cerimônia móvel

11/04/2011

Conecte. Conspire. Crie.

Essa é a proposta do Momentarium, projeto do artista suíço Markuz Wernli Saito.

O cara montou uma proposta de cerimônia do chá versão “pocket size” em plena estação de Kyoto. Ele desenrolou um pequeno tapete em um canto da estação, vestiu um colete fluorescente em que estava escrito “irasshaimase” (= “Seja bem-vindo”) e convidava as pessoas a se sentarem para degustar um chazinho com ele.  Esta performance, que recebeu o nome de “mobile tea party“, integra um projeto maior chamado “At your Service, Creative Treatments for the Urban Public”.

Mais detalhes sobre essa instalação pode ser vista aqui.

Nada mal um servicinho desse em alguma estação de  metrô em São Paulo…!

Embora não existam muitos comentários por aqui, muita gente falou sobre o post do matcháLatte no escritório. No meio das perguntas, a que mais me chamou atenção foi “e quem não tem a maquininha, como faz?“. Eu fiquei tão curiosa que  fui pesquisar e me deparei com este videozinho no youtube. Também me permiti sair da toca nesse feriado preguiçoso só para comprar uma caixinha de leite. Além da temperatura-casaquinho ser uma boa desculpa para o matcháLatte, queria um momento comemoração mesmo: depois de muitos meses, abri os olhos de manhã e me senti acordando no meu ninho, completamente confortável com o frio, a luz da manhã entrando na janela, um espaço sem malas e tudo no seu lugar sem esforço. Como queria o matcháLatte para o fim da tarde, optei pelo método prático e rápido sem me importar com a “falta de cerimônia”. Este blog também é serviço e não ligo a mínima de ter posts praticamente repetidos um em seguida do outro.

A espontaneidade nasce como blog, a celebração do instante, ichigo ichie.

Não quero me esquecer mais dessa manhã, desse fim de tarde, desse dia.

*

Para fazer o mactháLatte, você vai precisar de:

1/5 de água mineral

4/5 de leite semidesnatado

1 colher de chá de matchá

1 caneca

1 mini shaker a pilha

 

Modo de preparo:

Aqueça a água por 10 segundos em microondas e despeje na caneca. Em seguida, aqueça o leite durante 20 segundos também no microondas.

Despeje o matchá na caneca e misture com o mini shaker até obter uma mistura homogênea.

Acrescente metade do late e continue a misturar com o mini shaker. Se for do seu gosto, acrescente um pouco de açúcar nesta etapa do processo.

Complete com o restante do leite e posicione o shaker próximo à superfície, para fazer a espuminha. A espuma não dura tanto tempo quanto a de máquina, mas o uso do shaker é indicado para que o pó se dilua bem e não se acumule no fundo do recipiente. Ele cumpre o papel do chasen, aquele utensíliode bambu utilizado na cerimônia do chá tradicional.

*

Heresia?!?!

Poderia discutir isso exaustivamente, mas deixo apenas a possibilidade de fazer uma bebida gostosa em qualquer lugar do mundo que tenha água, leite e microondas (dá para acomodar a lata de matchá e o mini shaker em qualquer bolsa).

*

Sobre a marca de matchá utilizada, deixo todas as indicações aqui.

Essa simpática latinha de Hagoromo tem me acompanhado para todos os cantos. Quero terminá-la logo para poder testar outras marcas. Importada pela Tradbras, pode ser encontrada em qualquer empório japonês e custa cerca de R$ 15,00. Mais informações aqui no rótulo:

Fazia tempo que eu estava obcecada por um matchaLatte. Primeiro porque estava muito quente – e eu tenho deliciosas lembranças de uma bebida do Cafe Doutor (Tokyo) que misturava uma espécie de sorvete de creme com chá verde – suspiro só de lembrar.  Daí eu começo a conviver com uma máquina de café (e carpete e elevadores, crachá e prédio, mas isso é apenas mero detalhe perto das pessoas com quem tenho trabalhado, da causa inspiradora da Childhood, das trocas que se estabelecem lá em diversos sentidos e a sensação de voltar para casa preenchida e, ao mesmo tempo, com muitos espaços a serem ocupados).

