Embora não existam muitos comentários por aqui, muita gente falou sobre o post do matcháLatte no escritório. No meio das perguntas, a que mais me chamou atenção foi “e quem não tem a maquininha, como faz?“. Eu fiquei tão curiosa que  fui pesquisar e me deparei com este videozinho no youtube. Também me permiti sair da toca nesse feriado preguiçoso só para comprar uma caixinha de leite. Além da temperatura-casaquinho ser uma boa desculpa para o matcháLatte, queria um momento comemoração mesmo: depois de muitos meses, abri os olhos de manhã e me senti acordando no meu ninho, completamente confortável com o frio, a luz da manhã entrando na janela, um espaço sem malas e tudo no seu lugar sem esforço. Como queria o matcháLatte para o fim da tarde, optei pelo método prático e rápido sem me importar com a “falta de cerimônia”. Este blog também é serviço e não ligo a mínima de ter posts praticamente repetidos um em seguida do outro.

A espontaneidade nasce como blog, a celebração do instante, ichigo ichie.

Não quero me esquecer mais dessa manhã, desse fim de tarde, desse dia.

*

Para fazer o mactháLatte, você vai precisar de:

1/5 de água mineral

4/5 de leite semidesnatado

1 colher de chá de matchá

1 caneca

1 mini shaker a pilha

 

Modo de preparo:

Aqueça a água por 10 segundos em microondas e despeje na caneca. Em seguida, aqueça o leite durante 20 segundos também no microondas.

Despeje o matchá na caneca e misture com o mini shaker até obter uma mistura homogênea.

Acrescente metade do late e continue a misturar com o mini shaker. Se for do seu gosto, acrescente um pouco de açúcar nesta etapa do processo.

Complete com o restante do leite e posicione o shaker próximo à superfície, para fazer a espuminha. A espuma não dura tanto tempo quanto a de máquina, mas o uso do shaker é indicado para que o pó se dilua bem e não se acumule no fundo do recipiente. Ele cumpre o papel do chasen, aquele utensíliode bambu utilizado na cerimônia do chá tradicional.

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Heresia?!?!

Poderia discutir isso exaustivamente, mas deixo apenas a possibilidade de fazer uma bebida gostosa em qualquer lugar do mundo que tenha água, leite e microondas (dá para acomodar a lata de matchá e o mini shaker em qualquer bolsa).

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Sobre a marca de matchá utilizada, deixo todas as indicações aqui.

Essa simpática latinha de Hagoromo tem me acompanhado para todos os cantos. Quero terminá-la logo para poder testar outras marcas. Importada pela Tradbras, pode ser encontrada em qualquer empório japonês e custa cerca de R$ 15,00. Mais informações aqui no rótulo:

Apesar de já ter lavado algumas cuias e bombas na minha vida (todo mundo que já conviveu ou namorou com gaúchos sabe bem do que estou falando), eu nunca fui chegada em chimarrão. Sempre achei o mate de um amargor danado. Mas, na sexta-feira, ele entrou para a minha vida de uma maneira quase espontânea depois da aula de yoga – e apresentado por uma… catarinense, a Carline (vejam o post sobre nossa cerimônia no blog dela – você vai notar que muitas fotos são repetidas mesmo; elas foram feitas – com qualidade – pela Carline, já que as minhas, de celular, não deram muito conta do recado). Eu gostei da experiência.

Além de aprender a saborear (acho que a “abertura do paladar” para mais sabores de chás me ajudou na apreciação), descobri várias coisas sobre o preparo do chimarrão, que é um lindo ritual. A primeira delas é que é preciso purificar a cuia, jogando água fervente dentro dela e deixando por alguns instantes (uns dois minutos). Depois de jogar a água fora, tem quem coloque um pouco de água fria dentro da cuia para baixar sua temperatura – assim, a erva-mate (para quem quiser pesquisar mais, o nome científico da planta é llex paraguariensis) não fica queimada, o que pode alterar seu sabor. Há toda uma maneira de depositar a erva dentro da cuia, que permanece levemente inclinada para que a montinho de ervas fique na diagonal – como aparece ilustrado na embalagem do “Chimarrão dos Pampas”, da marca Leão:

Só então podemos acomodar a bomba, que dá uma segurada na diagonal (eu adorei esta parte, embora não testei ainda se consigo deixar tudo equilibrado assim). Antes que me perguntem, a quantidade de erva colocada depende do tamanho da cuia… desde que se mantenha a diagonal!!!

