Tudo começou com a Jana, da Japonique, me dando dois tabletinhos de Pu Erh que a mãe dela trouxe da China. Achei a embalagem tão linda que deixei um bom tempo de enfeite junto com outros achados (o bulinho é inglês, foi a fève da galette des rois de algum janeiro que passei em Paris) na minha ex-estante de chás, esperando por alguma ocasião especial (como a estreia do jogo de chá que ganhei de uma prima e me esperava na casa da minha mãe).

Essa história de ocasião especial dá pano para manga. Dia desses, por conta de um triste episódio, me dei conta que há coisas que ficam guardadas para serem usadas ou degustadas em “momentos especiais” e, às vezes, os momentos não acontecem ou não são reconhecidos como tais…

Tão logo recebi uma visita por acaso do Puri e da Grazi no apartamento onde até então eu estava morando que resolvi abrir o chá depois do almoço, assim, como se estivesse passando um cafezinho. Meu último encontro com eles tinha acontecido há mais de um ano, em Paris, quando a Grazi (que, na época, morava em Praga) foi nos visitar para me dar força na minha despedida da cidade e arrumação de caixas para partir para São Paulo.

Os três juntos em São Paulo é uma ocasião e tanto, não?

Grande parêntese aqui para falar sobre o Pu Erh: ele é um chá pós-fermentado, ou seja, envelhecido como um vinho (alguns tipos têm sido fermentados há até  50 anos, embora a maioria tenha entre 1 e 4 anos) e conservado em forma de tijolinhos ou até mesmo de grandes bolos prensados (há um modo de separar as folhas grudadinhas para não quebrá-las – uma das técnicas de como fazer isso pode ser vista neste link do youtube).

Alguns o classificam erroneamente como chá preto, mas ele é simplesmente Pu Erh, que tem como origem do nome uma vila na província chinesa de Yunnan conhecida como um importante centro comercial da Rota dos Chás e dos Cavalos. Ele é o chá utilizado na cerimônia do chá chinesa: a primeira infusão, feita com água recém-fervida  (90°C) e que dura poucos segundos, costuma ter um gosto bem forte, e é utilizada para lavar os utensílios. Bebe-se geralmente a partir da segunda infusão feita com as mesmas folhas, em uma temperatura mais amena (entre 85 e 89°C), durante um pouco menos de 2 minutos (para o meu gosto).

Puri e Grazi em São Paulo

O que eu achei mais bonito do Pu Erh, além da cor do chá, é a sensação de familiaridade que ele me causou.: uma mistura de sabor de chá de missa (que geramente costuma ser um banchá, mas o Pu Erh não tem gosto de banchá, apenas lembra vagamente) + chá de alguns restaurantes chineses (que não sei precisar direito qual, mas reconheço como sendo a outra opção quando não quero tomar chá de jasmim) + colo (isso mesmo, colo).

É um chá redondinho, gostoso de se tomar, combina com aquele sol suave que entra pela janela sem você perceber: ele não ilumina a sala toda (pelo contrário), mas faz toda a diferença.

Sem contar a cor dele, que é linda linda…

Mas ainda havia um tablete esperando + uma sala ainda disponível + amigas livres em um domingo ensolarado + uma fase nova para mim em que a energia, o apoio e a risada de amigas foi fundamental para me ajudar a encontrar forças e me preparar para uma semana de encaixotamento de coisas.

Outra ocasião especial.

Ju, Dani, Fla, Paulinha e Carline,

conto com vocês na “reabertura dos trabalhos”!

(Jana, você também será convocada)

Para quem quiser comprar Pu Erh no Brasil, sei que há para vender na Talchá (Shopping Higienópolis) e arrisco dizer que também n’A Loja do Chá (Shopping Iguatemi), em São Paulo. Não sei se eles vêm lindos e embalados, mas aposto que, pelo nível dos chás comercializados nesses dois locais, devem ser de boa qualidade. Há uma versão da empresa Fujian Tea (que importa outros chás chineses industrializados no Brasil) de qualidade mais modesta e pode ser encontrada em mercadinhos orientais da Liberdade (comprei uma caixinha neste final de semana e prometo dar as dicas em breve).

