banchá

04/08/2010

Começo aqui confessando que foi difícil escolher o assunto do primeiro post desse blog. Então decidi recorrer às origens da minha paixão por chás. Posso dizer que ela começou em 2005, quando uma grande amiga foi dividir apartamento comigo. Ela trouxe na mudança um pote pequeno, simples, com um pouco de banchá que era da avó dela. Geralmente fazíamos o chá à noite, depois de jantar ou tomar um lanche, em uma pequena chaleira de metal que você pode encontrar em qualquer lojinha japonesa . Ela vem com um coador de metal e serve mais ou menos duas pessoas.

Flávia Sakai, eu, a chaleira e o reflexo da Andrea Capella


O banchá é um chá verde feito a partir das folhas da segunda ou terceira colheitas, de cor marrom e sabor torrado. Ele tem um teor menor de cafeína do que os chás verdes em geral e por isso não tira tanto o sono quando tomado à noite.

Mas o mais marcante para mim é a sensação de conforto que ele me proporciona, de reunião de família na casa da vó.

Quando fui morar em Paris, levei um pacote de banchá YAMAMOTOYAMA, este que a vó da Flávia guardava num potinho. A marca é nacional e não chega a ser um chá de ótima qualidade. Mas eu fazia questão de sempre ter este chá com gosto de infância, de conversas repletas de ideias com a Flávia (e Andrea também), um pouco da energia da vó da Flávia, chamada carinhosamente de Ba (batchan é “avó” em japonês). Agora, que voltei ao Brasil, continuo tomando o mesmo chá, que tem hoje a força de tardes geladas de estudo, da dissertação de mestrado, das visitas em volta do meu baú de chás, das conversas com Plinio, Richard, Grazi, Kênya, Paul…

Sei que este chá vai me acompanhar por toda a vida, em outros momentos, com novas lembranças.

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