chá e design

20/03/2011

Não aguentei de curiosidade e escrevi para a Mônica Rennó, da Talchá, para saber mais sobre a luminária (postada “de cabeça para cima” agora, para você poder ver como ela fica no ambiente) citada no post sobre a última visita à loja. E fiquei sabendo que as luminárias de teto da loja foram compradas na Foscarini, empresa italiana de design que trabalha tanto com grandes nomes quanto com os “jovens talentos”. Pesquisando um pouco mais, cheguei no nome dos criadores da linha ALLEGRETTO de luminárias: a companhia suíça Atelier Oï (só de entrar no site dos caras, dá vontade de trabalhar lá, mais do que na Foscarini).

Se você quiser viajar mais um pouco no trabalho dos caras, segue um videozinho ótimo de uma intervenção/apresentação de  trabalho feita por eles em um evento de design na Suíça…

Em paralelo ao surto alegreto, recebo a notícia de que o lounge store da Gourmet Tea mal abriu e já está concorrendo ao Prêmio Casa Claudia na categoria “lojas” (se você quiser votar, entre neste link). Os arquitetos Alan Chu e Cristiano Kato assinam o projeto. Para quem ficou curioso para conhecer um pouco mais da “loja pantone”, como eu costumo chamá-la também carinhosamente devido ao seu lindo balcão com latas de chás de todas as cores, seguem as fotos de Djan Chu, bem estilo divulgação, com a loja ainda vazia (eu prefiro um certo movimento). Eu já votei porque além do balcão-pantone e das cadeiras, eu acho a fachada maravilhosa.

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oriental feelings

13/03/2011

Sexta-feira costuma ser meu day off. É o dia da semana em que eu costumo fazer “minhas coisas”: yoga, chá demorado com Carline, almoço com alguém querido, chá da tarde, reuniões de projetos bacanas, realização de projetos bacanas, às vezes uma reunião ou outra de trabalho (quando possível, tento passar as mais legais para sexta), cinema, livinho, bate-papo etc. Raramente “não faço nada”. E o “não fazer nada” é relativo, é bem relativo (assim como a expressão day off, porque eu sexta é muitas vezes o meu “day mais inn” da semana).

Trabalhei na última sexta até duas da tarde, ritmo meio non stop. Sabia que a Flavia chegaria à Talchá antes de mim, então deixei a recomendação para ela pegar uma das mesinhas do lado de fora, beeeem agradável porque almoçar depois do horário vale a pena quando 1) a reunião que atrasou é muito boa (e foi o caso) e 2) quando o lugar escolhido e a comida me transportam para outro mundo (então, no lugar de uma praça de alimentação cheia de adolescentes em plena sexta-feira, achei que poderia optar pela mesinha externa da Talchá, saladinha Arroz de Festa e, finalmente, o chá Bossa Nova!).

Fazia meses que eu estava devendo uma visita Talchá para experimentar o Bossa Nova, chá verde que é produzido no Brasil para exportação e que não chega(va) nas nossas prateleiras. Para quem gosta de chá verde com unami forte, é uma boa pedida. Esse é o único chá da loja que não fica armazenado dentro da lata, mas se encontra na geladeira para que seu sabor e frescor sejam mais bem conservados = essa dica já tinha sido passada para mim pela Miki, que me convidou para a cerimônia do senchá. Ainda não fiz isso em casa porque ainda não inaugurei nenhum pacote novo de chá verde. Deixem o próximo chegar…

Com uns pingos de garoa, transportamos nosso almoço-chá-reunião legal para o lado de dentro da loja e, tão logo entrei, já bati o olho nos lustres que ficam sobre a mesona dentro da loja e, mais uma vez, enxerguei o chasen, batedor de bambu, de ponta-cabeça (a foto está invertida para que você possa visualizar o mesmo sem ficar entortando a cabeça ou o notebook).

Depois da reunião, mais diversão garantida ao nosso MUNDO FLUTUANTE com a chegada do Marcelo, amigo da Flavia. A conversa passeou por meditação, vida, amor, família, encontros, livros, Jack Kerouac (“vagabundo do darma”), técnicas, histórias e mais histórias. Os chás que chegaram em bules diferentes (!) foram servidos trocados e pediram todo um movimento interativo com os aromas nas xícaras que passearam pela mesa.