Bom, depois de toda essa preparação (que ainda inclui uma térmica com água a 75 graus), a parte 2 do ritual é iniciada pelo anfitrião/dono da cuia  (‘anfitrião” é bem modo de dizer mesmo, uma vez que o chimarrão não é necessariamente tomado sempre dentro da casa de alguém, pode acontecer em locais públicos, como na praia por exemplo – podemos pensar no uso da palavra “anfitrião” remetendo ao ato de proporcionar à experiência ao grupo). O anfitrião – no caso, a Carline, coloca a água no espaço que está vazio da cuia até que ela fique toda preenchida com água quente. Uma pessoa viciada em cerimônia do chá japonesa poderia achar que isso é uma certa falta de educação. Béeeeeee – julgamento errado. Carline me explicou que isso acontece para testar se a temperatura da água está boa. Como não foi o caso neste dia, abrimos um pouco a térmica para deixar a água esfriar, Carline tomou seu chimarrão pelando e, assim que terminou, completou novamente a cuia com água quente e a ofereceu para mim. Fiquei com os lábios levemente adormecidos, mas não queimados, afinal, a bomba é de metal. Depois, a água foi esfriando e eu já estava conseguindo curtir a bebedeira.

Achei bem legal o aprendizado do “ouvir” enquanto se bebe o chimarrão. A fala da Carline explica:

Sendo a cuia comunitária, é um verdadeiro ritual de servir e ser servido, de falar e ouvir. Enquanto uma degusta a bebida quentinha, a outra pessoa partilha os sentimentos.

Outro ponto que gostei muito: a pessoa que acabou de beber (pode, sim, fazer barulho quando se chupa pela bomba e a água está acabando) pergunta para a seguinte se ela quer continuar a roda. Se a resposta for positiva, ela preenche a cuia com mais água e a oferece ao próximo com a bomba na direção certa para que ele tome o chimarrão… E assim se segue até o final da água (e reposição), do frio, do papo.

Mais fotos (da Carline, granulada pelo meu celular). Prestem atenção na última foto: quandocheguei ao finalzinho da minha primeira rodada, bebi um pouco de erva que subiu pela bomba. Recorremos ao filtro de bomba, uma delicadeza…

Verão para mim tem gosto de xarope de grenadine.  Me faz pensar no ano de 2003, quando nem sonhava em morar em Paris, em que o Puri fez um drink de limonada com xarope de grenadine em algum final de tarde na varanda. Depois, quando fui ser vizinha dele, lembro que, tão logo começava a esquentar, eu começava a abastecer minha minúscula estante de comidas com uma lata de xarope de grenadine e meu frigogar com limonada gasosa com pouco açúcar (que também serve para preparar panaché, um drink com chope e limonada que eu adoro – usar Sprite não é a mesma coisa – de novo, temos muito açúcar arranhando a garganta).

Então eu fiquei realmente maravilhada quando abri o cardápio do N’o Café em encontrinho balanço de fim de ano com Dri e Mari (como a Mari está morando em Porto Velho, sempre que ela pisa em São Paulo, a gente vai dar uma volta na Vila Madalena para fazer qualquer coisa – comer empanada com sangria, cortar cabelo e até mesmo ir na manicure) e vi um chá gelado de chá verde com xarope de grenadine (e xarope de pêssego também, mas esse acho absolutamente dispensável, assim como a quantidade exagerada de xarope que colocaram, quase matando o sabor do chá verde e deixando tudo muito doce).

