quando o céu e o mar se confundem

 

 

 

 

 

 

 

o sonho de transformar uma casa de pescador em cabana de chá

 

 

 

 

 

 

 

o primeiro earl grey do ano na Casa do Lado,  Porto Belo (SC)


 

 

 

A “mulher da foto” está de costas, mas aposto com todo mundo que, se tivesse de frente para a câmera, teria um grande sorriso no rosto ou uma cara de louca mesmo tipo “entrei no paraíso”. Melhor, aposto que ela estava com sorriso e cara de louca ao mesmo tempo. A “mulher da foto” é a designer Tereza Bettinardi, que está passando uma temporada em Berlim e viajando  por aquelas bandas. Nos conhecemos no início do ano fazendo infográficos (alguns deles estão aqui) para o projeto institucional da Abril Planeta no Parque. Tivemos uns dias insanos de trabalho e o que mais me chamava atenção era a Tereza chegando com sua sacolinha de biscoitos dinamarqueses e chás Twinings. E aquilo nos conferia uma certa dignidade nas noites viradas.

Sem fazer nenhum esforço, a gente se transformou em “comadre de xícara” no facebook e no twitter. Outro dia, ela me enviou essas fotos do London’s Strand, o endereço da Twinings em Londres em que você pode entrar, ficar chocada com a variedade de chás nas prateleiras, fazer o seu chazinho para experimentar e também comprar. Bom, sem muita discussão, né.

Ela me passou também o link seu novo vício, o Blossom Earl Grey (edição limitada), da Twinings. Fiquei curiosíssima (espero que ela volte com alguns saquinhos na mala) dessa mistura de chá preto com bergamota (o clássico earl grey) e flor de laranjeira. A edição é limitada, mas, se você tiver passando por Londres, não custa tentar (visitar o museu e a loja então nem se fala). Eu já fiquei encantada só com a embalagem!

Aproveito o finalzinho do post para deixar outro link-dica da Tereza: o infusor Tee-Ei, da Ad-Hoc design shop. Lindo e prático, ele faz a graça de boiar na bebida.

LONDON’S STRAND: 216 Strand, London, WC2R 1AP, aberto de segunda a sexta, de 9h às 17h, e aos sábados, de 10 às 16h.

Fla, Isa e eu (e Elaine por trás da câmera)

A semana passou com muitos compromissos sociais noturnos e o kikks’ delivery service entrou em ação, se preparando para as visitinhas saborosas.

Na terça-feira, o hortelã que eu tinha comprado foi fervido logo cedo e, além da jarra de 1 litro, preencheu forminhas de gelo para que tudo chegasse fresco ao jantar na casa da Lili e do Dudu.

A dica de preencher as formas de gelo com chá veio da Inés Berton, que também sugere colocar folhinhas pelo caráter decorativo (eu, infelizmente esqueci dessa recomendação – fervi o maço inteiro de hortelã – o que nem foi tão ruim assim, já que tive que usar uma térmica para conservar o frescor no transporte da bebida pronta).

Parece uma dica muito óbvia, mas durante os dias que passei em Tóquio de férias, em pleno verão, eu ficava maravilhada com o café gelado que nunca perdia seu sabor mesmo quando o “gelo” com o qual ele era servido derretia. Portanto, se vc quiser servir uma bebida gelada sem que ela fique aguada, use este suporte.

Um detalhe que faz TODA a diferença.

E foi ótimo ter chegado com o chá de hortelã gelado para “abrir os trabalhos” na casa da Lili, acompanhando as entradas (que incluiu aquele petisco de peixinho frito, bem japa). Começamos suavemente uma soirée que depois ficou mais hard core (e muito mais divertida, diga-se de passagem) com a sopa coreana (apimentadíssima e deliciosa) feita pelo Dudu, a infinidade de cervejas que degustamos e  a sobremesa feita pela Claire (mousse de chocolate consistente).

Encerramos a noite também com chá: desta vez, um de folhas de amora, preparado pelo Dudu, que ficou de me passar mais informações para eu postar aqui (porque ninguém merce fazer apuração depois das duas da manhã).

*

48 horas depois, recomecei a comilança no melhor estilo chá da tarde (à noite) na casa da Isa. Como boa conhecedora dos endereços de coisinhas e comidinhas (já falei aqui do seu blog My Kinf of Town), ela nos recebeu (eu, Flavia e Elaine) com uma mesa impecável em todos os sentidos.