“As imaginações que assustam. Pensei numa festa – sem bebida, sem comida, festa só de olhar. Até as cadeiras alugadas e trazidas para um terceiro andar vazio da Rua da Alfândega, este seria um bom lugar. Para essa festa eu convidaria todos os amigos e amigas que tive e não tenho mais. Só eles, sem nem sequer os entre-amigos mútuos. Pessoas que vivi, pessoas que me viveram. Mas como é que se volta da Rua da Alfândega ao anoitecer? As calçadas estariam secas e duras, eu sei.

Preferi outra imaginação. Começou misturando carinho, gratidão, raiva; só depois é que se desdobraram duas asas de morcego, como o que vem de longe e vai chegando muito perto; mas também brilhavam as asas. Seria um chá – domingo, Rua do Lavradio – que eu oferecia a todas as empregadas que já tive na vida. As que esqueci marcariam a ausência com uma cadeira vazia, assim como estão dentro de mim. As outras sentadas, de mãos cruzadas no colo. Mudas – até o momento em que cada uma abrisse a boca e, rediviva, morta-viva, recitasse o que eu me lembro. Quase um chá de senhoras, só que nesse não se falaria de criadas.

– Pois te desejo muita felicidade – levanta-se uma – desejo que você obtenha tudo o que ninguém pode te dar.

-Quando peço uma coisa – ergue-se outra – só sei falar rindo muito e pensam que não estou precisando.

– Gosto de filme de caçada. (E foi tudo o que me ficou de uma pessoa inteira.)

– Trivial, não, senhora. Só sei fazer comida de pobre.

– Quando eu morrer, umas pessoas vão ter saudade de mim. Mas só isso.

– Fico com os olhos cheios de lágrimas quando falo com a senhora, deve ser espiritismo.

– Era um miúdo tão bonito que até me vinha vontade de fazer-lhe mal.

– Pois hoje de madrugada – me diz a italiana – quando eu vinha para cá, as folhas começaram a cair, e a primeira neve também. Um homem na rua disse assim: “é a chuva de ouro e prata.” Fingi que não ouvi porque se não tomo cuidado os homens fazem de mim o que querem.

– Lá vem a lordeza – levanta-se a mais antiga de todas, aquela que só conseguia dar ternura amarga e nos ensinou tão cedo a perdoar crueldade de amor. – A lordeza dormiu bem? A lordeza é de luxo, é cheia de vontades, ela quer isso, ela quer aquilo. A lordeza é branca.

– Eu queria folga nos três dias de carnaval, madame, porque chega de donzelice.

– Comida é questão de sal. Comida é questão de sal. Comida é questão de sal. Lá vem a lordeza: te desejo que obtenhas tudo o que ninguém pode te dar, só isso quando eu morrer. Foi então que o homem disse que a chuva era de ouro, o que ninguém pode te dar. A menos que tenhas medo de ficar toda de pé no escuro, banhada de ouro, só na escuridão, mas só na escuridão. A lordeza é de luxo pobre: folhas ou a primeira neve. Ter o sal do que se come, não fazer mal ao que é bonito, não rir na hora de pedir e nunca fingir que não se ouviu quando alguém disser: esta, mulher, esta é a chuva de ouro e prata. Sim.”

crônica de Clarice Lispector/ foto de Bertrand Prévost (p/ ensaio “Les Parisiens du 19ème dans leurs intérieurs”)
tomo chá pensando em Plinio, Inês, Graziela e Valmor

Tenho um grupo de amigas muito especiais que vou apresentar para vocês aos poucos (a Iweth, que já apareceu aqui, é uma delas). Nos encontramos geralmente em eventos, palestras, cursos, bazares… O que há de comum em todas estas ocasiões é que a apreciação do belo. Sem falar na troca de energia durante os encontros (algumas vezes, casuais, como este na Fundação Japão) é sempre a mesma, não importa quanto tempo tenha passado desde a última vez: risos (sempre) e abraços (imensos). Tamako Yoshimoto é uma delas. Antes de conhecer a Tamako, conheci seus ikebanas e fiquei hipnotizada pela sua criatividade. Tanto que, quando Flavia e eu organizamos (com Laís Fleury) nosso primeiro evento para divulgar artistas contemporâneos brasileiros (a experiência do coletivo moyashis, que culminou no Centenário da Imigração Japonesa), ela foi uma das artistas convidadas.

