nostalgia light

06/08/2010

Escrita e leitura têm um forte poder sugestivo. Depois de escrever sobre o banchá, o conforto que ele proporciona e as lembranças que ele evoca, não sosseguei enquanto não preparasse ao menos uma caneca (até agora já foram duas e não duvido que farei um bule depois de jantar). Ou seja, ele foi eleito “o chá do dia“.

Como já foi comentado nas “dicas de preparo“, há recomendações dos especialistas, mas há também o gosto pessoal. Como é um chá que conheço relativamente bem, já desenvolvi certas manias e preferências.

Gosto dele mais forte e quente em dias mais frios ou quando tenho muita coisa para escrever. E preparo ele um pouco mais suave em meia estação (há a versão gelada também, mas isso fica para outro post).

Hoje, apesar do frio, escolhi um meio termo: suave em sabor e temperatura, com gosto de nostalgia light.

* TEMPERATURA DA ÁGUA: 75 °C  * MEDIDA: 1 colher-medidor * TEMPO DE INFUSÃO: um pouco mais que 1 minuto *

Ás vezes, eu defino o tempo observando a cor do chá. Esta é a cor ideal para o banchá que eu queria tomar hoje, um pouco mais claro e dourado que o de costume.

banchá

04/08/2010

Começo aqui confessando que foi difícil escolher o assunto do primeiro post desse blog. Então decidi recorrer às origens da minha paixão por chás. Posso dizer que ela começou em 2005, quando uma grande amiga foi dividir apartamento comigo. Ela trouxe na mudança um pote pequeno, simples, com um pouco de banchá que era da avó dela. Geralmente fazíamos o chá à noite, depois de jantar ou tomar um lanche, em uma pequena chaleira de metal que você pode encontrar em qualquer lojinha japonesa . Ela vem com um coador de metal e serve mais ou menos duas pessoas.

Flávia Sakai, eu, a chaleira e o reflexo da Andrea Capella


O banchá é um chá verde feito a partir das folhas da segunda ou terceira colheitas, de cor marrom e sabor torrado. Ele tem um teor menor de cafeína do que os chás verdes em geral e por isso não tira tanto o sono quando tomado à noite.

Mas o mais marcante para mim é a sensação de conforto que ele me proporciona, de reunião de família na casa da vó.

Quando fui morar em Paris, levei um pacote de banchá YAMAMOTOYAMA, este que a vó da Flávia guardava num potinho. A marca é nacional e não chega a ser um chá de ótima qualidade. Mas eu fazia questão de sempre ter este chá com gosto de infância, de conversas repletas de ideias com a Flávia (e Andrea também), um pouco da energia da vó da Flávia, chamada carinhosamente de Ba (batchan é “avó” em japonês). Agora, que voltei ao Brasil, continuo tomando o mesmo chá, que tem hoje a força de tardes geladas de estudo, da dissertação de mestrado, das visitas em volta do meu baú de chás, das conversas com Plinio, Richard, Grazi, Kênya, Paul…

Sei que este chá vai me acompanhar por toda a vida, em outros momentos, com novas lembranças.