Mais do que conviver com uma máquina de café (+ café com leite, capuccino etc., e que me lembra a fase estudante em que uma moeda de 50 centavos de Euro e uma máquina dessas eram sinônimos de “esquentar a alma”), eu passei a alucinar nesta semana com o leite da máquina, em pó e doce (há a opção sem açúcar, mas eu adoro ele docinho), e que passou a ser o charme do meu chá preto da manhã.

Só que ontem, ainda (e felizmente) obcecada pelo matchaLatte, pensei: “e se no lugar do chá preto, eu acrescentasse uma colher de chá…”

“… ou melhor, duas colheres de chá de matcha…”

“… e misturasse a espuma à espuma…”


“… sim, um matchaLatte às nove da manhã!!!”

oK, confesso, não foi o melhor matcha latte que eu tomei na vida, mas fiquei orgulhosa de cavar esta cerimônia para iniciar os trabalhos de uma quinta-feira que tinha tudo para ser um dia cheio e fatigante e se transformou em energia inspiradora para este finzinho de semana. Acho que o espírito da cerimônia do chá também é este: abrir os sentidos para o que o mundo te oferece, trocar experiências com as pessoas e guardar este dia para sempre no “aquário das minhas memórias” (parafraseando um dos meus trechos preferidos de Haruki Murakami).

E hoje a temperatura da água não fez a mínima diferença (mesmo a que chega na térmica e tem abençoado as minhas manhãs), nem o copo de plástico, a pazinha de plástico, o leite em pó, o excesso de açúcar (da próxima vez eu vou apertar o botão “S/ AÇÚCAR”), nem a paisagem do excesso de prédios a minha frente.

Minha cerimônia me deixou preparada para a bateria de reuniões, troca e aprendizado.

*

Se você se inspirou a “abrir os trabalhos” com um chá no escritório, adote algumas dicas:

* o estilo free-style é sempre bem-vindo (vale para temperatura da água, quantidade de chá, utensílios – copos, xícaras e caneca), abandone o preciosismo;

* opte pelo chá de saquinho (é bem mais prático), mas se quiser arriscar um matchaLatte (para quem tem acesso fácil a leite espumoso), sua preparação não dá nenhum trabalho e não faz muita sujeira – a única coisa que você terá que fazer depois é lavar a colher (use a mesma para colocar o matchá e mexer a bebida);

* a medida para o matchaLatte de escritório é duas colheres bem rasas de chá para um copinho de cerca de 100ml de leite;

* se você não gosta de bebidas doce, escolha a opção “S/ AÇÚCAR” na máquina, sem a menor cerimônia;

* se você gosta da bebida doce – eu vou nas duas opções – pode deixar o leite docinho, mas MEXA MUITO BEM – além de deixar a bebida em uma espuma homogênea, você vai evitar que o começo seja muito doce e o final muito amargo (atenção com a parte mais funda que faz a borda da base no copinho – é lá que o matchá costuma se acumular);

* cave uma bolha no mundo para fazer isso – faço muito mais a linha 15 minutos de pausa do que um chá mal tomado. Eu particularmente não acho legal ficar  afundando o saquinho umas 30 vezes em direção ao fundo da xícara (se for freneticamente, nem pensar) e jorrar umas gotas de adoçante lá dentro. E não ligo se me chamarem de chata, Inés Berton, uma das 11 tea noses no mundo, acha uma falta de respeito quem aperta e enforca os saquinhos de chá com a colher.

(e por falar em Inés Berton, alguns de seus blends compõem a linha Chamana, com chás tão deliciosos – e em saquinho – que são capazes de transportar qualquer mortal para uma realidade paralela)

Esta esteirinha já virou um clássico das fotos do blog. Ela forra um pedaço do meu escritório, que é o canto zen da casa. É o lugar de ficar sem sapato, de tirar um cochilo, dar água nas plantas, ler sossegada e tomar um chazinho também. Por isso muitas das fotos são feitas no mesmo lugar (o que mudam são os chás).

