Apesar de já ter lavado algumas cuias e bombas na minha vida (todo mundo que já conviveu ou namorou com gaúchos sabe bem do que estou falando), eu nunca fui chegada em chimarrão. Sempre achei o mate de um amargor danado. Mas, na sexta-feira, ele entrou para a minha vida de uma maneira quase espontânea depois da aula de yoga – e apresentado por uma… catarinense, a Carline (vejam o post sobre nossa cerimônia no blog dela – você vai notar que muitas fotos são repetidas mesmo; elas foram feitas – com qualidade – pela Carline, já que as minhas, de celular, não deram muito conta do recado). Eu gostei da experiência.

Além de aprender a saborear (acho que a “abertura do paladar” para mais sabores de chás me ajudou na apreciação), descobri várias coisas sobre o preparo do chimarrão, que é um lindo ritual. A primeira delas é que é preciso purificar a cuia, jogando água fervente dentro dela e deixando por alguns instantes (uns dois minutos). Depois de jogar a água fora, tem quem coloque um pouco de água fria dentro da cuia para baixar sua temperatura – assim, a erva-mate (para quem quiser pesquisar mais, o nome científico da planta é llex paraguariensis) não fica queimada, o que pode alterar seu sabor. Há toda uma maneira de depositar a erva dentro da cuia, que permanece levemente inclinada para que a montinho de ervas fique na diagonal – como aparece ilustrado na embalagem do “Chimarrão dos Pampas”, da marca Leão:

Só então podemos acomodar a bomba, que dá uma segurada na diagonal (eu adorei esta parte, embora não testei ainda se consigo deixar tudo equilibrado assim). Antes que me perguntem, a quantidade de erva colocada depende do tamanho da cuia… desde que se mantenha a diagonal!!!

Bom, depois de toda essa preparação (que ainda inclui uma térmica com água a 75 graus), a parte 2 do ritual é iniciada pelo anfitrião/dono da cuia  (‘anfitrião” é bem modo de dizer mesmo, uma vez que o chimarrão não é necessariamente tomado sempre dentro da casa de alguém, pode acontecer em locais públicos, como na praia por exemplo – podemos pensar no uso da palavra “anfitrião” remetendo ao ato de proporcionar à experiência ao grupo). O anfitrião – no caso, a Carline, coloca a água no espaço que está vazio da cuia até que ela fique toda preenchida com água quente. Uma pessoa viciada em cerimônia do chá japonesa poderia achar que isso é uma certa falta de educação. Béeeeeee – julgamento errado. Carline me explicou que isso acontece para testar se a temperatura da água está boa. Como não foi o caso neste dia, abrimos um pouco a térmica para deixar a água esfriar, Carline tomou seu chimarrão pelando e, assim que terminou, completou novamente a cuia com água quente e a ofereceu para mim. Fiquei com os lábios levemente adormecidos, mas não queimados, afinal, a bomba é de metal. Depois, a água foi esfriando e eu já estava conseguindo curtir a bebedeira.

Achei bem legal o aprendizado do “ouvir” enquanto se bebe o chimarrão. A fala da Carline explica:

Sendo a cuia comunitária, é um verdadeiro ritual de servir e ser servido, de falar e ouvir. Enquanto uma degusta a bebida quentinha, a outra pessoa partilha os sentimentos.

Outro ponto que gostei muito: a pessoa que acabou de beber (pode, sim, fazer barulho quando se chupa pela bomba e a água está acabando) pergunta para a seguinte se ela quer continuar a roda. Se a resposta for positiva, ela preenche a cuia com mais água e a oferece ao próximo com a bomba na direção certa para que ele tome o chimarrão… E assim se segue até o final da água (e reposição), do frio, do papo.

Mais fotos (da Carline, granulada pelo meu celular). Prestem atenção na última foto: quandocheguei ao finalzinho da minha primeira rodada, bebi um pouco de erva que subiu pela bomba. Recorremos ao filtro de bomba, uma delicadeza…

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A ameaça da chuva nos deixou acolhidas. Depois da nossa primeira aula de yoga no ano, Carline colocou a vela que nos acompanha acesa sobre a mesa e assim tomamos nosso chá das quintas-feiras. O chá foi presente da Valéria, da Wheat Organics, uma padaria orgânica artesanal que fica na Vila Leopoldina, perto da minha nova casa e  que vale muito a pena conhecer (prometo informações detalhadas, mas já adianto um pouco: além dos pães artesanais frescos, empório orgânico e pão de queijo delicioso, tem uma seleção de chás feitas pela Valéria, que me surpreendeu por seu conhecimento infinito sobre diversos assuntos que fazem bem para a mente, o corpo e o espírito).

A Carline já tinha cantado a bola para mim por e-mail que teríamos um chá de rooibos e eu já estava flutuando só de pensar. Rooibos é um arbusto vermelho cultivado na África do Sul e é um chá bem leve de sabor adocicado (dispensa facilmente o uso de açúcar) e baixa concentração de cafeína (é um chá que eu adoro tomar à noite, por exemplo). Eu adoro o seu cheiro quando ainda seco, é doce sem ser enjoativo, tem um gostinho de infância, naif. Seu aspecto também é sugestivo: as folhas secas são compridas e finas, parecem uma palha vermelhinha – tenho vontade de me jogar dentro da lata e ficar horas deitada lendo em cima de uma montanha de rooibos seco.

