A semana foi de trabalho intenso. Intenso e inspirador. A cada dia que acordo, agradeço estar em contato com situações que me fazem crescer a cada dia, com as oportunidades de reflexão criativa, com encontros e situações que valem muito mais do que um rótulo de “reunião de trabalho”: propiciam uma vivência que me fazem voltar para casa com motivação infinita.

Uma das reuniões que aconteceram na semana foi em Cajamar, na Natura, percorrrendo corredores transparentes bem estar bem (mais tátil do que isso impossível) que me levam muito mais do que de um prédio para outro, mas me aproximam da experiências de vida de  1 milhão de consultoras, mulheres e brasileiras, na busca constante de cuidado, bem-estar e transformação – delas, da família, e de sua comunidade.

Quis levar o clima para o dia seguinte, de agenda lotada. A brincadeira foi “um chá por reunião” (duas foram canceladas, ufa, mas dei um jeito de tomar os 4 sachês que carregava na bolsa e não foi nenhum sacrifício).  Foi uma ótima desculpa para fazer o test drive da linha de chás orgânico frutífera, da Natura, que já andava aqui na fila .

Apesar de termos apenas 4 sachês na foto (e meu querido amigo João Felipe Scarpelini – inspirador é pouco para defini-lo), a frutífera tem 5 blends, que são denominados goles de leveza (chás verde e branco), sossego (infusões a base de melissa) e pureza (para o digestivo “carqueja, funcho e hortelã”, muito amargo, não gostei!).

 

Minhas recomendações:

* chá verde cítrico:  é o melhor chá verde de saquinho nacional que já provei (o cítrico ajuda)

* chá de melissa com rosa mosqueta e canela:  a canela dá um charme sem matar o gosto do resto, combina com a tardezinha

* chá branco com cravo: foi o que mais surpreendeu, até porque eu estava com muito pé atrás com o cravo (morrendo de medo de que o chá poderia virar quentão) e o chá branco (tenho dificuldade tomá-lo puro). Ele desbancou o chá verde cítrico e virou o meu preferido da linha, não só o meu quanto das pessoas a quem já o ofereci.

Além disso, ele é o que tem a embalagem mais fofa, com flocos de neve (na minha viagem a sutileza do branco sobre branco é sinônimo de neve), e uma caixa vertical muito prática (veja no site), que tem um picote especial para você ir retirando os saquinhos um a um sem a necessidade de ficar abrindo a caixa. O preço está acima dos chás de supermercado (R$ 15,00), mas a qualidade também é superior!

chá e design

20/03/2011

Não aguentei de curiosidade e escrevi para a Mônica Rennó, da Talchá, para saber mais sobre a luminária (postada “de cabeça para cima” agora, para você poder ver como ela fica no ambiente) citada no post sobre a última visita à loja. E fiquei sabendo que as luminárias de teto da loja foram compradas na Foscarini, empresa italiana de design que trabalha tanto com grandes nomes quanto com os “jovens talentos”. Pesquisando um pouco mais, cheguei no nome dos criadores da linha ALLEGRETTO de luminárias: a companhia suíça Atelier Oï (só de entrar no site dos caras, dá vontade de trabalhar lá, mais do que na Foscarini).

Se você quiser viajar mais um pouco no trabalho dos caras, segue um videozinho ótimo de uma intervenção/apresentação de  trabalho feita por eles em um evento de design na Suíça…

Em paralelo ao surto alegreto, recebo a notícia de que o lounge store da Gourmet Tea mal abriu e já está concorrendo ao Prêmio Casa Claudia na categoria “lojas” (se você quiser votar, entre neste link). Os arquitetos Alan Chu e Cristiano Kato assinam o projeto. Para quem ficou curioso para conhecer um pouco mais da “loja pantone”, como eu costumo chamá-la também carinhosamente devido ao seu lindo balcão com latas de chás de todas as cores, seguem as fotos de Djan Chu, bem estilo divulgação, com a loja ainda vazia (eu prefiro um certo movimento). Eu já votei porque além do balcão-pantone e das cadeiras, eu acho a fachada maravilhosa.

Quando alguém me conta que está indo para o Japão, acesso a coleção de imagens da minha viagem em 2007. Não só de imagens, mas também de sensações, sentimentos, cheiros, barulhos, sabores. Porque o Japão para mim representa “conforto”, é um encontro, em alguns momentos um ENCONTRO SILENCIOSO com algo que existe dentro de mim e é vez ou outra acessado intuitivamente (completando o post anterior, foi essa uma das minhas respostas à pergunta “O que é o Japão?” no TCC-documentário ORIENTATION, de Kenji Kihara, que pude ver ontem).