Tudo isso aconteceu em 2006. Seu trabalho foi tão inspirador, que desenvolvemos uma série de stickers produzidos por 17 artistas com o tema do ikebana da Tamako. O resultado da loucura criativa pode ser visto aqui, onde estão registrados a invasão que fizemos em muros da Vila Madalena.

Quando surgiu a oportunidade de apresentar uma performance em 2008, no ano do Centenário da Imigração Japonesa, convidei a Tamako para fazer o ikebana da minha plataforma para a cerimônia do chá contemporânea. Não acreditei quando ela chegou com blocos de concreto e tubos de vidro, captando o espírito da performance em poucos e-mails com imagens dos objetos que eu iria utilizar. Quase perdi o fôlego. O estilo de ikebana que ela pratica é conhecido como Sogetsu e evoca a criatividade e expressão do artista, que pode usar materiais diversos.

Na semana passada, recebi uma foto (a primeira que aparece no post) de um trabalho que ela realizou no ateliê da ceramista Hideko Honma no 10° mercado “a mão cheia”. Instantaneamente, me lembrei de uma passagem escrita por Kakuzo Okakura em O Livro do Chá:

“No século XVI, as campânulas ainda eram flores raras entre nós. Rikyu tinha um jardim inteiro repleto delas e as cultivava com assíduo cuidado. A fama de suas flores chegou aos ouvidos do xogum Toyotomi Hideyoshi, que expresspu o desejo de vê-las. Rikyu então o convidou para um chá matinal em sua casa. No dia marcado, o xogum caminhou pelo jardim, mas não conseguiu ver nenhum sinal das campânulas. O solo fora nivelado e recoberto com pedriscos e areia fina. Raivoso e sombrio, o déspota entrou no aposento do chá, mas uma visão que o esperava ali lhe restaurou o humor por completo. No nicho tokonoma, num raro artesanato de bronze da Era Sung, havia uma única campânula – a rainha de todo o jardim!”

Fla, Isa e eu (e Elaine por trás da câmera)

A semana passou com muitos compromissos sociais noturnos e o kikks’ delivery service entrou em ação, se preparando para as visitinhas saborosas.

Na terça-feira, o hortelã que eu tinha comprado foi fervido logo cedo e, além da jarra de 1 litro, preencheu forminhas de gelo para que tudo chegasse fresco ao jantar na casa da Lili e do Dudu.

A dica de preencher as formas de gelo com chá veio da Inés Berton, que também sugere colocar folhinhas pelo caráter decorativo (eu, infelizmente esqueci dessa recomendação – fervi o maço inteiro de hortelã – o que nem foi tão ruim assim, já que tive que usar uma térmica para conservar o frescor no transporte da bebida pronta).

Parece uma dica muito óbvia, mas durante os dias que passei em Tóquio de férias, em pleno verão, eu ficava maravilhada com o café gelado que nunca perdia seu sabor mesmo quando o “gelo” com o qual ele era servido derretia. Portanto, se vc quiser servir uma bebida gelada sem que ela fique aguada, use este suporte.

Um detalhe que faz TODA a diferença.

E foi ótimo ter chegado com o chá de hortelã gelado para “abrir os trabalhos” na casa da Lili, acompanhando as entradas (que incluiu aquele petisco de peixinho frito, bem japa). Começamos suavemente uma soirée que depois ficou mais hard core (e muito mais divertida, diga-se de passagem) com a sopa coreana (apimentadíssima e deliciosa) feita pelo Dudu, a infinidade de cervejas que degustamos e  a sobremesa feita pela Claire (mousse de chocolate consistente).

Encerramos a noite também com chá: desta vez, um de folhas de amora, preparado pelo Dudu, que ficou de me passar mais informações para eu postar aqui (porque ninguém merce fazer apuração depois das duas da manhã).

