Aos poucos, vou equalizando conexão-rotina-posts (por isso o sumiço deste fevereiro). Acho que terei um treco se eu não voltar em breve com a minha “rotina chazística”. Não no sentido de cobrança, mas na conexão com a essência mesmo.

Seguem algumas breves do que aconteceu neste interlúdio…

 

“Momento Alice”


As fotos são da Flavia Sakai em um domingo de sol delicioso, pós-experimentação gustativa no Cosi (a Lu Tokita é sempre EXCELENTE companhia para programas gastronômicos e o restaurante da Vila Nova Conceição tem um telhado/varanda deslumbrante – só não passe por lá em dias muito quentes, deve ser perfeito para o outono mesmo). Saindo de lá, corremos em meio a garoa fina para a  Cristallo bem de frente para a pracinha (Pça. Pereira Coutinho, 182). O mais delicioso, além dos docinhos, foi encontrar chás da Gourmet Tea – eu, que sempre repito as escolhas, desta vez tomei o revitalizante (rooibos, canela, gengibre e cardamomo), da linha ayurvédica. Foi divertido brincar de Alice e bulinho com as amigas.

 

“Cerimônia Senchá”


Receber um convite em mãos, com seu nome escrito à máquinha (um por um, pelo pai da Miki), é uma honra. Se o convite é para uma cerimônia do chá então…  O evento foi promovido pela Associação Tooraku-kai do Brasil (Sencha-Seifuryu) e, além de encontrar amigos queridíssimos – Rose e Pedro, Jane Aki, Sônia, Anne e Miki, que nos convidou – pude rever Okamoto Sensei e Noriko-San, que estiveram nos bastidores deste domingo em que, por algumas horas, esquecemos do calorão de São Paulo. Depois de sermos introduzidos ao chá de sakurá (uma aguinha morna com gosto de umê), partimos para 3 tipos de chá verde, acompanhados de wagashi artesanais, encomendados especialmente para a cerimônia!

A terceira “rodada” da cerimônia foi refresco puro. Além do doce gelatinoso e transparente, recebemos uma xícara de gyokuro gelado, preparado em utensílios de vidro. A transparência nos levou longe do asfalto queimando lá fora.

Depois dessas imagens, penso seriamente em buscar um pouco de água na geladeira…

Ontem eu participei de um evento bem interessante promovido pela ZAT consultoria no restaurante Shimo. Uma das propostas de Zelinda Assae Tanaka é usar as artes milenares orientais para promover a sensibilização e conscientização de profissionais. Então passamos uma manhã em contato com tai chi chuan, ikebana, chá e sumiê – uma espécie de menu degustação do despertar sensorial.

Eu, que não sou muito chegada em dinâmicas de RH, saí de lá inspirada pela energia da Zelinda, além do carinho e da delicadeza dela e de sua equipe no preparo das atividades, que atuam em um nível mais sutil de auto percepção, abertura e sensibilização, sem buscar um objetivo específico.

Para mim, a manhã se resumiu em três palavras:

busca, troca, beleza.

detalhe da ikebana da Flavia Yumi Sakai (mondoyumi)

É claro que o meu momento preferido foi o da cerimônia do chá, em que conhecemos a Okamoto Sensei, da família que introduziu o cultivo de chás no Vale do Ribeira a partir de 60 mudas de camellia sinensis. A família Okamoto é proprietária do Chá Ribeira, um dos grandes produtores nacionais (você pode conhecer mais sobre a história do chá no Brasil e dos chás em geral nesta matéria que foi publicada na revista Superinteressante).

Para minha surpresa, degustamos um senchá delicado (e não matchá, como é de praxe nas cerimônias tradicionais – depois, Okamoto Sensei me falou que ela também faz o mesmo procedimento para o preparo de chá preto) com um wagashi caseiro feito por Noriko-san, discípila de Okamoto Sensei. Como ingredizentes, Noriko-san usou feijão branco e kuri (castanha portugesa) no recheio e o wagashi foi batizado de akebono (“alvorescer”), devido à sua tonalidade, da mesma cor do céu quando o dia está nascendo.

Noriko-san, eu e Okamoto Sensei

Fiquei muito tocada pelo acolhimento informal – sem deixar de lado a reverência – que tivemos. Depois, conversando com Noriko-san e Okamoto Sensei, fiquei sabendo de uns “truquezinhos” como, por exemplo, limpar os utensílios no tempo em que a água está esfriando até atingir a temperatura ideal. Okamoto Sensei fala com o mesmo respeito de chás gelados, tem uma abertura impressionante.

Já falamos em um próximo encontro…

Para finalizar, deixo uma imagem da paisagem de fundo do salão superior do Shimo.