Na semana passada, o tsunami desfez a calmaria. Tsunami que tanto nos inspirou em 2008, ano do centenário, porque queríamos fazer muito barulho.

Desde sexta-feira fico tentando colher pedaços de depoimentos de amigos que estão lá, como Michiko e Claire, penso na minha tia-avó e fico me convencendo o tempo todo de que a casa da família Kobayashi, que fica em Ishioka (Ibaraki), não é tão colado ao litoral e que tudo está bem. Como saber? Será que a parede rabiscada pelo meu avô em sua infância foi varrida?

Pelo facebook, tive algumas notícas. Sei que Claire está bem e que Michiko finalmente conseguiu embarcar de volta ao Brasil. Está em algum lugar pelos ares. Soube de Valérie, amiga do Puri, que nos alugou sua casa durante a nossa temporada em Tokyo e foi ela que postou nesta manhã (para eles, noite) lindas imagens pós-tsunami, de uma tarde em Kamakura com vista para o mar: dia lindo, pessoas em um café conversandoo e contemplando a paisagem, casal curtindo a tarde com uma garrafa de vinho.

Para celebrar a vida, a foto do meu café favorito em Tokyo.

oriental feelings

13/03/2011

Sexta-feira costuma ser meu day off. É o dia da semana em que eu costumo fazer “minhas coisas”: yoga, chá demorado com Carline, almoço com alguém querido, chá da tarde, reuniões de projetos bacanas, realização de projetos bacanas, às vezes uma reunião ou outra de trabalho (quando possível, tento passar as mais legais para sexta), cinema, livinho, bate-papo etc. Raramente “não faço nada”. E o “não fazer nada” é relativo, é bem relativo (assim como a expressão day off, porque eu sexta é muitas vezes o meu “day mais inn” da semana).

Trabalhei na última sexta até duas da tarde, ritmo meio non stop. Sabia que a Flavia chegaria à Talchá antes de mim, então deixei a recomendação para ela pegar uma das mesinhas do lado de fora, beeeem agradável porque almoçar depois do horário vale a pena quando 1) a reunião que atrasou é muito boa (e foi o caso) e 2) quando o lugar escolhido e a comida me transportam para outro mundo (então, no lugar de uma praça de alimentação cheia de adolescentes em plena sexta-feira, achei que poderia optar pela mesinha externa da Talchá, saladinha Arroz de Festa e, finalmente, o chá Bossa Nova!).

Fazia meses que eu estava devendo uma visita Talchá para experimentar o Bossa Nova, chá verde que é produzido no Brasil para exportação e que não chega(va) nas nossas prateleiras. Para quem gosta de chá verde com unami forte, é uma boa pedida. Esse é o único chá da loja que não fica armazenado dentro da lata, mas se encontra na geladeira para que seu sabor e frescor sejam mais bem conservados = essa dica já tinha sido passada para mim pela Miki, que me convidou para a cerimônia do senchá. Ainda não fiz isso em casa porque ainda não inaugurei nenhum pacote novo de chá verde. Deixem o próximo chegar…

Com uns pingos de garoa, transportamos nosso almoço-chá-reunião legal para o lado de dentro da loja e, tão logo entrei, já bati o olho nos lustres que ficam sobre a mesona dentro da loja e, mais uma vez, enxerguei o chasen, batedor de bambu, de ponta-cabeça (a foto está invertida para que você possa visualizar o mesmo sem ficar entortando a cabeça ou o notebook).

Depois da reunião, mais diversão garantida ao nosso MUNDO FLUTUANTE com a chegada do Marcelo, amigo da Flavia. A conversa passeou por meditação, vida, amor, família, encontros, livros, Jack Kerouac (“vagabundo do darma”), técnicas, histórias e mais histórias. Os chás que chegaram em bules diferentes (!) foram servidos trocados e pediram todo um movimento interativo com os aromas nas xícaras que passearam pela mesa.

Marcelo escolheu o Pera Fujian (chá branco chinês com pedaços e aroma natural de pera), que eu adoro. Flavia optou por uma infusão quente-fresca, o Frescor de Capim Limão (pedaços de maçã, gengibre, flor de hibisco, casca de laranja, capim limão, raiz de alcaçuz e ginseng, cártamo, beterraba, menta e alecrim) e eu me joguei no chá mate mesmo, o Mate Gengibre Citrus Orgânico (erva-mate, capim-limão, gengibre, limão-taiti e aromas naturais – ou seja, uma variação cafeinada da bebida da Flavia). Gostei médio desse meu chá, me arrependi de não ter testado com açúcar (talvez seja uma conexão com a minha pré-adolescência, em que as tardes frias, principalmente a de 1988, quando minha tia faleceu e minhas primas ficaram em casa, tinham sempre uma mesa de lanche da tarde com mate docinho preparado pela minha mãe).

