A ameaça da chuva nos deixou acolhidas. Depois da nossa primeira aula de yoga no ano, Carline colocou a vela que nos acompanha acesa sobre a mesa e assim tomamos nosso chá das quintas-feiras. O chá foi presente da Valéria, da Wheat Organics, uma padaria orgânica artesanal que fica na Vila Leopoldina, perto da minha nova casa e  que vale muito a pena conhecer (prometo informações detalhadas, mas já adianto um pouco: além dos pães artesanais frescos, empório orgânico e pão de queijo delicioso, tem uma seleção de chás feitas pela Valéria, que me surpreendeu por seu conhecimento infinito sobre diversos assuntos que fazem bem para a mente, o corpo e o espírito).

A Carline já tinha cantado a bola para mim por e-mail que teríamos um chá de rooibos e eu já estava flutuando só de pensar. Rooibos é um arbusto vermelho cultivado na África do Sul e é um chá bem leve de sabor adocicado (dispensa facilmente o uso de açúcar) e baixa concentração de cafeína (é um chá que eu adoro tomar à noite, por exemplo). Eu adoro o seu cheiro quando ainda seco, é doce sem ser enjoativo, tem um gostinho de infância, naif. Seu aspecto também é sugestivo: as folhas secas são compridas e finas, parecem uma palha vermelhinha – tenho vontade de me jogar dentro da lata e ficar horas deitada lendo em cima de uma montanha de rooibos seco.

O chá que tomamos chama-se Miss Daisy, da Teakketle, uma marca nova no mercado brasileiro, tem base de rooibos e vem misturado com flores de camomila, pétalas de calêndula e rosa mosqueta. Junto com a luz de velas, supriu qualquer fresta vazia perdida no meio do peito. Ritual acolhedor. Tanto quanto o som do novo sino tibetano da Carline…

(Se você morreu de vontade de conhecer a Wheat Organics, ela fica na Rua Carlos Weber, 1622 – abre de segunda à sexta, das 9h às 19h, e aos sábados, das 8h30 às 16h)

Fla, Isa e eu (e Elaine por trás da câmera)

A semana passou com muitos compromissos sociais noturnos e o kikks’ delivery service entrou em ação, se preparando para as visitinhas saborosas.

Na terça-feira, o hortelã que eu tinha comprado foi fervido logo cedo e, além da jarra de 1 litro, preencheu forminhas de gelo para que tudo chegasse fresco ao jantar na casa da Lili e do Dudu.

A dica de preencher as formas de gelo com chá veio da Inés Berton, que também sugere colocar folhinhas pelo caráter decorativo (eu, infelizmente esqueci dessa recomendação – fervi o maço inteiro de hortelã – o que nem foi tão ruim assim, já que tive que usar uma térmica para conservar o frescor no transporte da bebida pronta).

Parece uma dica muito óbvia, mas durante os dias que passei em Tóquio de férias, em pleno verão, eu ficava maravilhada com o café gelado que nunca perdia seu sabor mesmo quando o “gelo” com o qual ele era servido derretia. Portanto, se vc quiser servir uma bebida gelada sem que ela fique aguada, use este suporte.

Um detalhe que faz TODA a diferença.

E foi ótimo ter chegado com o chá de hortelã gelado para “abrir os trabalhos” na casa da Lili, acompanhando as entradas (que incluiu aquele petisco de peixinho frito, bem japa). Começamos suavemente uma soirée que depois ficou mais hard core (e muito mais divertida, diga-se de passagem) com a sopa coreana (apimentadíssima e deliciosa) feita pelo Dudu, a infinidade de cervejas que degustamos e  a sobremesa feita pela Claire (mousse de chocolate consistente).

Encerramos a noite também com chá: desta vez, um de folhas de amora, preparado pelo Dudu, que ficou de me passar mais informações para eu postar aqui (porque ninguém merce fazer apuração depois das duas da manhã).

*

48 horas depois, recomecei a comilança no melhor estilo chá da tarde (à noite) na casa da Isa. Como boa conhecedora dos endereços de coisinhas e comidinhas (já falei aqui do seu blog My Kinf of Town), ela nos recebeu (eu, Flavia e Elaine) com uma mesa impecável em todos os sentidos.

