebida que tem o maior potencial para isso acontecer – colocar gengibre e cravo juntos é muito arriscado nesse sentido). Mas o Ma-chai da Ineeka está bem longe disso, a mistura de chá preto Assam, gengibre, cardamomo, pimenta preta, cravo, pétalas de rosa e açafrão é bastante equilibrada. Um pouco de leite e açúcar ajudaram a refrescar a minha noite – e não tive insônia de tomar chá preto às sete da noite.

2) Os sachês da Ineeka. Não vale descrever – deixo as fotos para deixar qualquer designer de embalagens com a cara no chão. Basta desdobrar umas abinhas e encaixá-las nas bordas de sua caneca. Ele ainda fica abertinho, com o chá respirando e as especiarias boiando, felizes. Morri.

Simples, inteligente e prático.

“tarde de inspiração com a Lu”

Mudar de casa me deu de presente uma nova amiga e vizinha. A Lu é o tipo de amiga que topa fazer tudo e transforma tudo em acontecimento próspero. Tem um pequeno lago com carpas no fundo de seu quintalzinho… Em uma dessas tardes de prospecção, reunimos nosso estoque de chás da Revolution. Não conseguimos experimentar todos os sabores (restringimos nosso chá das cinco degustativo a dois blends apenas), mas tivemos ideias, falamos, reforçamos nossa parceria e blablablá.

Pequeno parêntese para falar sobre a Revolution, uma marca americana de chás: ela foi descoberta bem por acaso, visitando a loja de chás preferida da Graziela em Praga. Eram tantas possibilidades de misturas, marcas e acessórios (inclusive presilhas para saquinhos!) que saí de lá zonza. Além do blend “segredos de Praga”, que está na lista dos meus TOP 5, saí da loja com umas embalagens individuais de Revolution e uma pequena lata com 6 de saches de earl grey com lavanda da mesma marca. Há um apelo emocional tão forte dessa história devido a minha amizade com a Gra, que incentivou muito essas descobertas, conhecer a loja ao vivo e a cores e a redescoberta do sabor do earl grey, que me fazem sempre associar a Revolution com novidade. Depois que eu reuni meu acervo e o da Lu, notei que os blends da marca são bem ousados, trazem misturas que eu não conseguiria imaginar (o próximo da minha lista é o Tropical Green Tea, que traz chá verde, aroma de abacaxi e casca de frutas cítricas – verão, continue, por favor).

Não faz muito tempo que a Revolution chegou no Brasil e você pode descobrir os pontos de venda no próprio site da marca.

Uma coisa bem legal é que é possível comprar uma embalagem individual e assim dá para experimentar vários sabores. A embalagem individual, chamada de T-Box, costuma ser vendida em um conjuntinho de 5 chás diferentes. A gente juntou as nossas caixinhas em cima do apoiador de mesa que foi presente da Marinês, mãe da Kênya, que tem um lindo trabalho em metal (eu sou apaixonada pelas colherinhas dela, se você quiser conhecer mais sobre o trabalho da Marinês, que mora em Londrina, visite este link – ela vende online e envia pelo correio). Voltando às embalagens, há outra versão que eu adoro, a T-Mini, uma latinha com 6 saquinhos do mesmo chá, e a caixa com 16 (para comprar depois que você gostou mesmo) que vêm em uma embalagem com ziplock, para o chazinho não perder seu sabor e aroma. Outra especificidade da Revolution são seus infusores transparentes (dá para viajar com os blends coloridos feitos com as folhas inteiras do chá), sem fiozinho (você joga na água e deixa boiando por um tempo – depois dá para tirar com a colher e pronto) e 100% biodegradáveis.

Obviamente, eu e Lu fomos de Earl Grey Lavander (eu, que sou uma pessoa um pouco viciada, quando gosto de uma coisa, costumo repetir e fico oferecendo para os amigos provarem), que é bem perfumado, e Sweet Ginger Peach Tea (gengibre, de novo, outro vício meu, para suar um pouco mais), que tem uma base de chá preto (Assam e Ceylan), aroma de pêssego e gengibre, de sabor delicado.

“ICED Gourmet Tea”

 A série “chá gelados” traz uma grande novidade no mercado: a Gourmet Tea acabou de lançar uma linha de chás gelados com 5 blends refrescantes. Esqueça a praticidade do mugicha, que você joga na água e larga na geladeira. O processo é o mesmo de fazer um chá quente: você coloca a água para ferver, avalia a temperatura, a quantidade de chá, o tempo de infusão. Depois, deixa esfriar e leva à geladeira. Parece um pouco trabalhoso… Ok, na verdade é um pouco trabalhoso. Mas é uma excelente alternativa de sabores para quem, como eu, só toma chá gelado de hortelã ou cevada (mugicha).