*

48 horas depois, recomecei a comilança no melhor estilo chá da tarde (à noite) na casa da Isa. Como boa conhecedora dos endereços de coisinhas e comidinhas (já falei aqui do seu blog My Kinf of Town), ela nos recebeu (eu, Flavia e Elaine) com uma mesa impecável em todos os sentidos.

Eu nem mexi no kikks’ delivery service porque a Isa tinha uma infinidade de chás ingleses de saquinho (recomendo: Afternon Blend, da Harrods, composto por 80% Darjeeling and 20% Assam, e o Earl Grey descafeinado, da Twinings, perfeito para se tomar à noite) que vêm em lindas latas.

A Isa é uma daquelas amigas com quem eu não tenho muito contato (a Elaine também, tínhamos nos visto apenas uma vez antes desse encontro, sem falar nos e-mails trocados, mas daí é outra história…mas com quem tenho grande afinidade), mas que demanda ZERO esforço para colocar o papo em dia. Ela é o tipo de pessoa que faz tudo com muito capricho, ela ama dessa maneira, recebe os amigos dessa maneira, trabalha dessa maneira, arruma a casa dessa maneira e aposto que até quando surta, ela faz de um jeito caprichado. Fazia anos que não nos encontrávamos e gostei de saber que a Isa agora tem como missão na vida ser feliz. Como ela faz as coisas na vida sempre desse jeito, acho que ela é uma das pessoas que eu conheço que mais curte a vida.

E descobri algo interessante nesta noite. A Isa coleciona jogos de chá e café!

Como qualquer bom encontro de meninas, passamos bem umas quatro horas falando e rindo sem nos darmos conta de que já era tarde. Tiramos as mesas correndo e eu invadi a cozinha com o kikks’s delivery service. Para nossa “saideira”, abri o rooitea com damasco e bergamota, d’A Loja do Chá, que ganhei de presente da Juliana Vidigal (quem ficou curioso e quiser procurar, o número do chá é o 1566).

Contei ao amigo Juan Llamosas, de Buenos Aires, que estava escrevendo sobre chás.

Ele respondeu enviando uma imagem de uma carta de tarô e uma história:

Carta 12: La Receptividad

Es tiempo de detener la agresiva búsqueda de respuestas. Vacíate totalmente, vuélvete receptivo a toda la existencia. Simplemente relájate, espera y disfruta.

Un profesor de filosofía fue al Maestro Zen Nan-In y le preguntó acerca de Dios, la meditación y muchas cosas por el estilo. El Maestro lo escuchó silenciosamente y luego le dijo: “Te ves cansado. Has escalado esta alta montaña, has llegado de un remoto lugar. Déjame que primero te sirva té”. El profesor esperó. Hervía con preguntas, pero mientras cantaba el samovar y el aroma del té se difundía, el Maestro dijo: “Espera, no estés tan apurado. Quizás, hasta tomando el té pueden contestarse tus preguntas”.

El profesor empezó a preguntarse si su viaje no habría sido en vano. “Este hombre parece loco, ¿cómo puede contestarse mi pregunta sobre Dios tomando té?. Pero también estaba cansado y sería bueno tomar una taza de té antes de descender de la montaña.

El Maestro trajo la pava, vertió té en la taza y el té comenzó a inundar el plato, pero él continuó vertiéndolo. Luego el plato también se llenó. Sólo una gota más y el té habría comenzado a caer al piso. El profesor dijo: “Deténgase, ¡qué está haciendo! ¿no vé que la taza está llena, que el pato está lleno?”

Y Nan-In dijo: “Esa es la precisa situación en la que te hallas. Tu mente está tan llena de preguntas que aún si respondo, no tienes lugar para alojar las respuestas. Y te digo, desde que entraste en esta casa, tus preguntas inundan todo el lugar. Esta pequeña choza está llena de tus preguntas. Regresa, vacía tu taza y luego ven. Primero haz un poco de espacio dentro de ti”.