Tão logo fiz meu pedido feliz da vida (é uma ótima opção de drink para ser tomado antes do almoço se você não está a fim de tomar um cafezinho ou suco – e tem um preco bacana, R$ 6,30), a Dri me perguntou o que era grenadine… Me deu um branco absurdo porque, como nunca comi a fruta aqui no Brasil (e de onde vêm as sementes para as simpatias de ano novo?), eu não sabia que se tratava de romã (obrigada, Mari).

Se você é tão jeca da cidade quanto eu, deixo uma linda foto retirada do site the kitchn para você saber qual é a cara da fruta. Se você quiser preparar a bebida, em casa, acho que não tem muito segredo, né. Basta fazer um chá verde, deixá-lo esfriar e gelar um pouco e, na hora de servir, jogar um pouco de xarope de grenadine no fundo do copo (bem menos que um dedo) antes do chá. Ah, canudo é essencial para dar aquela mexidinha (sem contar o charme). Acredito que o pessoal do N’o Café bateu tudo no liquidificador, pois ele veio com uma espuminha em cima (eu, sinceramente, não faço questão). Se seu paladar aceita doces muito doces, acho que vale a pena tentar fazer a mistura com groselha.

Para saber mais sobre o N’o Café, leia este post aqui.

Apesar de ter finalizado a maior parte dos meus trabalhos, a semana foi corrida – fiquei meio barata tonta em meio a tantos afazeres. Ontem não foi diferente, mas tentei deixar o tempo fazer o seu tempo.

Depois de ter acordado cedo e feito trajetos inusitados que cruzaram SP de ponta a ponta, fui parar na Liberdade. Já tinha combinado de almoçar com amigos de faculdade (Xavier, Puri e Ce) perto do Bunkyo, mas decidi ir mais cedo porque eu queria conhecer o Kohii Café e Cultura no subsolo do prédio do Nippak na rua da Glória. Sentei lá para esperar pelo Puri e seguirmos juntos para a esquina da São Joaquim com a Galvão Bueno.

A grande alegria foi, depois do entra-e-sai por algumas mercearias embaixo de sol e mais de 30 graus (e eu desesperada porque meu leque estava perdido pela minha bolsa), finalmente achei um subsolo, um ventilador, uma certa calmaria e um chá gelado SEM ADOÇANTE (rápido comentário: eu adoro chá gelado doce, mas confesso que tem minha garganta anda meio amarrada com essa onda de chá industrializado com aspartame).

Eu simplesmente AMO mugicha, principalmente no verão. Aprendi a tomar com a minha prima Cris, que morou no Japão por um tempo. Quando ela voltou para São Paulo, deu uns saquinhos para minha mãe, que me deu alguns que eu preparava em dias quentes. Fiquei um tempo sem tomar até colocar meus pés em Tokyo no verão mais quente e úmido da minha vida. Eu logo comprei um pacotão de mugicha no supermercado e havia uma jarra que se alternava entre ele e chá verde na geladeira. Era assim todos os dias.

(sem contar nas paradas “obrigatórias” nas máquinas de bebida no meio da rua, onde a gente se abastecia de chá gelado)

Outra coisa bacana que me liga ao mugicha (e Tokyo) é ter sido recebida com esta bebida na casa ou estabelecimento das pessoas. Foi assim na Mizuma Art Gallery, em Nakameguro, onde bati na porta depois de passar um tempo perdida no labirinto de ruas das redondezas. E foi tomando um mugicha geladíssimo que folheei aquele livrão do Makoto Aida. O mesmo aconteceu quando entrei na casa da família Kobayashi, onde meu avô nasceu, em Ishioka. Minha tia avó apareceu com uma bandejinha com mugicha em copo transpirando, acompanhado de bolachinhas aeradas meio salgadas meio adocicadas.