Eu enchi uma térmica com White Berry Iced Tea, uma mistura de chá branco, rosa mosqueta, rooibos, chá verde, folha de amora preta, hibisco, frutos de sabugueiro, framboesa, morango e aromas naturais. Como tem rooibos na sua composição, ele é levemente doce (eu dispenso o açúcar fácil fácil), mas tem um toque azedinho por causa das berries – eu adoro chá de folha de amora, então não foi muito difícil virar fã.

“passado-presente-futuro”

Momento muito especial de um domingo. Fui me encontrar com Taty, Karina, Márcia e Xixa, que são amigas de muitos (mas muitos) anos no Le Pain, para nos despedirmos da Taty, que está mudando de cidade. Fazia muito tempo que não me reunia com elas. Duas pessoas que não saíram na foto: a Mônica, prima da Taty, que também estava lá e tirou a foto, e a Sô, minha irmã, que fez falta no encontro. Pequena dica para quando for ao Le Pain: peça croissant com manteiga na chapa e chá verde com jasmim (d’A Loja do Chás). E se eu fosse falar destas amigas, da longa história de amizade comigo e com minha irmã, eu teria que fazer um blog inteiro para falar só disso…

“chás secretos”

Claire está de partida e fizemos um almocinho especial. Antes do encontro, preparei umas trouxinhas de bons chás nacionais de saquinho, cuja marca não revelo para não estragar a surpresa de um próximo post. Preparei outros pacotes, que também não conto para não estragar outras surpresas. Enquanto caminhávamos a pé, para o café-livraria, ela me declarou herdeira de seus sachês de tisanes, chá verde com menta (adooooro), Thé des Amants (chá preto com maçã, amêndoa, canela, baunilha e gengibre), do Palais de Thés e um pouco de Butterschotch (ainda desconhecido para mim), da Mariage Frères.

Comentário que parece meio óbvio para encerrar este longo post: depois das trocas com a Claire, comecei a reparar na “personalidade chazística” das pessoas. Acho que a Claire, em tão pouco tempo, me apresentou novos – e característicos – sabores. Não percebi isso com o Plinio ou a Kênya, por exemplo, seus gostos são bem parecidos aos meus: verdes, com toque cítrico ou levemente floral. Carline segue um pouco a mesma linha da Grazi, chás adocicados e perfumados (canela, rosas, cravo). Claire chega com chás densos, com baunilha, amêndoas e frutas de sabores fortes, uma menina acostumada a longos invernos.

A ameaça da chuva nos deixou acolhidas. Depois da nossa primeira aula de yoga no ano, Carline colocou a vela que nos acompanha acesa sobre a mesa e assim tomamos nosso chá das quintas-feiras. O chá foi presente da Valéria, da Wheat Organics, uma padaria orgânica artesanal que fica na Vila Leopoldina, perto da minha nova casa e  que vale muito a pena conhecer (prometo informações detalhadas, mas já adianto um pouco: além dos pães artesanais frescos, empório orgânico e pão de queijo delicioso, tem uma seleção de chás feitas pela Valéria, que me surpreendeu por seu conhecimento infinito sobre diversos assuntos que fazem bem para a mente, o corpo e o espírito).

A Carline já tinha cantado a bola para mim por e-mail que teríamos um chá de rooibos e eu já estava flutuando só de pensar. Rooibos é um arbusto vermelho cultivado na África do Sul e é um chá bem leve de sabor adocicado (dispensa facilmente o uso de açúcar) e baixa concentração de cafeína (é um chá que eu adoro tomar à noite, por exemplo). Eu adoro o seu cheiro quando ainda seco, é doce sem ser enjoativo, tem um gostinho de infância, naif. Seu aspecto também é sugestivo: as folhas secas são compridas e finas, parecem uma palha vermelhinha – tenho vontade de me jogar dentro da lata e ficar horas deitada lendo em cima de uma montanha de rooibos seco.

O chá que tomamos chama-se Miss Daisy, da Teakketle, uma marca nova no mercado brasileiro, tem base de rooibos e vem misturado com flores de camomila, pétalas de calêndula e rosa mosqueta. Junto com a luz de velas, supriu qualquer fresta vazia perdida no meio do peito. Ritual acolhedor. Tanto quanto o som do novo sino tibetano da Carline…

(Se você morreu de vontade de conhecer a Wheat Organics, ela fica na Rua Carlos Weber, 1622 – abre de segunda à sexta, das 9h às 19h, e aos sábados, das 8h30 às 16h)