Marcelo escolheu o Pera Fujian (chá branco chinês com pedaços e aroma natural de pera), que eu adoro. Flavia optou por uma infusão quente-fresca, o Frescor de Capim Limão (pedaços de maçã, gengibre, flor de hibisco, casca de laranja, capim limão, raiz de alcaçuz e ginseng, cártamo, beterraba, menta e alecrim) e eu me joguei no chá mate mesmo, o Mate Gengibre Citrus Orgânico (erva-mate, capim-limão, gengibre, limão-taiti e aromas naturais – ou seja, uma variação cafeinada da bebida da Flavia). Gostei médio desse meu chá, me arrependi de não ter testado com açúcar (talvez seja uma conexão com a minha pré-adolescência, em que as tardes frias, principalmente a de 1988, quando minha tia faleceu e minhas primas ficaram em casa, tinham sempre uma mesa de lanche da tarde com mate docinho preparado pela minha mãe).

Ficaríamos fácil mais um tempo conversando por lá se a loja não estivesse fechando (de repente, ouvimos as badaladas das dez da noite) e seguimos adiante. Flavia me deixou uma carta e Marcelo, uns pacotinhos de chá que ele tomava com os amigos no Plum Village da Califórnia.

Foi com essas memórias que eu acordei antes de seguir para a minha primeira aula de cerimônia do chá de verdade con Sensei Hayashi e Bertha Nakao, da escola Urasenke no Centro de Estudos Japoneses da USP.

Se a nova ala do shopping Higienópolis abrir para o público hoje, conforme o prometido, você já vai poder conhecer a Talchá, a primeira marca brasileira de chás goumet (atenção, a marca é brasileira, mas a maioria dos chás comercializados são importados).

Mônica Rennó, a idealizadora da marca, passou um ano e meio desenvolvendo este projeto de compartilhar sua bebida preferida com o público brasileiro. Durante grande parte de sua vida, ela não deu muita importância ao chá, mas em uma viagem à Paris teve o click ao conhecer a Mariage Frères (viram só como não é exagero só meu) e sua vida mudou…

O desejo de Mônica Rennó de tornar o chá gourmet uma bebida acessível ao consumidor se realiza em vários aspectos. A arquitetura da loja (assinada por Marcio Kogan) deixa expostos utensílios, acessórios, livros e chás – tudo pode ser tocado, lido, cheirado e experimentado.

Clique sobre a foto para visão panorâmica da loja

(crédito das fotos: Fernando Saiki)

E por falar em “experimentado”, a loja tem sempre um  “chá do dia” (quente no inverno e gelado no verão) oferecido para degustação. Fomos recebidos com o Apricot, chá verde chinês com sabor de damasco natural – bem refrescante.

A loja ainda tem uma pequena área para servir os clientes (além de uma mesinha-luxo do lado de fora, com vista para o jardim do shopping + wireless): 20 variedades de chás e blends (a carta foi montada pela própria Mônica Rennó), incluindo um verde especial produzido no Brasil (Bossa Nova), o Pétalas de Fujian (folhas de chá verde amarradas com cravo, que abre como uma flor quando em contato com água quente) e drinks com chás, além de lanches, saladas, quiches, outras comidinhas e petiscos do Arroz de Festa (a chef Adriana Cymes, que fez o cardápio, apresentou suas deliciosas tartelettes e ainda mostrou um de seus chás preferidos, o Genmaicha, chá verde japonês com arroz torrado, também conhecido como “chá de pipoca”, que tem sido citado por muita gente que conheço).

Eu, que tenho um pouco de birra de chá branco, escolhi para degustar o primeiro branco que vi no cardápio: Pera Fujian, composto por folhas de chá branco e pedaços de pera (o bule, que serve duas xícaras, custa R$ 7). Gostei tanto que comprei um pacotinho de 50g (R$ 38, o preço não é tão acessível, mas esta quantidade  rende aproximadamente 30 xícaras segundo o vendedor). Vale um comentário importante: as embalagens são escuras por fora e têm um fecho zip acoplado para fechar melhor o saquinho – eu aprovei totalmente. Elas também tem as cores do tipo de chá comprado (branco, verde, preto, rooibos e infusão) e trazem a temperatura média da água do chá comprado (detalhes mais precisos são encontrados em um folder/catálogo com informações sobre as 50 variedades vendidas na loja). Eu acho bem bacana toda essa preocupação didática.

Comprei dois outros mimos: um coador de bambu para substituir o deixado em Paris e um medidor fantástico que regula a quantidade de chá de acordo com o seu gosto (fraco, normal ou forte), para até 5 xícaras.

Há vários outros acessórios, como coadores de metal (e fundos, o que é importante para dar espaço para as folhas se abrirem durante a infusão), saquinhos em 3 tamanhos, pegadores, bules, bouilloires (chaleiras elétricas), canecas, xícaras e vou parar de por aqui para não contar tudo.