A sensação instantânea é de que te arrancaram de uma sauna a vapor para te colocar sentada em uma nuvem fresquinha, de frente para um ventilador ligado em potência média.

Fiquei tão apaixonada que saí de Tokyo não apenas com os pacotes de mugicha na mala, mas também com uma jarra super prática que comprei na Muji (uma das minhas lojas-fetiche). Ela tem uma peneira de plástico para acomodar o saquinho de chá, que pode ser retirada quando a bebida ficar do seu gosto, e também pode ser acomodada de pé ou deitada para não ocupar muito espaço da geladeira.

Esta jarra é a de 2 litros (a minha é um pouco menorzinha). Obviamente, você não vai precisar exatamente dela para preparar a bebida, qualquer jarra serve.

O MODO DE PREPARO é muito simples. Você joga um saquinho em uma jarra com 1 litro de água, guarda na geladeira e esquece disso por algumas horas. Não sei dizer quantas horas (mas prometo prestar atenção da próxima vez que fizer para descrever aqui), porque geralmente eu avanço na bebida tão logo ela fica gelada e pega cor. Se está fraca demais, eu deixo mais um pouco e, se está forte demais para o meu gosto, acrescento cubos de gelo (feitos de água) para diluir o sabor.

Como eu não leio japonês, não sei o nome das marcas que compro (geralmente, é uma dessas duas). É fácil de encontrar em qualquer mercearia no bairro da Liberdade (se você não mora em São Paulo, mas tem alguma lojinha com produtos japoneses por perto, é provável que você encontre uma das marcas). Para ter certeza de que está comprando a coisa certa, procure na etiqueta sobre o produto algo como “CHÁ DE CEVADA”. Como você pode ver pela cor, é um chá tostado.

Se tiver com preguiça de passar por todo este processo, vá para o Kohii. Acredito que seja um dos poucos lugares em São Paulo que servem mugicha. Depois aproveite para me contar se a comida de lá é boa (eu não provei nada porque estava guardando meu apetite para o almoço, mas fiquei com um pouco de pé atrás com um cardápio brazuca-japa com ingredientes da cozinha francesa). Apesar de o ambiente ter uma decoração que me deixou um pouco esquizofrênica, ainda assim temos mesas amplas, sofá confortável, revistas japas, ventilador e  mugicha para escapar da muvuca.

KOHII: rua da Glória, 326 (subsolo), tel. (11) 3203-0624.

Tudo começou com a Jana, da Japonique, me dando dois tabletinhos de Pu Erh que a mãe dela trouxe da China. Achei a embalagem tão linda que deixei um bom tempo de enfeite junto com outros achados (o bulinho é inglês, foi a fève da galette des rois de algum janeiro que passei em Paris) na minha ex-estante de chás, esperando por alguma ocasião especial (como a estreia do jogo de chá que ganhei de uma prima e me esperava na casa da minha mãe).

Essa história de ocasião especial dá pano para manga. Dia desses, por conta de um triste episódio, me dei conta que há coisas que ficam guardadas para serem usadas ou degustadas em “momentos especiais” e, às vezes, os momentos não acontecem ou não são reconhecidos como tais…

Tão logo recebi uma visita por acaso do Puri e da Grazi no apartamento onde até então eu estava morando que resolvi abrir o chá depois do almoço, assim, como se estivesse passando um cafezinho. Meu último encontro com eles tinha acontecido há mais de um ano, em Paris, quando a Grazi (que, na época, morava em Praga) foi nos visitar para me dar força na minha despedida da cidade e arrumação de caixas para partir para São Paulo.

Os três juntos em São Paulo é uma ocasião e tanto, não?

Grande parêntese aqui para falar sobre o Pu Erh: ele é um chá pós-fermentado, ou seja, envelhecido como um vinho (alguns tipos têm sido fermentados há até  50 anos, embora a maioria tenha entre 1 e 4 anos) e conservado em forma de tijolinhos ou até mesmo de grandes bolos prensados (há um modo de separar as folhas grudadinhas para não quebrá-las – uma das técnicas de como fazer isso pode ser vista neste link do youtube).

