quando o céu e o mar se confundem

 

 

 

 

 

 

 

o sonho de transformar uma casa de pescador em cabana de chá

 

 

 

 

 

 

 

o primeiro earl grey do ano na Casa do Lado,  Porto Belo (SC)


 

 

 

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Foi lendo um post sobre a degustação do Earl Grey da Wilkin & Sons no blog da Yuri Hayashi – Chá, Arte e Vida – e concordando com sua opinião sobre o fato de o sabor do chá não ter a bergamota tão presente (ela aparece principalmente no aroma), que resolvi fazer um teste… Como eu tinha uma caixa do mesmo chá e exatamente da mesma marca completamente encostado (porque eu sinceramente não tinha gostado do chá, ou pelo menos não assimilava o seu sabor como o de um bom earl grey, que é um dos meus favoritos), decidi “gastar” alguns saquinhos preparando chá gelado.

A minha experiência em preparar chás que gosto muito e deixá-los gelar nem sempre é das mais bem sucedidas. Já fiz isso com o Casablanca, da Mariage Frères, mas achei que, ao deixar a bebida gelando, o gosto do hortelã ficou forte e o chá perfumado demais. Foi uma decepção!

(vou tentar de novo, quem sabe eu mudo de ideia)

Preparei o chá em duas etapas para render um litro. E deu supercerto. Da primeira vez, eu deixei 2 saquinhos em cerca de 0,5 litro de água recém-fervida durante 3 minutos. Para a segunda leva, coloquei a mesma quantidade de água (na mesma temperatura) e deixei a infusão até atingir a mesma cor (esta da foto) do chá anteriormente preparado. Para garantir que todo mundo bebesse do mesmo chá, com o mesmo sabor, juntei todo o líquido em uma jarra maior, de 1 litro, e coloquei no freezer por algum tempo.

O resultado foi surpreendente: bem melhor gelado do que o mesmo chá quente. Como já havia observado a Yuri em seu post (e eu também das vezes em que fiz o mesmo chá), o sabor da bergamota é quase imperceptível. Quando tomamos o mesmo chá gelado, no entanto, é exatamente esse quase imperceptível é que dá uma graça ao que poderia ser um chá preto comum.

O experimento com o earl grey aconteceu no final de semana. Como estou de mudança, resolvi reunir algumas amigas em casa para receber uma energia extra para me dar força para encaixotar as coisas. O domingo estava quente e achei que um chá gelado cairia muito bem… É claro que degustamos alguns quentes também e todos foram aprovados. Prometo contar tudo nos próximos posts.

O que fica desta experiência, além de agradar o paladar das amigas (e o meu) e aprender a aproveitar um chá que eu não tinha gostado tanto (e que estava morrendo de pena de deixá-lo estragar ou simplesmente jogar o pacote fora), foi estabelecer uma troca com outro blog cujo tema principal é chá. Como são muito raros os que fazem isso com seriedade, me senti muito cúmplice da Yuri nesta experiência.

Espero trocar mais figurinhas com estas e outras companheiras de xícara.

Yuri, muito obrigada pela inspiração!

Fla, Isa e eu (e Elaine por trás da câmera)

A semana passou com muitos compromissos sociais noturnos e o kikks’ delivery service entrou em ação, se preparando para as visitinhas saborosas.

Na terça-feira, o hortelã que eu tinha comprado foi fervido logo cedo e, além da jarra de 1 litro, preencheu forminhas de gelo para que tudo chegasse fresco ao jantar na casa da Lili e do Dudu.

A dica de preencher as formas de gelo com chá veio da Inés Berton, que também sugere colocar folhinhas pelo caráter decorativo (eu, infelizmente esqueci dessa recomendação – fervi o maço inteiro de hortelã – o que nem foi tão ruim assim, já que tive que usar uma térmica para conservar o frescor no transporte da bebida pronta).

Parece uma dica muito óbvia, mas durante os dias que passei em Tóquio de férias, em pleno verão, eu ficava maravilhada com o café gelado que nunca perdia seu sabor mesmo quando o “gelo” com o qual ele era servido derretia. Portanto, se vc quiser servir uma bebida gelada sem que ela fique aguada, use este suporte.