Eu nem mexi no kikks’ delivery service porque a Isa tinha uma infinidade de chás ingleses de saquinho (recomendo: Afternon Blend, da Harrods, composto por 80% Darjeeling and 20% Assam, e o Earl Grey descafeinado, da Twinings, perfeito para se tomar à noite) que vêm em lindas latas.

A Isa é uma daquelas amigas com quem eu não tenho muito contato (a Elaine também, tínhamos nos visto apenas uma vez antes desse encontro, sem falar nos e-mails trocados, mas daí é outra história…mas com quem tenho grande afinidade), mas que demanda ZERO esforço para colocar o papo em dia. Ela é o tipo de pessoa que faz tudo com muito capricho, ela ama dessa maneira, recebe os amigos dessa maneira, trabalha dessa maneira, arruma a casa dessa maneira e aposto que até quando surta, ela faz de um jeito caprichado. Fazia anos que não nos encontrávamos e gostei de saber que a Isa agora tem como missão na vida ser feliz. Como ela faz as coisas na vida sempre desse jeito, acho que ela é uma das pessoas que eu conheço que mais curte a vida.

E descobri algo interessante nesta noite. A Isa coleciona jogos de chá e café!

Como qualquer bom encontro de meninas, passamos bem umas quatro horas falando e rindo sem nos darmos conta de que já era tarde. Tiramos as mesas correndo e eu invadi a cozinha com o kikks’s delivery service. Para nossa “saideira”, abri o rooitea com damasco e bergamota, d’A Loja do Chá, que ganhei de presente da Juliana Vidigal (quem ficou curioso e quiser procurar, o número do chá é o 1566).

A dica veio da Isabella Maiolino, amiga querida que escreve o delicioso blog My Kind of Town! com dicas de cultura, gastronomia e compras em São Paulo escritas no melhor estilo bonne vivante! A Isa mora em São Paulo há alguns anos e conhece os Jardins de cabo a rabo. Depois de um almoço em uma tarde que prometia aquele pé d’água, ela me fez prometer passar na Pâtisserie Douce France para averiguar os chás da marca francesa Mariage Frères que são servidos na loja. Eu estava quase desistindo, mas fui subindo a Alameda Campinas a pé e obviamente não resisti. Até porque eu mesma já estava pegando bode dos posts louvando minha marca de chás-fetiche e não dar uma indicação de lugar onde se pudesse degustar um mariage em São Paulo.

Pois chega de conflito.

Ao sentar em uma das mesinhas do salão, deixe o cardápio de lado (a não ser que você queira apreciar as ilustrações fofas da artista Eveline Imbert ou escolher acompanhamentos, coisa que não fiz porque eu tinha acabado de sair de um almoço demorado). Só não espere descrições dos blends disponíveis; você vai encontrar apenas as opções “chá” (R$ 6,50) ou então “chá de hortelã fresco” (R$ 7,50), ou algo do gênero. Se você não deseja importunar o garçom com milhões de perguntas sobre… chás (como eu fiz), entre no salão, procure o balcão da cafeteria e torça para que a atendente Ivonete esteja por lá porque ela pode preparar um chá com o maior carinho para você se o salão não estiver cheio.

O chá vem servido em um simpático bulinho com um infusor dentro (não é meu infusor favorito, pois as folhas não têm muito espaço para crescer e, na minha doentia percepção, sinto um leve gosto de inox na bebida) – aconselho não esquecer o infusor eternamente lá dentro para a bebida não ficar com um sabor tão forte. Convém retirar uns 30 segundos depois de a bebida chegar na mesa (ou imediatamente caso o chá escolhido seja algum verde) – a dica é do meu cronômetro imaginário que fica pensando o tempo que se passou no momento em que a água foi despejada no bule até o instante em que ele é servido na mesa…

Eu pedi um chá de maçã, que não é dos meus favoritos, mas foi um dos primeiros citados pelo garçom e um mariage para mim desconhecido (ainda não tinha ido até o balcão escolher o chá pessoalmente, ato que vale a pena, pois há uma caixa com uma grande variedade de Twinings para quem prefere os chás ingleses). Contei 8 variedades de Mariage Frères (incluindo o clássico Marco Polo, que definitivamente entrou na minha top list, Earl Grey, Darjeeling e a a escolha da próxima visita à pâtisserie: Jasmin Mandarin feito com chá verde chinês…).