Eu nem mexi no kikks’ delivery service porque a Isa tinha uma infinidade de chás ingleses de saquinho (recomendo: Afternon Blend, da Harrods, composto por 80% Darjeeling and 20% Assam, e o Earl Grey descafeinado, da Twinings, perfeito para se tomar à noite) que vêm em lindas latas.

A Isa é uma daquelas amigas com quem eu não tenho muito contato (a Elaine também, tínhamos nos visto apenas uma vez antes desse encontro, sem falar nos e-mails trocados, mas daí é outra história…mas com quem tenho grande afinidade), mas que demanda ZERO esforço para colocar o papo em dia. Ela é o tipo de pessoa que faz tudo com muito capricho, ela ama dessa maneira, recebe os amigos dessa maneira, trabalha dessa maneira, arruma a casa dessa maneira e aposto que até quando surta, ela faz de um jeito caprichado. Fazia anos que não nos encontrávamos e gostei de saber que a Isa agora tem como missão na vida ser feliz. Como ela faz as coisas na vida sempre desse jeito, acho que ela é uma das pessoas que eu conheço que mais curte a vida.

E descobri algo interessante nesta noite. A Isa coleciona jogos de chá e café!

Como qualquer bom encontro de meninas, passamos bem umas quatro horas falando e rindo sem nos darmos conta de que já era tarde. Tiramos as mesas correndo e eu invadi a cozinha com o kikks’s delivery service. Para nossa “saideira”, abri o rooitea com damasco e bergamota, d’A Loja do Chá, que ganhei de presente da Juliana Vidigal (quem ficou curioso e quiser procurar, o número do chá é o 1566).

A dica veio da Isabella Maiolino, amiga querida que escreve o delicioso blog My Kind of Town! com dicas de cultura, gastronomia e compras em São Paulo escritas no melhor estilo bonne vivante! A Isa mora em São Paulo há alguns anos e conhece os Jardins de cabo a rabo. Depois de um almoço em uma tarde que prometia aquele pé d’água, ela me fez prometer passar na Pâtisserie Douce France para averiguar os chás da marca francesa Mariage Frères que são servidos na loja. Eu estava quase desistindo, mas fui subindo a Alameda Campinas a pé e obviamente não resisti. Até porque eu mesma já estava pegando bode dos posts louvando minha marca de chás-fetiche e não dar uma indicação de lugar onde se pudesse degustar um mariage em São Paulo.

Pois chega de conflito.

Ao sentar em uma das mesinhas do salão, deixe o cardápio de lado (a não ser que você queira apreciar as ilustrações fofas da artista Eveline Imbert ou escolher acompanhamentos, coisa que não fiz porque eu tinha acabado de sair de um almoço demorado). Só não espere descrições dos blends disponíveis; você vai encontrar apenas as opções “chá” (R$ 6,50) ou então “chá de hortelã fresco” (R$ 7,50), ou algo do gênero. Se você não deseja importunar o garçom com milhões de perguntas sobre… chás (como eu fiz), entre no salão, procure o balcão da cafeteria e torça para que a atendente Ivonete esteja por lá porque ela pode preparar um chá com o maior carinho para você se o salão não estiver cheio.

O chá vem servido em um simpático bulinho com um infusor dentro (não é meu infusor favorito, pois as folhas não têm muito espaço para crescer e, na minha doentia percepção, sinto um leve gosto de inox na bebida) – aconselho não esquecer o infusor eternamente lá dentro para a bebida não ficar com um sabor tão forte. Convém retirar uns 30 segundos depois de a bebida chegar na mesa (ou imediatamente caso o chá escolhido seja algum verde) – a dica é do meu cronômetro imaginário que fica pensando o tempo que se passou no momento em que a água foi despejada no bule até o instante em que ele é servido na mesa…

Eu pedi um chá de maçã, que não é dos meus favoritos, mas foi um dos primeiros citados pelo garçom e um mariage para mim desconhecido (ainda não tinha ido até o balcão escolher o chá pessoalmente, ato que vale a pena, pois há uma caixa com uma grande variedade de Twinings para quem prefere os chás ingleses). Contei 8 variedades de Mariage Frères (incluindo o clássico Marco Polo, que definitivamente entrou na minha top list, Earl Grey, Darjeeling e a a escolha da próxima visita à pâtisserie: Jasmin Mandarin feito com chá verde chinês…).