Um detalhe que faz TODA a diferença.

E foi ótimo ter chegado com o chá de hortelã gelado para “abrir os trabalhos” na casa da Lili, acompanhando as entradas (que incluiu aquele petisco de peixinho frito, bem japa). Começamos suavemente uma soirée que depois ficou mais hard core (e muito mais divertida, diga-se de passagem) com a sopa coreana (apimentadíssima e deliciosa) feita pelo Dudu, a infinidade de cervejas que degustamos e  a sobremesa feita pela Claire (mousse de chocolate consistente).

Encerramos a noite também com chá: desta vez, um de folhas de amora, preparado pelo Dudu, que ficou de me passar mais informações para eu postar aqui (porque ninguém merce fazer apuração depois das duas da manhã).

*

48 horas depois, recomecei a comilança no melhor estilo chá da tarde (à noite) na casa da Isa. Como boa conhecedora dos endereços de coisinhas e comidinhas (já falei aqui do seu blog My Kinf of Town), ela nos recebeu (eu, Flavia e Elaine) com uma mesa impecável em todos os sentidos.

Eu nem mexi no kikks’ delivery service porque a Isa tinha uma infinidade de chás ingleses de saquinho (recomendo: Afternon Blend, da Harrods, composto por 80% Darjeeling and 20% Assam, e o Earl Grey descafeinado, da Twinings, perfeito para se tomar à noite) que vêm em lindas latas.

A Isa é uma daquelas amigas com quem eu não tenho muito contato (a Elaine também, tínhamos nos visto apenas uma vez antes desse encontro, sem falar nos e-mails trocados, mas daí é outra história…mas com quem tenho grande afinidade), mas que demanda ZERO esforço para colocar o papo em dia. Ela é o tipo de pessoa que faz tudo com muito capricho, ela ama dessa maneira, recebe os amigos dessa maneira, trabalha dessa maneira, arruma a casa dessa maneira e aposto que até quando surta, ela faz de um jeito caprichado. Fazia anos que não nos encontrávamos e gostei de saber que a Isa agora tem como missão na vida ser feliz. Como ela faz as coisas na vida sempre desse jeito, acho que ela é uma das pessoas que eu conheço que mais curte a vida.

E descobri algo interessante nesta noite. A Isa coleciona jogos de chá e café!

Como qualquer bom encontro de meninas, passamos bem umas quatro horas falando e rindo sem nos darmos conta de que já era tarde. Tiramos as mesas correndo e eu invadi a cozinha com o kikks’s delivery service. Para nossa “saideira”, abri o rooitea com damasco e bergamota, d’A Loja do Chá, que ganhei de presente da Juliana Vidigal (quem ficou curioso e quiser procurar, o número do chá é o 1566).

Earl Grey

&

English Breakfast

“Chá com açúcar”  foi o nome do evento promovido pela Fundação Japão na semana passada. Corri para fazer a inscrição para a palestra da chef pâtissier Cristina Makibuchi, a criadora da Piquenique, que forcece de doces para A Loja do Chá, Rangetsu of Tokyo e Jun Sakamoto. Acredito que a lista de alguns clientes dispensa mais apresentações.

Foi em Paris que eu comecei a gostar desta história de matchá em sobremesas. No sorvete ou no pão de ló, no macaron… Sem falar nas madeleines de matchá feitas pelo Puri (que me apresentou muitas dessas sobremesas). Íamos juntos  percorrer as mercearias da rue Saint Anne (a Galvão Bueno de Paris) em busca de matchá e outros ingredientes da culinária japonesa para cozinharmos em casa (eu comprei esta latinha na Comercial Gaivota, em Pinheiros).

A tendência de usar chá no preparo de doces começa a se destacar na gastronomia brasileira. Faz um tempo que venho combinando com a fotógrafa Daniela Picoral de dar um pulinho no salão d’A Loja do Chá (ainda não conseguimos nem fazer a nossa degustaçãozinha caseira, mas tudo bem).