Mas a grande surpresa veio depois de um papo com a Ivonete (e a chuva despencando do lado de fora): o chá feito com sementes de chá verde (na verdade, folhas enroladinhas de procedência não revelada – o segredo da casa?) com hortelão fresco servido em uma taça de vidro…

Quero esperar a chuva sempre assim…

… da próxima vez, acompanhada de uma boa pâtisserie (a nostalgia grita só de olhar um folhado de maçã – chausson aux pommes do chef pâtissier Fabrice le Nud)

PÂTISSERIE DOUCE FRANCE: alameda Jaú, 554, tel. (11) 3262-3542.

Três dos quatro blends da Gourmet Tea que eu tomei foi junto com a Carline Piva (professora de yoga e companheira de degustações de chá “chuchuzinha“). Reservamos as manhãs de quinta para a nossa descerimoniosas cerimônias do chá e hoje foi ainda mais especial. Na terça-feira, ela comemorou seu aniversário no Pão, uma padaria artesanal orgânica pequena, fofa e deliciosa nos Jardins (que só trabalha com chás orgânicos da Gourmet Tea – eu provei a infusão herbal Soothing da linha dos ayurvédicos: uma mistura de camomila, raiz de alcaçuz, semente de funcho, cardamomo e gengibre… e adorei). Lotamos o estabelecimento, que tem três mesinhas aconchegantes. Posso dizer que o calor humano foi fundamental para uma tarde fria de primavera depois do cineminha…

O aniversário passou e ficaram os presentes (bule, chá e a peneirinha japonesa, esta última parte do kit-mimo, que foi o meu presente) e com eles, a Carline preparou este chá de feliz desaniversário 😉

O chá presentado foi o White Passion, da linha de chá branco, que tem raiz de alcaçuz (mordo a língua de novo), grãos de cártamo, centáureo (duas flores lindas, coloridas e com um aroma que quebra a coisa sem graça do chá branco) e aromas naturais (não sei do quê, provavelmente das flores, apenas reproduzo o que estava escrito no rótulo). A dica da Val, amiga da Carline que ofereceu o presente: tomar o chá com cookies integrais de banana.

E assim começamos muito bem nossa quinta-feira.

Cabe aqui um importante comentário: eu estou adorando os chás da Gourmet Tea. Vou comentando os blends conforme eles cruzam meu caminho (coincidentemente, via Carline, que ganhou alguns de presente de amigos). Vale muito a pena experimentar: trata-se da marca nacional que atualmente reúne  produtos de qualidade, ingredientes orgânicos, uma grande variedade de blends com sabor surpreendente (para o bem, pelo menos os que eu já pude provar). O preço não é super acessível (uma lata com 45g custa R$ 23,90 no site da marca, sem contar o frete – custa quase 3 vezes mais que o peso equivalente de um chá básico na Mariage Frères, mas devemos levar em conta que o mercado de chá no Brasil está dando seus primeiros passos, ao contrário do que acontece na Ásia e Europa), mas mesmo assim considero o custo-benefício muito bom.

Conselho aos interessados: no site, há uma lista de estabelecimentos que oferecem os chás da marca em seu cardápio (basta clicar em “onde encontrar”). Vá experimentando aos poucos, descubra o(s) seu(s) favorito(s) para então investir na latinha. Ou então mergulhem no desconhecido (adorei 3 dos 4 que já experimentei, então o meu índice de aprovação por enquanto chegou a 75%).

PÃO: rua Bela Cintra, 1618, tel. (11) 3384-6900 (abre de segunda a sábado, das 9h às 19h, e, aos domingos, das 9h às 14h).

chá de orégano?

10/09/2010

A aula de yoga nesta semana foi bem difícil. Me embananei com algumas posturas novas, esqueci muito das que eu já conhecia um pouco. Respirei mal porque tinha fumado muito no dia anterior. Fiquei cheia de coisas na cabeça. Cheguei a usar a desculpa de que a almofada estava torta e por isso eu estava torta. Terminava ações antes de ter que terminar (ah, ansiedade) e me lembrei muito da época em que eu praticava zazen (meditação zen budista) com a Monja Coen.

A coisa era mais ou menos assim: eu de frente para uma parede, de olhos semi fechados, a mente, a respiração, mil pensamentos, mente, frases soltas, eu, a parede, um reflexo de mim mesma.

Com a aula na semana foi igual: me perceber pelos gestos, a respiração e as ações.