Dois achados no final de semana me encorajaram a preparar um matchá em dose dupla. Começamos o passeio do sábado fuçando nas barraquinhas da feira Benedito Calixto. Quando me dei conta, estava procurando por bules antigos (é bem difícil achar um bule bonito e solitário – os mais bonitos são vendidos nos jogos de chá completos) e continuamos o passeio pelos antiquários da Cardeal Arcoverde. Encontramos duas latas antigas, uma cheia de canela e outra de saquinhos de planta medicinal no antiquário da Edna, que rende um post à parte (ela tem bules lindos e eu já combinei de ir até lá fotografá-los e tomar um chá com ela e seu filho Miguel). Fiquei viajando nas latas como se estivesse em um mercadinho de chás de outros séculos.

Depois, voltando para casa, passamos na Japonique (é praticamente obrigatório passar lá sempre que estamos andando a pé pelo bairro) e finalmente saí de lá com o tão recomendado (pela Jana, a dona da loja) “bolinho chinês delicioso” principalmente para acompanhar chás deliciosos.Os bolos são feitos de uma massinha branca que tem a textura de uma massa de feijão, mas com um aroma diferenciado, bem perfumado – flor-de-lótus! Ele tem mais ou menos o estilo de um wagashi (nome do doce servido na cerimônia do chá). O nome da marca é JINXUANBAO, de Hong Kong, e cada unidade sai por R$ 6,50.

Pesquisa vai, pesquisa vem, descobri que ele se chama MOON CAKE, um bolo tradicional chinês que é dado de presente a amigos e familiares na época do Festival do Meio do Outono (um dos mais importantes da China). Ele faz parte do ritual de observar a lua… o recheio dos bolinhos é uma massa de semente de lótus e eles devem ser bebidos com chá chineses.

Sem nenhum chá chinês em casa e seguindo os conselhos da Jana (porque o bolinho tem uma textura parecida à do wagashi), me aventurei a prepar matchá para duas pessoas. Nunca tinha feito isso fora de uma cerimônia do chá tradicional e fiquei meio encabulada de me aventurar pelo matchá para beber sem o utensílio que faz espuma.

Deu certo e a combinação matchá-bolinho de lótus ficou extraordinária!

* TEMPERATURA DA ÁGUA: de 80 °C  * MEDIDA: 1/2 colher de chá para 8 colheres de sopa de água * TEMPO DE INFUSÃO: não tem (mexer até dissolver) *

“Chá com açúcar”  foi o nome do evento promovido pela Fundação Japão na semana passada. Corri para fazer a inscrição para a palestra da chef pâtissier Cristina Makibuchi, a criadora da Piquenique, que forcece de doces para A Loja do Chá, Rangetsu of Tokyo e Jun Sakamoto. Acredito que a lista de alguns clientes dispensa mais apresentações.

Foi em Paris que eu comecei a gostar desta história de matchá em sobremesas. No sorvete ou no pão de ló, no macaron… Sem falar nas madeleines de matchá feitas pelo Puri (que me apresentou muitas dessas sobremesas). Íamos juntos  percorrer as mercearias da rue Saint Anne (a Galvão Bueno de Paris) em busca de matchá e outros ingredientes da culinária japonesa para cozinharmos em casa (eu comprei esta latinha na Comercial Gaivota, em Pinheiros).

A tendência de usar chá no preparo de doces começa a se destacar na gastronomia brasileira. Faz um tempo que venho combinando com a fotógrafa Daniela Picoral de dar um pulinho no salão d’A Loja do Chá (ainda não conseguimos nem fazer a nossa degustaçãozinha caseira, mas tudo bem).

Para quem quiser se aventurar mais no mundo dos bolos de chá, a revista Bons Fluidos publicou uma matéria sobre o assunto na edição de julho.