Para quem quiser se aventurar mais no mundo dos bolos de chá, a revista Bons Fluidos publicou uma matéria sobre o assunto na edição de julho.

*

Voltamos à palestra, que foi um sucesso. Além de falar sobre algumas técnicas de produção de doces japoneses (como o wagashi, consumido na cerimônia do chá), Cristina falou de seu aprendizado no Japão e em Paris e, generosíssima, levou amostras da Piquenique para o publico: pão de ló de matchá e macaron de castanha com recheio de matchá e leite condensado.

Sabor sutil – não muito doce, do jeito que gosto – e textura extraordinária.

Desde que voltei ao Brasil, há cerca de um ano, foram os doces que mais casaram com meu paladar (foi o melhor macaron made in Brazil que já comi). Ando sonhando com eles nesses dias…

Estou combinando com a Cristina de ir visitar a Piquenique para brincar de harmonização de doces de chá com outros chás. Vamos ver no que vai dar. Em uma rápida conversa, ela já descartou o seu chá preferido – earl grey – que, por ser muito perfumado, pode matar o sabor do doce. Ela até recomendou um matchá bem levinho (vou ter que aprender com a Iweth, amiga que reencontrei na palestra e que estuda a cerimônia do chá há 14 anos).

Prometo contar mais novidades.

Por enquanto, deixo a receita de pão de ló de matchá da Cristina Makibuchi e já de cara repasso 3 de seus segredos:

* usar uma balança para medir todos os ingredientes

* prestar atenção para a massar não passar do ponto (a massar tem que ficar fofinha, se ficar líquida, é sinal de que a farinha soltou glúten e que o bolo vai ficar “solado”)

* não afundar o garfo para ver se ele cozinou, basta dar uma apertadinha na superfície para sentir a consistência

INGREDIENTES

6 ovos

180g de açúcar

240g de farinha peneirada

10g de matchá em pó para confeitaria (mas pode ser o normal, usado para chás)

60g de leite ou água

10g de óleo de cozinha

MODO DE PREPARO

Bater os ovos junto com o açúcar até dobrar de volume. Despejar este “creme” em um vasilhame maior, ir acrescentando a farinha e os líquidos, mexendo com um pão duro, no máximo em 3 vezes. Levar para assar em uma forma retangular forrada com papel manteiga em forno pré-aquecido (200ºC) por aproximadamente 15 minutos. Se for em forma redonda, assar os primeiros 10 minutos em 200ºC e depois baixar para 170ºC por aproximadamente 15 minutos.

Voilà!

O meu bolo deu mais ou menos certo. Tá bom, assumo, deu errado. Ele ficou bonito, mas deixou de cozinhar na parte superior. Eu dei um truque (feio) e coloquei para assar mais 10 minutos a 170ºC porque, quando tirei do forno, ela ainda estava crua. Confesso que dei um truque em vários momentos da receita: deixei a massa passar do ponto, bati os ovos com o açúcar no liquidificador mas não tive paciência até ele o volume dobrar de tamanho. A outra coisa: fiz a receita com leite (também recomendado) e não com água (que eu acho que deixaria o bolo mais leve). Vou tentar ser mais CDF da próxima vez. Ou fazer uma encomenda na Piquenique.

A Loja do Chá: av. Brigadeiro Faria Lima, 2.232, 3° piso (Shopping Iguatemi), tel. (11) 3816-5359 (abre de segunda a sábado, das 10h às 22h e, aos domingos, das 14h às 20h).

Comercial Gaivota: rua Cunha Gago, 359, tel. (11) 3815-2976 (abre de segunda a sexta, das 7h45 às 19h e, aos sábados, das 7h45 ás 18h).

Jun Sakamoto: rua Lisboa, 55, tel. (11) 3088-6019.

Piquenique: rua Arthur de Azevedo, 531, tel. (11) 3061-1679.

Rangetsu of Tokyo: av. Rebouças, 1394, tel. (11) 3085-6915.