E acho que deve ser assim também com a cerimônia do chá…

Você já parou para se perguntar o que seus gestos dizem sobre o seu estado de espírito?

Depois da aula, sentei com a Carline para o nosso chá. Ela, sem saber da minha semana, guiada apenas por sua sensibilidade, trouxe um detox que contém orégano. A mistura da linha ayurvédica da Clipper* tem ervas orgânicas, aroma natural de lima e orégano. Por mais estranho que possa parecer, a infusão tem um sabor bem agradável, o orégano pontua cada gole, lembrando que está lá sem ser agressivo, faz o papel de um cutucãozinho.

Eu adorei.

* marca de chás que lançou a linha “ALICE COLLECTION” (edição limitada) com embalagens inspiradas em Alice nos País das Maravilhas…

Faz um mês (na verdade, um mês e dois ou três dias, afinal passa de meia-noite) que comecei a trilhar um caminho com mais atenção. Pode parecer clichê – e é mesmo, admito, mas não me importo – dizer que essa nova visão do chá veio de um encontro inesperado, quase mágico, trazendo literalmente novos sabores à minha vida.

Quinta-feira, três da tarde: consigo uma vaga na disputadíssima palestra que Carla Saueressig, a proprietária d’A Loja do Chá, deu na Casa Santa Luzia. Antes de prosseguir, faço um pequeno adendo: são os dois melhores endereços para se comprar chá de qualidade em São Paulo. Assisti à ótima palestra da Carla, encontrei com uma amiga querida por acaso, saí para tomar uma soda italiana com ela e papear e voltei ao local para degustar e comprar alguns chás. Com a caixa de inti.zen (uma marca argentina de chás gourmets que primeiro conheci por um grande amigo e que pude degustar no choco.lab, em Higienópolis) na mão, fui surpreendida por uma conversa de prateleira. Papo vai, papo vem, soube que meu interlocutor, Guillermo, estava acompanhado Inés Berton, uma das grandes conhecedoras de chá no mundo. Quase caí para trás…

ILUMINÉ (vermelho) foi o primeiro inti.zen que conheci por Andrés Nigoul, grande amigo argentino (que também me introduziu ao Earl Grey e ao gosto pelo chá preto com leite). Andy me ofereceu como uma lembrancinha esta maravilhosa releitura do English Breakfast feita com chá preto do Ceylon, com toques de assam e oolong. Seu gosto é suave e, ao mesmo tempo, encorpado. Bom para tomar pela manhã.

PATAGONIA BEE (amarelo) foi minha descoberta: mel da Patagônia, toques de baunilha e cacau misturados com chá preto indiano. Na caixa, a sugestiva inscrição “para suavizar as palavras”. Doce e macio, cai como uma poesia que diz aquilo que sua alma pede. Antes que me perguntem, gosto de tomá-lo sem acompanhamento. Do mesmo jeito que evito ver uma exposição ou ler algo depois de ver um filme que me toca bastante. Quero guardar todos seus resquícios de sabor na minha memória, sem misturas (ou harmonizações para quem preferir assim).

GRANDE PARÊNTESE: até então, tudo o que eu sabia sobre Inés Berton era que ela tinha criado um blend para o Dalai Lama e que era uma das maiores especialistas de chá do mundo (e que eu amava os chás inti.zen). Mas a história vai além da lista de seus clientes – celebridades (e eu acho uma loucura chamar o Dalai Lama de celebridade, mas deixa pra lá), grifes e hotéis de luxo que encomendam suas criações. Inés Berton tem olfato absoluto e hoje é uma das onze tea noses do mundo, sendo que sua especialidade é o chá verde. Estas são as informações encabeçam qualquer matéria jornalística sobre ela.  Fala-se muito também da Tealosophy, sua loja na Recoleta, Buenos Aires, com filial em Barcelona, que vende uma variedade de chás  de alta qualidade e blends criados por Inés e que, para ela, o chá é uma filosofia de vida... (a expressão em espanhol “buscadora de té” explica tudo). O que os jornalistas não contam: Inés Berton possui uma sensibilidade impressionante, um sorriso acolhedor e uma delicadeza na escolha das palavras ao falar sobre chá. Inés e seus blends são inspiradores. É preciso silenciar um pouco a alma para ouvi-la.

Mais alguns minutinhos de conversa – queria saber se ela daria alguma palestra em sua passagem pelo Brasil – e fui convidada para uma degustação de chás no restaurante DOM, de seu amigo Alex Atala.

