oriental feelings

13/03/2011

Sexta-feira costuma ser meu day off. É o dia da semana em que eu costumo fazer “minhas coisas”: yoga, chá demorado com Carline, almoço com alguém querido, chá da tarde, reuniões de projetos bacanas, realização de projetos bacanas, às vezes uma reunião ou outra de trabalho (quando possível, tento passar as mais legais para sexta), cinema, livinho, bate-papo etc. Raramente “não faço nada”. E o “não fazer nada” é relativo, é bem relativo (assim como a expressão day off, porque eu sexta é muitas vezes o meu “day mais inn” da semana).

Trabalhei na última sexta até duas da tarde, ritmo meio non stop. Sabia que a Flavia chegaria à Talchá antes de mim, então deixei a recomendação para ela pegar uma das mesinhas do lado de fora, beeeem agradável porque almoçar depois do horário vale a pena quando 1) a reunião que atrasou é muito boa (e foi o caso) e 2) quando o lugar escolhido e a comida me transportam para outro mundo (então, no lugar de uma praça de alimentação cheia de adolescentes em plena sexta-feira, achei que poderia optar pela mesinha externa da Talchá, saladinha Arroz de Festa e, finalmente, o chá Bossa Nova!).

Fazia meses que eu estava devendo uma visita Talchá para experimentar o Bossa Nova, chá verde que é produzido no Brasil para exportação e que não chega(va) nas nossas prateleiras. Para quem gosta de chá verde com unami forte, é uma boa pedida. Esse é o único chá da loja que não fica armazenado dentro da lata, mas se encontra na geladeira para que seu sabor e frescor sejam mais bem conservados = essa dica já tinha sido passada para mim pela Miki, que me convidou para a cerimônia do senchá. Ainda não fiz isso em casa porque ainda não inaugurei nenhum pacote novo de chá verde. Deixem o próximo chegar…

Com uns pingos de garoa, transportamos nosso almoço-chá-reunião legal para o lado de dentro da loja e, tão logo entrei, já bati o olho nos lustres que ficam sobre a mesona dentro da loja e, mais uma vez, enxerguei o chasen, batedor de bambu, de ponta-cabeça (a foto está invertida para que você possa visualizar o mesmo sem ficar entortando a cabeça ou o notebook).

Depois da reunião, mais diversão garantida ao nosso MUNDO FLUTUANTE com a chegada do Marcelo, amigo da Flavia. A conversa passeou por meditação, vida, amor, família, encontros, livros, Jack Kerouac (“vagabundo do darma”), técnicas, histórias e mais histórias. Os chás que chegaram em bules diferentes (!) foram servidos trocados e pediram todo um movimento interativo com os aromas nas xícaras que passearam pela mesa.

Marcelo escolheu o Pera Fujian (chá branco chinês com pedaços e aroma natural de pera), que eu adoro. Flavia optou por uma infusão quente-fresca, o Frescor de Capim Limão (pedaços de maçã, gengibre, flor de hibisco, casca de laranja, capim limão, raiz de alcaçuz e ginseng, cártamo, beterraba, menta e alecrim) e eu me joguei no chá mate mesmo, o Mate Gengibre Citrus Orgânico (erva-mate, capim-limão, gengibre, limão-taiti e aromas naturais – ou seja, uma variação cafeinada da bebida da Flavia). Gostei médio desse meu chá, me arrependi de não ter testado com açúcar (talvez seja uma conexão com a minha pré-adolescência, em que as tardes frias, principalmente a de 1988, quando minha tia faleceu e minhas primas ficaram em casa, tinham sempre uma mesa de lanche da tarde com mate docinho preparado pela minha mãe).

Ficaríamos fácil mais um tempo conversando por lá se a loja não estivesse fechando (de repente, ouvimos as badaladas das dez da noite) e seguimos adiante. Flavia me deixou uma carta e Marcelo, uns pacotinhos de chá que ele tomava com os amigos no Plum Village da Califórnia.

Foi com essas memórias que eu acordei antes de seguir para a minha primeira aula de cerimônia do chá de verdade con Sensei Hayashi e Bertha Nakao, da escola Urasenke no Centro de Estudos Japoneses da USP.

Se a nova ala do shopping Higienópolis abrir para o público hoje, conforme o prometido, você já vai poder conhecer a Talchá, a primeira marca brasileira de chás goumet (atenção, a marca é brasileira, mas a maioria dos chás comercializados são importados).