Alguns o classificam erroneamente como chá preto, mas ele é simplesmente Pu Erh, que tem como origem do nome uma vila na província chinesa de Yunnan conhecida como um importante centro comercial da Rota dos Chás e dos Cavalos. Ele é o chá utilizado na cerimônia do chá chinesa: a primeira infusão, feita com água recém-fervida  (90°C) e que dura poucos segundos, costuma ter um gosto bem forte, e é utilizada para lavar os utensílios. Bebe-se geralmente a partir da segunda infusão feita com as mesmas folhas, em uma temperatura mais amena (entre 85 e 89°C), durante um pouco menos de 2 minutos (para o meu gosto).

Puri e Grazi em São Paulo

O que eu achei mais bonito do Pu Erh, além da cor do chá, é a sensação de familiaridade que ele me causou.: uma mistura de sabor de chá de missa (que geramente costuma ser um banchá, mas o Pu Erh não tem gosto de banchá, apenas lembra vagamente) + chá de alguns restaurantes chineses (que não sei precisar direito qual, mas reconheço como sendo a outra opção quando não quero tomar chá de jasmim) + colo (isso mesmo, colo).

É um chá redondinho, gostoso de se tomar, combina com aquele sol suave que entra pela janela sem você perceber: ele não ilumina a sala toda (pelo contrário), mas faz toda a diferença.

Sem contar a cor dele, que é linda linda…

Mas ainda havia um tablete esperando + uma sala ainda disponível + amigas livres em um domingo ensolarado + uma fase nova para mim em que a energia, o apoio e a risada de amigas foi fundamental para me ajudar a encontrar forças e me preparar para uma semana de encaixotamento de coisas.

Outra ocasião especial.

Ju, Dani, Fla, Paulinha e Carline,

conto com vocês na “reabertura dos trabalhos”!

(Jana, você também será convocada)

Para quem quiser comprar Pu Erh no Brasil, sei que há para vender na Talchá (Shopping Higienópolis) e arrisco dizer que também n’A Loja do Chá (Shopping Iguatemi), em São Paulo. Não sei se eles vêm lindos e embalados, mas aposto que, pelo nível dos chás comercializados nesses dois locais, devem ser de boa qualidade. Há uma versão da empresa Fujian Tea (que importa outros chás chineses industrializados no Brasil) de qualidade mais modesta e pode ser encontrada em mercadinhos orientais da Liberdade (comprei uma caixinha neste final de semana e prometo dar as dicas em breve).

Foi lendo um post sobre a degustação do Earl Grey da Wilkin & Sons no blog da Yuri Hayashi – Chá, Arte e Vida – e concordando com sua opinião sobre o fato de o sabor do chá não ter a bergamota tão presente (ela aparece principalmente no aroma), que resolvi fazer um teste… Como eu tinha uma caixa do mesmo chá e exatamente da mesma marca completamente encostado (porque eu sinceramente não tinha gostado do chá, ou pelo menos não assimilava o seu sabor como o de um bom earl grey, que é um dos meus favoritos), decidi “gastar” alguns saquinhos preparando chá gelado.

A minha experiência em preparar chás que gosto muito e deixá-los gelar nem sempre é das mais bem sucedidas. Já fiz isso com o Casablanca, da Mariage Frères, mas achei que, ao deixar a bebida gelando, o gosto do hortelã ficou forte e o chá perfumado demais. Foi uma decepção!

(vou tentar de novo, quem sabe eu mudo de ideia)

Preparei o chá em duas etapas para render um litro. E deu supercerto. Da primeira vez, eu deixei 2 saquinhos em cerca de 0,5 litro de água recém-fervida durante 3 minutos. Para a segunda leva, coloquei a mesma quantidade de água (na mesma temperatura) e deixei a infusão até atingir a mesma cor (esta da foto) do chá anteriormente preparado. Para garantir que todo mundo bebesse do mesmo chá, com o mesmo sabor, juntei todo o líquido em uma jarra maior, de 1 litro, e coloquei no freezer por algum tempo.