Ficaríamos fácil mais um tempo conversando por lá se a loja não estivesse fechando (de repente, ouvimos as badaladas das dez da noite) e seguimos adiante. Flavia me deixou uma carta e Marcelo, uns pacotinhos de chá que ele tomava com os amigos no Plum Village da Califórnia.

Foi com essas memórias que eu acordei antes de seguir para a minha primeira aula de cerimônia do chá de verdade con Sensei Hayashi e Bertha Nakao, da escola Urasenke no Centro de Estudos Japoneses da USP.

um pouco de paz

11/03/2011

permissão para entrar em sua rotina por 5 minutos

Thich Nhat Hanh – Plum Village Meditation Center

obrigada, Marcelo

Embora não existam muitos comentários por aqui, muita gente falou sobre o post do matcháLatte no escritório. No meio das perguntas, a que mais me chamou atenção foi “e quem não tem a maquininha, como faz?“. Eu fiquei tão curiosa que  fui pesquisar e me deparei com este videozinho no youtube. Também me permiti sair da toca nesse feriado preguiçoso só para comprar uma caixinha de leite. Além da temperatura-casaquinho ser uma boa desculpa para o matcháLatte, queria um momento comemoração mesmo: depois de muitos meses, abri os olhos de manhã e me senti acordando no meu ninho, completamente confortável com o frio, a luz da manhã entrando na janela, um espaço sem malas e tudo no seu lugar sem esforço. Como queria o matcháLatte para o fim da tarde, optei pelo método prático e rápido sem me importar com a “falta de cerimônia”. Este blog também é serviço e não ligo a mínima de ter posts praticamente repetidos um em seguida do outro.

A espontaneidade nasce como blog, a celebração do instante, ichigo ichie.

Não quero me esquecer mais dessa manhã, desse fim de tarde, desse dia.

*

Para fazer o mactháLatte, você vai precisar de:

1/5 de água mineral

4/5 de leite semidesnatado

1 colher de chá de matchá

1 caneca

1 mini shaker a pilha

 

Modo de preparo:

Aqueça a água por 10 segundos em microondas e despeje na caneca. Em seguida, aqueça o leite durante 20 segundos também no microondas.

Despeje o matchá na caneca e misture com o mini shaker até obter uma mistura homogênea.

Acrescente metade do late e continue a misturar com o mini shaker. Se for do seu gosto, acrescente um pouco de açúcar nesta etapa do processo.

Complete com o restante do leite e posicione o shaker próximo à superfície, para fazer a espuminha. A espuma não dura tanto tempo quanto a de máquina, mas o uso do shaker é indicado para que o pó se dilua bem e não se acumule no fundo do recipiente. Ele cumpre o papel do chasen, aquele utensíliode bambu utilizado na cerimônia do chá tradicional.

*

Heresia?!?!

Poderia discutir isso exaustivamente, mas deixo apenas a possibilidade de fazer uma bebida gostosa em qualquer lugar do mundo que tenha água, leite e microondas (dá para acomodar a lata de matchá e o mini shaker em qualquer bolsa).

*

Sobre a marca de matchá utilizada, deixo todas as indicações aqui.

Essa simpática latinha de Hagoromo tem me acompanhado para todos os cantos. Quero terminá-la logo para poder testar outras marcas. Importada pela Tradbras, pode ser encontrada em qualquer empório japonês e custa cerca de R$ 15,00. Mais informações aqui no rótulo:

Passei a tarde da última sexta-feira na lounge store da Gourmet Tea, que acaba de abrir para o público. E não queria mais sair de lá. Ficava fazendo as contas de quantas vezes eu teria que voltar (ô, sacrifício….) para degustar os 35 blends de chás orgânicos – tudo bem que eu já devo ter experimentando mais ou menos uns 6 deles e que posso fazê-lo em outros cafés e restaurantes de São Paulo que adoro, mas eu quero fazer tudo isso lá e você vai bem entender o porquê.