Sexta-feira, três da tarde: corri para encerrar o expediente de trabalho na hora do almoço e partir para o DOM sem nenhuma pendência nas costas. Pude conhecer melhor Guillermo Casarotti, o empresário de alma sensível por trás das marcas inti.zen e chamana – e foi esta linha de infusões, exclusividade da carta de chás do DOM, que mudou a minha vida. Chá, infusão, erva, feita ou não de camellia sinensis, pouco importa. Guillermo havia me recomendado no dia anterior um blend da inti.zen (DON JUAN) que continha doce de leite e eu, literalmente, torci o nariz. Chá de doce de leite? Não consigo processar… Tudo mudou quando o garçom despejou água quente em cima do saquinho semi-aberto de chamana azul (rooibos – um arbusto sul-africano, avelã, maçã e doce de leite), do aroma ao sabor, foi um festival de “ai ais” internos (afinal, eu estava em uma degustação com pessoas desconhecidas em um dos restaurantes mais chiques de São Paulo, sentada na mesma mesa de uma das grandes conhecedoras de chás do mundo e não queria pagar mico). Até então, nunca tinha experimentado a sensação de um abraço confortante pelo paladar. Escutei até a voz da Titi, mãe do Andy, falando “rico, muuuuy rico”.

Degustei outros sabores das duas linhas que, aos poucos, vou descrever neste blog conforme eu for redescobrindo cada um deles. Vou deixar vocês com a descrição do chamana azul “chill-out, reconfortante” como último sabor do post.

Só mais duas coisas antes de encerrar este loooongo relato…

* até escrever sobre tudo esta experiência, eu não me sentia de corpo e alma neste blog. Parecia que eu guardava um segredo precioso e o meu objetivo aqui é compartilhar.

* deixo registrados meus sinceros e mais profundos agradecimentos a Guillermo e Inés que, de forma muito carinhosa e acolhedora, incentivaram esta mais nova busca.

E viva os encontros!

A Loja do Chá: av. Brigadeiro Faria Lima, 2.232, 3° piso (Shopping Iguatemi), tel. (11) 3816-5359 (abre de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos, das 14h às 20h)

Casa Santa Luzia: al. Lorena, 1.471, tel. (11) 3897-5000 (abre de segunda a sábado, das 8 hs às 20h45)

choco.lab: rua Pará, 18, tel. (11) 3259-1941 (abre de segunda a quinta, das 12h às 20h, e às sextas, domingos e feriados, das 14h às 20h)

DOM: rua Barão de Capanema, 549, tel. (11) 3088-0761


Algumas notícias do começo da semana me deixaram um pouco chateada e talvez leve um tempo para processar alguns resultados. Daí, entre um compromisso pessoal e uma reunião de trabalho, resolvi entrar em um empório em Pinheiros para “passear” e saí de lá com um pacote de cuscuz. Depois da reunião, passei no supermercado para incrementar o almoço: alguns legumes, damascos secos e uma caixinha de infusão de hortelã com alcaçuz…

ou melhor, de alcaçuz com hortelã. Esta infusão (olha lá, está escrito na caixa!), da marca Casino (uma rede popular de supermercados na França) pode ser encontrada no Pão de Açúcar, conforme eu tinha mencionado no post do começo da semana, e por um preço bem acessível: você paga R$ 4,99 por uma caixa com 25 saquinhos.

Eu nem tinha planejado um almoço marroquino invadindo uma terça-feira de muito trabalho. A coisa foi simplesmente rolando, guiada um pouco pelo mantra “hoje tenho que fazer algo legal por mim” – bem diferente de compensar as coisas pela comida (mas isso é outro papo). O que eu queria, no fundo, era, no meio de um turbilhão de coisas passando por cima, do lado, sobre mim, conseguir fazer algo agradável. Se eu tivesse feito outro caminho, poderia ter descoberto um sebo, um livro de poesias perdido, ou quem sabe até ter encontrado alguém na rua sem querer.

Me senti meio renascida do almoço.

Vaporizada.

Poderia ser uma lei universal: todo dia fazer algo de bom para si mesmo, ou para um amigo, ou para um desconhecido. Um agrado, um carinho. Não, acho que não poderia ser lei. Se vira lei fica chato. E o que mais curti dessa experiência de hoje foi justamente o inesperado.