O resultado foi surpreendente: bem melhor gelado do que o mesmo chá quente. Como já havia observado a Yuri em seu post (e eu também das vezes em que fiz o mesmo chá), o sabor da bergamota é quase imperceptível. Quando tomamos o mesmo chá gelado, no entanto, é exatamente esse quase imperceptível é que dá uma graça ao que poderia ser um chá preto comum.

O experimento com o earl grey aconteceu no final de semana. Como estou de mudança, resolvi reunir algumas amigas em casa para receber uma energia extra para me dar força para encaixotar as coisas. O domingo estava quente e achei que um chá gelado cairia muito bem… É claro que degustamos alguns quentes também e todos foram aprovados. Prometo contar tudo nos próximos posts.

O que fica desta experiência, além de agradar o paladar das amigas (e o meu) e aprender a aproveitar um chá que eu não tinha gostado tanto (e que estava morrendo de pena de deixá-lo estragar ou simplesmente jogar o pacote fora), foi estabelecer uma troca com outro blog cujo tema principal é chá. Como são muito raros os que fazem isso com seriedade, me senti muito cúmplice da Yuri nesta experiência.

Espero trocar mais figurinhas com estas e outras companheiras de xícara.

Yuri, muito obrigada pela inspiração!

Apesar dos meus 4 avós japoneses, eu nunca fui tão ligada em marcas de senchá. Tenho arquivados na memória diversos sabores de chá verde: da casa da tia-avó, aqueles servidos depois das missas, da casa da prima, da Sawako (cabeleireira que me presenteou com um senchá japonês delicioso em meu aniversário de 31 anos), do Puri (que durante quase três anos foi meu vizinho e, mais do que o gosto do chá da casa dele, eu me lembro de ele deixar o chá esfriando antes de dormir).

Há mais ou menos um ano, comprei, pela primeira vez, um pacote de senchá n’A Loja do Chá, no Shopping Iguatemi. Não lembro o número dele, apenas sua descrição que deve ser algo como “senchá japonês orgânico” – prometo coletar informações mais precisas da próxima vez que eu passar na loja (lá, você encontra latinhas para armazenamento, como esta que você vê na foto que abre o post). Ele tem um sabor sutil, principalmente se você deixa a infusão por pouco tempo, como eu – nos dias em que estou a fim de tomar um chá beeeem suave, não deixo passar de um minuto.

Para celebrar as últimas folhas, fiz questão de demorar o café da manhã, pegar uma xícara e despejei o chá sem coar no bule para deixar algumas folhas caírem, se abrirem e dançarem ali dentro, fazendo o gosto permanecer por mais tempo.

Então foi-se o belo espetáculo, devidamente fotografado, como vocês podem ver acima e, logo em seguida, veio uma tremenda incrongruência: tomar chá verde em xícara com asa! Pode parecer um pouco de frescura – até porque, quando não estou em casa, eu tomo chá verde em xícara com asa t.r.a.n.q.u.i.l.a.m.e.n.t.e -, mas não posso negar que meu cérebro não processa direito essa história de encaixar os dedos para tomar chá verde. Talvez seja uma nostalgia um pouco exagerada, pois de pequena eu não tomava chá verde em xícaras ocidentais.

Gosto mesmo é de abraçar a porcelana com as mãos e sentir o calor da bebida tocando os dedos.

Apesar de ter ficado um pouco triste de o chá ter acabado, não vejo a hora de sair caçando uma nova marca de senchá. E aí, alguém tem alguma sugestão?

* TEMPERATURA DA ÁGUA: de 90 °C  * MEDIDA: 1 colher de chá por xícara * TEMPO DE INFUSÃO: um pouco mais de 1 minuto *