Hoje eu tive minha primeira aula de yoga. Estava sentindo falta de acordar bem cedo de manhã e começar o dia respirando bem. Depois de uma caminhada de 30 minutos, cheguei na casa da Carline Piva, jornalista e professora de yoga, amiga de um grande amigo. A Carline tem um astral ótimo e muita sensibilidade, foi ela quem herdou uma linda luminária vermelha quando mudei de São Paulo (a luminária continua com ela, aquecendo o corredor de seu apartamento) e talvez seja essa proximidade sutil que torne a aula (pré, durante e pós) uma agradável descoberta.

Assim como na cerimônia do chá, o convidado é recebido com reverência: porta destrancada, música suave e incenso queimando. Chega-se devagar. Há uma janela grande, com uma vista linda que permite os olhos percorrerem São Paulo como uma paisagem silenciosa. Pela manhã, o sol penetra o apartamento sem imposição. Ele está lá. Presente. No final da tarde, ele se põe quase pedindo licença, sem atrapalhar a aula.

Na yoga, o corpo se movimenta com firmeza e suavidade (o meu ainda não consegue fazer nem uma coisa nem outra). Busca-se o equilíbrio, a consciência de todos os cantos do corpo, estar presente, a harmonia de fragmentos de movimentos para compor o todo. E medita-se na consciência do impermanente.

O que pode parecer uma coreografia é, na verdade, uma sequência de movimentos naturais. Gestos conscientes, “habitar o próprio corpo“, segundo a Carline.

Alargar os espaços no corpo, na mente e na alma.

Abrir-se para a troca.

Xícara vazia.

Há uma passagem entre o final da aula e colocar os pés na avenida movimentada. Nesse intervalo, tomamos um chá. Além do chá, há o encontro, o cuidado em receber, ensinar, aprender, trocar, o preparo do ambiente, a atenção em estar presente, em desfrutar o momento. O sentimento da cerimônia do chá.

E a Carline, assim como eu, adora chá. Me apresenta novos sabores, e a conversa vai… e acaba que eu ganhei sachês de uma marca orgânica nacional chamada Tribal Brasil, que eu estava louca para experimentar depois de ter visto  algumas latinhas no balcão do Kebabel. A base é feita de erva mate (oficialmente, não é chá “de verdade”, apesar de ser o que mais tomamos no Brasil), e tem misturas interessantes.

gostei mais do lemon ginger, que tomamos juntas depois da aula: gengibre tem tudo a ver com friozinho; ganhei um sachê de vanilla peach para tomar em casa, mas ainda acho estranho a mistura com erva mate torrada (sou um pouco purista no quesito erva mate… ainda!)

OBS: não coloquei comentários sobre modo de preparo etc. porque estou na minha semana freestyle