*

Voltamos à palestra, que foi um sucesso. Além de falar sobre algumas técnicas de produção de doces japoneses (como o wagashi, consumido na cerimônia do chá), Cristina falou de seu aprendizado no Japão e em Paris e, generosíssima, levou amostras da Piquenique para o publico: pão de ló de matchá e macaron de castanha com recheio de matchá e leite condensado.

Sabor sutil – não muito doce, do jeito que gosto – e textura extraordinária.

Desde que voltei ao Brasil, há cerca de um ano, foram os doces que mais casaram com meu paladar (foi o melhor macaron made in Brazil que já comi). Ando sonhando com eles nesses dias…

Estou combinando com a Cristina de ir visitar a Piquenique para brincar de harmonização de doces de chá com outros chás. Vamos ver no que vai dar. Em uma rápida conversa, ela já descartou o seu chá preferido – earl grey – que, por ser muito perfumado, pode matar o sabor do doce. Ela até recomendou um matchá bem levinho (vou ter que aprender com a Iweth, amiga que reencontrei na palestra e que estuda a cerimônia do chá há 14 anos).

Prometo contar mais novidades.

Por enquanto, deixo a receita de pão de ló de matchá da Cristina Makibuchi e já de cara repasso 3 de seus segredos:

* usar uma balança para medir todos os ingredientes

* prestar atenção para a massar não passar do ponto (a massar tem que ficar fofinha, se ficar líquida, é sinal de que a farinha soltou glúten e que o bolo vai ficar “solado”)

* não afundar o garfo para ver se ele cozinou, basta dar uma apertadinha na superfície para sentir a consistência

INGREDIENTES

6 ovos

180g de açúcar

240g de farinha peneirada

10g de matchá em pó para confeitaria (mas pode ser o normal, usado para chás)

60g de leite ou água

10g de óleo de cozinha

MODO DE PREPARO

Bater os ovos junto com o açúcar até dobrar de volume. Despejar este “creme” em um vasilhame maior, ir acrescentando a farinha e os líquidos, mexendo com um pão duro, no máximo em 3 vezes. Levar para assar em uma forma retangular forrada com papel manteiga em forno pré-aquecido (200ºC) por aproximadamente 15 minutos. Se for em forma redonda, assar os primeiros 10 minutos em 200ºC e depois baixar para 170ºC por aproximadamente 15 minutos.

Voilà!

O meu bolo deu mais ou menos certo. Tá bom, assumo, deu errado. Ele ficou bonito, mas deixou de cozinhar na parte superior. Eu dei um truque (feio) e coloquei para assar mais 10 minutos a 170ºC porque, quando tirei do forno, ela ainda estava crua. Confesso que dei um truque em vários momentos da receita: deixei a massa passar do ponto, bati os ovos com o açúcar no liquidificador mas não tive paciência até ele o volume dobrar de tamanho. A outra coisa: fiz a receita com leite (também recomendado) e não com água (que eu acho que deixaria o bolo mais leve). Vou tentar ser mais CDF da próxima vez. Ou fazer uma encomenda na Piquenique.

A Loja do Chá: av. Brigadeiro Faria Lima, 2.232, 3° piso (Shopping Iguatemi), tel. (11) 3816-5359 (abre de segunda a sábado, das 10h às 22h e, aos domingos, das 14h às 20h).

Comercial Gaivota: rua Cunha Gago, 359, tel. (11) 3815-2976 (abre de segunda a sexta, das 7h45 às 19h e, aos sábados, das 7h45 ás 18h).

Jun Sakamoto: rua Lisboa, 55, tel. (11) 3088-6019.

Piquenique: rua Arthur de Azevedo, 531, tel. (11) 3061-1679.

Rangetsu of Tokyo: av. Rebouças, 1394, tel. (11) 3085-6915.

viajando por oceanos com pão de ló de matchá e english breakfast. para ir até o Japão em um dia nublado: caminhada com Puri e Kênya pela rue Saint Anne em busca de uma latinha com pó verde… e segurar uma xícara quente para dar impulso a sonhos