Mas a grande surpresa veio depois de um papo com a Ivonete (e a chuva despencando do lado de fora): o chá feito com sementes de chá verde (na verdade, folhas enroladinhas de procedência não revelada – o segredo da casa?) com hortelão fresco servido em uma taça de vidro…

Quero esperar a chuva sempre assim…

… da próxima vez, acompanhada de uma boa pâtisserie (a nostalgia grita só de olhar um folhado de maçã – chausson aux pommes do chef pâtissier Fabrice le Nud)

PÂTISSERIE DOUCE FRANCE: alameda Jaú, 554, tel. (11) 3262-3542.

Earl Grey

&

English Breakfast

O feriadão e a companhia do Thompson Loiola me levaram ao café do Cinesesc depois de muito tempo sem colocar os pés por lá. Como não tínhamos planejado ver nenhum filme (para quem se interessa em cultura árabe, está acontecendo uma mostra de filmes até o dia 12), ficamos no café do lado de fora mesmo.

Achei o lugar honestíssimo: o cardápio mostra que os chás custam R$ 1,50, sem especificar se são chás importados ou nacionais. A questão é simples: o preço vale para qualquer chá. Além das marcas nacionais, eles oferecem três clássicos Twinings (Earl Grey, Lady Grey e English Breakfast) pelo mesmo preço.

Fiquei com a LADY GREY, que fazia um tempo que eu não bebia… E, depois da experiência, comecei a achar o Earl Grey (que está no meu TOP5) forte demais e o English Breakfast insosso demais. Só para explicar um pouco melhor essa minha avaliação, o Lady Grey é uma versão light do Earl Grey, ou seja, um chá preto com aroma de bergamota, mas também de laranja e limão.

Como o post não pode acabar sem uma história de encontro ou imagem inspiradora, conto aqui rapidamente que foi no café que fica no fundo da sala de cinema do Cinesesc (na época em que ainda era permitido fumar) que eu assisti pela primeira vez o Livro de Cabeceira, do Peter Greenaway. Foi em 1997, na mostra dos melhores filmes do ano. Dobrei a sessão, fumei alguns cigarros, me emocionei profundamente com a história e, na escuridão íntima do bar, eu me encontrei com meu lado japonês pela primeira vez.

Divido com vocês esta cena inspiradora do filme…

Café do Cinesesc: rua Augusta, 2075, tel. (11) 3087-0500.

Os resquícios do final de semana perduram suavemente.

Além de ter recebido em casa duas amigas queridas do Rio (a Andréa Capella, que fotografou em seu antigo palm uma das primeiras conversas regadas a chá no apartamento charmoso da Antônio Bicudo, onde morei por cinco anos, e Carolina Durão), tive uma visitinha dos meus pais que chegaram com uma encomenda preciosíssima que estava encostada na dispensa da casa deles: uma garrafa térmica japonesa!

A marca da garrafa é Zojirushi que, para mim, não é apenas sinônimo de “temperatura ideal”, mas de recordações de infância (por causa do logo da empresa, nos referíamos a ela como “garrafa do elefante”). Todo mundo na família tinha uma térmica desta marca, onde eram armazenados café, água gelada, chá…

Este modelo armazena 1 litro e encontrei um similar por R$ 103,00 no Asia Shop, uma loja online de produtos japoneses e orientais, onde se pode encontrar uma alguns chás verdes.

Infelizmente, o modelo do Asia Shop tem apenas uma tampa rosqueável. O meu modelo, por ser mais antigo (a garrafa estava há dez anos guardada na casa da minha mãe, ainda na caixa, novinha em folha), possui uma trava “open-close” no melhor estilo “porta de avião” segundo meu namorado.

Além de eficaz e bonitinha, ela tem frases inspiradoras…

Encerramos o domingo cuidando das plantas e tomando infusões feitas com água da garrafa do elefante, bolo de aipim e biscoito de arroz!

eu escolhi o Twinings Lemon Twist, feito com raspas de limão, presente do Valmor, um amigo que mora em Praga; escolha que nada combinou com a noite fria, pois a infusão é fresca demais e deixa um leve amargor na boca

Saiki optou pela deliciosa mistura de menta com alcaçuz do Casino (“réglisse menthe” em francês), presente da Carline, futura personal de yoga; ele é docinho e não é necessário adicionar açúcar – ideal para tomar antes de dormir!