Has venido a una persona aún más peligrosa que Nan-In, porque para mí una taza vacía no será suficiente. La taza debe romperse íntegramente. Aún vacía, si estás allí, entonces estás lleno. Sólo cuando dejes de ser, el té podrá fluir dentro de tu ser. Sólo si no eres, realmente no habrá necesidad de volcar té dentro de ti. Cuando no eres, toda la existencia comienza a volcarse, desde todas las dimensiones, desde todas las direcciones.

Há alguns anos (poucos, menos de cinco), ganhei de presente uma latinha com “docinhos gostosos para tomar com chá” de uma grande amiga, a Graziela Kronka. Nem sei como descrevê-la direito por aqui e arrisco dizer que ela foi uma das grandes incentivadoras do meu hábito de tomar chá. Toda vez que ela ia me visitar, chegava com um pacote de chás ou apetrechos e, juntamente com o Puri, foi me ajudando a encher o baú de blends maravilhosos, não apenas pela qualidade deles, mas principalmente porque eles nos acompanharam por várias conversas, principalmente no inverno. O presente embarcou conosco para Bordeaux para ser compartilhado com Puri e Richard (que ainda não tinha sido citado aqui, mas que compõe a nossa petite famille) para esquentar o virada de 2006 para 2007.

Junto com o presente, veio a recomendação verbal “é para colocar assim, em cima da caneca”. E a frase nunca saiu da minha cabeça, mesmo quando eu não obedecia às instruções.

Esta bolachinha holandesa (lá conhecida como stroopwafel) apareceu em outros momentos especiais: pelas mãos da Camila, na casa da Lúcia, pelas minhas mãos chegando em SP depois de passar muitas horas no aeroporto de Schipol devido a um vôo perdido (e que se tornou um dos doces favoritos do Saiki, meu namorado), pelas mãos do Felipe ou pelas minhas depois de uma passagem por Amsterdam. E agora pela Flavia Sakai, que fez uma encomenda no Sobremesas do Mundo (por sorte, eu estava no estúdio dela no dia em que a sacolinha chegou) e, ao saber que era a sobremesa favorita do Saiki, mandou um pacote aqui para casa.

O dilema da semana foi: “stroopwafel vai bem com quê?“. A Camila, que morou na Holanda, deu a resposta mais confiável: café com leite ou com chá de anis. Café com leite estava descartado, pois eu tinha que colocar a bolacha em cima da caneca de chá. E anis também, pelo simples fato de eu não gostar de anis. Passei uns dias pensando (é sério) e me lembrei que havia um pacote intacto aqui que foi mandado de presente pelo Puri e com um lindo nome: Promenade des Anglais (“passeio dos ingleses”, nome da orla de Nice). Digno, não? (por falar em dignidade, há outra história que envolve Graziela, Valmor e chás que um dia será devidamente contada aqui) Mais digna ainda é a mistura que compõe a Promenade des Anglais: chá preto com pedaços de maçã e amêndoas e aroma de baunilha.

O aroma de baunilha/amêndoas é quebrado pela maçã… delícia! É uma pena que eu não vou saber indicar a marca, pois o presente veio em um delicado saquinho sem nome de loja. E o mistério faz dele algo único, como se ele não existisse em nenhuma loja no mundo em que possa encontrá-lo (ok, eu sei que existe, mas não sei se gostaria de saber). Assim, o sabor dura o tempo do presente, assim como foram todos os stroopwafels que passaram pela minha vida.

“Às vezes, a reunião de chá é feita com uma surpreendente seleção de utensílios. Entretanto, caso o anfitrião e convidados se preocupem apenas com os utensílios, em detrimento do seu relacionamento pessoal mais íntimo, a reunião terá a nódoa de uma exibição particular numa galeria de arte. Essas reuniões, baseadas unicamente na ostentação, não têm qualquer valor no que diz respeito ao espírito do chá. Somente quando  o relacionamento do anfitrião com o convidado é colocado emprimeiro plano é que os utensílios inanimados vêm à vida e mostram seu valor.”

* postal que conta histórias enviado pelo Plinio no último carregamento, trazido pela Lúcia