O convite “permita-se, deixe-se levar pelos aromas, cores e sabores desta aventura” que eu lia todas as vezes que entrava no site da Gourmet Tea se materializou no melhor sentido da palavra. Na entrada, uma pequena estante com os acessórios vendidos pelo site. Sem cara de vitrine, sem ser impositiva. Apenas algo a sua disposição se você quiser levar um pouco das suas descobertas para casa (os chás também estão a venda). Foi lá mesmo que Daniel Neuman, um dos criadores da Gourmet Tea, se aproximou delicadamente, sem aquela intimidação dos vendedores (a proposta nem é essa), já trazendo um pouco do seu silêncio e hospitalidade e abriu as portas para minha experiência. E não há outra palavra que defina melhor o que se passa a seguir: um lindo “balcão-pantone” traz latas e mais latas enfileiradas, a disposição do cliente. Tudo muito à vontade. Você olha, pega, lê, abre… e cheira. Os blends estão todos lá acessíveis, prontos para virarem seus melhores amigos. O balcão segue atravessando a loja até o fundo. E aquelas misturas lindas, cheirosas e coloridas vão se transformando em sabores, quitutes de chás da chef Rita Taraborelli (ela é responsável pelo cardápio da loja, que também oferece almoço) e, é claro, em chás.

Só esta pequena caminhada já é muito divertida, ainda mais se você der sorte, o local não estiver cheio e você engatar uma conversa com o Daniel ou qualquer um dos atendentes. Pela cor, pela beleza da mistura de elementos dos chás ou pelos cheiros, eu já ia elencando algumas latinhas que tinham o potencial de entrar para o meu top 5.

Mas o melhor ainda está por vir…

A cerimônia começa quando você senta.

Sem hesitar, eu escolhi o Five Elements, que tem base de oolong (um típico chinês, que em termos de oxidação, fica entre o verde e o preto) misturado a ginseng, raiz de alcaçuz, frutos de shizandra e flores de osmanto.

A conversa continua, eu já um pouco mais calma tentando digerir tudo o que tinha visto até então, mais suavizada da caminhada com o sol a pino na rua. A agitação foi baixando aos poucos e eu achei que estava pronta de verdade para encarar o chá, quando fui surpreendida pelo kit que se colocava à minha frente: suporte de madeira comcopo, infusor, pires com o chá, colherzinha, um quitute e……………….um timer!

Como bom anfitrião, Daniel perguntou se eu gostaria que ele preparasse o meu chá. Se fosse um ambiente tradicional, eu seria uma péssima convidada. Mas como a ambiance do lounge store te dá toda a liberdade do mundo, eu espontaneamente neguei a proposta. Como poderia perder a oportunidade de interagir com tudo aquilo (e eu já estava muito interessada em operar o tea maker, infusor sonho de consumo, tanto pela sua “magia” quanto pela sua praticidade – acho que as duas características estão indissociadas no objeto em questão), poder fazer o meu próprio chá fora de casa?!

Cada um preparou o seu próprio chá, um ritual absolutamente acessível e contemporâneo.

Mas o silêncio só chegou no momento em que levei o chá à boca: o equilíbrio que você degusta está na essência dele  – posso garantir isso pela conversa de bastidores sobre como o blend foi concebido, mas não estou aqui para revelar segredos…

Retomando o post: o que me deixou mais feliz nesta visita, além de conhecer o local e explorar sinestesicamente seus cantinhos, foi conhecer o Daniel Neuman e o Leandro Toledano, os dois nomes por trás da Gourmet Tea. Depois do Five Elements, bati um longo papo com o Leandro também e pude descobrir que no DNA da Gourmet Tea há uma parceria de alma, uma história de dois amigos de infância que reuniram amizade, experiências de viagens e paixão pelos chás, depositaram tudo isso em misturas de sabores que foram nascendo e se armazenaram em lindas latas coloridas.Isso extrapola para os produtos e para o ambiente – não dá vontade de deixar o lugar. Parecia aquelas situações na minha infância quando eu visitava a casa de amigas que tiravam todos os seus brinquedos do armário para a gente brincar. E me lembrei também da Inés Berton contando que o chá dava a ela a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas.

Como se não bastasse, ainda encontrei por acaso um amigo de longa data, o Kimura, andarilho da cidade como eu (e anjo da guarda dos macs – mas isso é só um pretexto para as conversas e os cafezinhos e encontros nos estúdios de amigos). Pulei para outra mesa com ele e Rita, a chef que criou o muffin de chá branco: muito, mas muito recomendado. Eu já estava com meu horário estourando, mas não consegui sair de lá sem pedir mais um chá.

THE GOURMET TEA: rua Mateus Grou, 89, Pinheiros, tel. (11) 2936-4814, aberto todos os dias, das 10h às 19h.