Antes de finalizar o post, queria comentar os detalhes que me conquistaram:

* a xícara da marca (a branquinha, que aparece na primeira foto) é assinada pela Rachel Hoshino (cujos objetos já circulavam aqui em casa, todos presentes que adorei receber). Com estampa singela e presente, tem a alça conforável para o dedo e uma espessura delicada para os lábios. Em seu briefing, Mônica Rennó destacou a importância de a xícara ser mais aberta para difundir o aroma da bebida;

* o atendimento, tanto da loja quanto do café, é cortês e atencioso (fui atendida por um vendedor bom de conversa – sobre chás obviamente) sem ser grudento, forçado ou puxa-saco além da conta (algo que chega a ser um problema em algumas lojas dentro de alguns shoppings);

* a bebida é servida em uma temperatura suave – creio que seja um dos raros lugares em São Paulo que se preocupa com isso.

Corre lá!

TALCHÁ: nova ala do Shopping Pátio Higienópolis (av. Higienópolis, 618), tel. (11) 3823-3744.

mais Talchá

15/09/2010

Breve post com uma imagem que retirei do site da Talchá porque eu estava sem a câmera na bolsa no dia em que fui ao Saj e as fotos do meu celular ficaram bem amadoras. A bebida é servida nesta xícara fofa com um loguinho da marca dentro… Além dos blends, a Talchá vende utensílios, um mais lindo que o outro. Tudo pode ser visto neste link para o site da marca. No final da lista, você vai encontrar uma das peças mais simples e baratas, mas que tem um imenso valor afetivo para mim: UM COADOR DE BAMBU, igualzinho ao que o Puri me deu em um Natal e que foi deixado em Paris – para ser recuperado um dia!

A cozinha libanesa sempre foi uma das minhas preferidas. Aos meus 11 anos (ou 10 ou 12), rodavam aqueles cadernos na sala de aula cheios de perguntas, que passavam pelas mãos de todos os amigos. Na pergunta “qual é o seu prato favorito?”, eu respondia: “KAFTA e SUSHI” e tinha uma certa inveja de quem colocava tão naturalmente “lasanha” ou “bife à milanesa”. Mas eu não sei mentir, nem para bobagens. Nunca soube.

Uns anos atrás, a coisa voltou com força. De 2007 a 2009, trabalhei em um restaurante libanês em Paris. Foi o maior sucesso  saber o nome de quase todas as comidas no dia da minha entrevista de emprego! Paralelamente, comecei a namorar o Saiki, que trabalha com a artista Sheila Mann Hara, autora do blog Ao Redor da Mesa. Ela tem um belíssimo projeto que alia arte e culinária para divulgar a cultura de paz. Seu sonho: unir árabes e judeus em torno de uma mesa.

Mas chega de prosa.

O fato é que eu surtei quando descobri o Saj, um restaurante libanês que fica na rua Girassol e vive lotado aos finais de semana. Por isso, na maioria das vezes em que fui lá, acabei sentando no balcão. É o lugar mais divertido, tem o entra e sai dos garçons, das bebidas, todo um movimento. Não foi diferente no final de semana. E tão logo sentei, reparei em umas latinhas pretas em uma das pontas do balcão. Comi com um olho na comida e outro nas latas de chá, já pensando em qual escolheria para tomar depois da refeição.

E foi assim que descobri e Talchá, uma nova marca de chás gourmets que está sendo vendida no Brasil. Com 50 variedades de blends em sua carta, a marca está para abrir uma loja no shopping Pátio Higienópolis, que também vai trazer um cardápio inventivo de Adriana Cymes, do Arroz de Festa. Não vejo a hora…

Bom, depois de mais de 5 minutos de dúvida, escolhi o Orange Blossom, uma mistura de chá verde, capim limão, flores de jasmim, murta limão e óleos essenciais de rosa, limão e tangerina. Detalhe importantíssimo: a Talchá indica na embalagem a temperatura da água e o tempo de infusão para cada um de seus blends (no caso deste, 80ºC e 2/3 minutos). Achei muito didático (se o barman fez isso ou não é outra história).Outro detalhe que vale a pena comentar: as folhas são acondicionadas em um saquinho “folgado”, que dá espaço para elas se abrirem, o que acentua o sabor da bebida.

Gostei do chá, mas ele não entrou na minha top list. Não se assuste com o forte aroma de jasmim: o gosto do chá é mais suave.

SAJ: rua Girassol, 523, Vila Madalena, tel. (11) 3032-5939 (abre de segunda a quinta, das 12h às 16h e das 18h às 23h; às sextas, das 12h às 16h e das 18h à meia-noite; aos sábados, de 12h à meia-noite e, aos domingos, das 12h30 às 17h30).

* TEMPERATURA DA ÁGUA: de 80 °C  * MEDIDA: 1 saquinho para 1 xícara * TEMPO DE INFUSÃO: 2 minutos *