Mônica Rennó, a idealizadora da marca, passou um ano e meio desenvolvendo este projeto de compartilhar sua bebida preferida com o público brasileiro. Durante grande parte de sua vida, ela não deu muita importância ao chá, mas em uma viagem à Paris teve o click ao conhecer a Mariage Frères (viram só como não é exagero só meu) e sua vida mudou…

O desejo de Mônica Rennó de tornar o chá gourmet uma bebida acessível ao consumidor se realiza em vários aspectos. A arquitetura da loja (assinada por Marcio Kogan) deixa expostos utensílios, acessórios, livros e chás – tudo pode ser tocado, lido, cheirado e experimentado.

Clique sobre a foto para visão panorâmica da loja

(crédito das fotos: Fernando Saiki)

E por falar em “experimentado”, a loja tem sempre um  “chá do dia” (quente no inverno e gelado no verão) oferecido para degustação. Fomos recebidos com o Apricot, chá verde chinês com sabor de damasco natural – bem refrescante.

A loja ainda tem uma pequena área para servir os clientes (além de uma mesinha-luxo do lado de fora, com vista para o jardim do shopping + wireless): 20 variedades de chás e blends (a carta foi montada pela própria Mônica Rennó), incluindo um verde especial produzido no Brasil (Bossa Nova), o Pétalas de Fujian (folhas de chá verde amarradas com cravo, que abre como uma flor quando em contato com água quente) e drinks com chás, além de lanches, saladas, quiches, outras comidinhas e petiscos do Arroz de Festa (a chef Adriana Cymes, que fez o cardápio, apresentou suas deliciosas tartelettes e ainda mostrou um de seus chás preferidos, o Genmaicha, chá verde japonês com arroz torrado, também conhecido como “chá de pipoca”, que tem sido citado por muita gente que conheço).

Eu, que tenho um pouco de birra de chá branco, escolhi para degustar o primeiro branco que vi no cardápio: Pera Fujian, composto por folhas de chá branco e pedaços de pera (o bule, que serve duas xícaras, custa R$ 7). Gostei tanto que comprei um pacotinho de 50g (R$ 38, o preço não é tão acessível, mas esta quantidade  rende aproximadamente 30 xícaras segundo o vendedor). Vale um comentário importante: as embalagens são escuras por fora e têm um fecho zip acoplado para fechar melhor o saquinho – eu aprovei totalmente. Elas também tem as cores do tipo de chá comprado (branco, verde, preto, rooibos e infusão) e trazem a temperatura média da água do chá comprado (detalhes mais precisos são encontrados em um folder/catálogo com informações sobre as 50 variedades vendidas na loja). Eu acho bem bacana toda essa preocupação didática.

Comprei dois outros mimos: um coador de bambu para substituir o deixado em Paris e um medidor fantástico que regula a quantidade de chá de acordo com o seu gosto (fraco, normal ou forte), para até 5 xícaras.

Há vários outros acessórios, como coadores de metal (e fundos, o que é importante para dar espaço para as folhas se abrirem durante a infusão), saquinhos em 3 tamanhos, pegadores, bules, bouilloires (chaleiras elétricas), canecas, xícaras e vou parar de por aqui para não contar tudo.

Antes de finalizar o post, queria comentar os detalhes que me conquistaram:

* a xícara da marca (a branquinha, que aparece na primeira foto) é assinada pela Rachel Hoshino (cujos objetos já circulavam aqui em casa, todos presentes que adorei receber). Com estampa singela e presente, tem a alça conforável para o dedo e uma espessura delicada para os lábios. Em seu briefing, Mônica Rennó destacou a importância de a xícara ser mais aberta para difundir o aroma da bebida;

* o atendimento, tanto da loja quanto do café, é cortês e atencioso (fui atendida por um vendedor bom de conversa – sobre chás obviamente) sem ser grudento, forçado ou puxa-saco além da conta (algo que chega a ser um problema em algumas lojas dentro de alguns shoppings);

* a bebida é servida em uma temperatura suave – creio que seja um dos raros lugares em São Paulo que se preocupa com isso.

Corre lá!

TALCHÁ: nova ala do Shopping Pátio Higienópolis (av. Higienópolis, 618), tel. (11) 3823-3744.