O chá que tomamos chama-se Miss Daisy, da Teakketle, uma marca nova no mercado brasileiro, tem base de rooibos e vem misturado com flores de camomila, pétalas de calêndula e rosa mosqueta. Junto com a luz de velas, supriu qualquer fresta vazia perdida no meio do peito. Ritual acolhedor. Tanto quanto o som do novo sino tibetano da Carline…

(Se você morreu de vontade de conhecer a Wheat Organics, ela fica na Rua Carlos Weber, 1622 – abre de segunda à sexta, das 9h às 19h, e aos sábados, das 8h30 às 16h)

Puri deixou uma missão gourmet para mim neste final de ano, um pouco antes de embarcar de volta para a França: uma latinha de Kusmi Tea para eu tomar com a Carline na nossa cerimônia do chá pós-yoga (da qual ele já participou).  Das latinhas que ele tinha em mãos, escolhi pelo cheiro, o mais fresco de todos.

Nossa cerimônia começou sem balanço objetivo. Apenas o prazer de estar presente e um certo ar de comemoração de final de ano. Carline me recebeu até com figurino natalino e presentinhos!

Falando um pouco do chá, Prince Vladimir, um dos chás aromatizados da linha Kusmi Tea (sensação na França, que pude degustar a primeira vez com as amigas na cerimônia das caixas, um chá verde chinês com limão e gengibre trazido pela Dani diretamente de Paris), é uma mistura de chás pretos da China com essências cítricas (limão, bergamota e pamplemousse), baunilha e especiarias (aqui se encontra o grande segredo do chá). Apesar de ter uma base forte de chá preto e evocar o inverno, o chá trouxe para a nossa manhã um certo frescor temperado.

Mais fotos para vocês…

 

chá de orégano?

10/09/2010

A aula de yoga nesta semana foi bem difícil. Me embananei com algumas posturas novas, esqueci muito das que eu já conhecia um pouco. Respirei mal porque tinha fumado muito no dia anterior. Fiquei cheia de coisas na cabeça. Cheguei a usar a desculpa de que a almofada estava torta e por isso eu estava torta. Terminava ações antes de ter que terminar (ah, ansiedade) e me lembrei muito da época em que eu praticava zazen (meditação zen budista) com a Monja Coen.

A coisa era mais ou menos assim: eu de frente para uma parede, de olhos semi fechados, a mente, a respiração, mil pensamentos, mente, frases soltas, eu, a parede, um reflexo de mim mesma.

Com a aula na semana foi igual: me perceber pelos gestos, a respiração e as ações.

E acho que deve ser assim também com a cerimônia do chá…

Você já parou para se perguntar o que seus gestos dizem sobre o seu estado de espírito?

Depois da aula, sentei com a Carline para o nosso chá. Ela, sem saber da minha semana, guiada apenas por sua sensibilidade, trouxe um detox que contém orégano. A mistura da linha ayurvédica da Clipper* tem ervas orgânicas, aroma natural de lima e orégano. Por mais estranho que possa parecer, a infusão tem um sabor bem agradável, o orégano pontua cada gole, lembrando que está lá sem ser agressivo, faz o papel de um cutucãozinho.

Eu adorei.

* marca de chás que lançou a linha “ALICE COLLECTION” (edição limitada) com embalagens inspiradas em Alice nos País das Maravilhas…

Hoje eu tive minha primeira aula de yoga. Estava sentindo falta de acordar bem cedo de manhã e começar o dia respirando bem. Depois de uma caminhada de 30 minutos, cheguei na casa da Carline Piva, jornalista e professora de yoga, amiga de um grande amigo. A Carline tem um astral ótimo e muita sensibilidade, foi ela quem herdou uma linda luminária vermelha quando mudei de São Paulo (a luminária continua com ela, aquecendo o corredor de seu apartamento) e talvez seja essa proximidade sutil que torne a aula (pré, durante e pós) uma agradável descoberta.

Assim como na cerimônia do chá, o convidado é recebido com reverência: porta destrancada, música suave e incenso queimando. Chega-se devagar. Há uma janela grande, com uma vista linda que permite os olhos percorrerem São Paulo como uma paisagem silenciosa. Pela manhã, o sol penetra o apartamento sem imposição. Ele está lá. Presente. No final da tarde, ele se põe quase pedindo licença, sem atrapalhar a aula.

Na yoga, o corpo se movimenta com firmeza e suavidade (o meu ainda não consegue fazer nem uma coisa nem outra). Busca-se o equilíbrio, a consciência de todos os cantos do corpo, estar presente, a harmonia de fragmentos de movimentos para compor o todo. E medita-se na consciência do impermanente.

O que pode parecer uma coreografia é, na verdade, uma sequência de movimentos naturais. Gestos conscientes, “habitar o próprio corpo“, segundo a Carline.

Alargar os espaços no corpo, na mente e na alma.

Abrir-se para a troca.

Xícara vazia.

Há uma passagem entre o final da aula e colocar os pés na avenida movimentada. Nesse intervalo, tomamos um chá. Além do chá, há o encontro, o cuidado em receber, ensinar, aprender, trocar, o preparo do ambiente, a atenção em estar presente, em desfrutar o momento. O sentimento da cerimônia do chá.

E a Carline, assim como eu, adora chá. Me apresenta novos sabores, e a conversa vai… e acaba que eu ganhei sachês de uma marca orgânica nacional chamada Tribal Brasil, que eu estava louca para experimentar depois de ter visto  algumas latinhas no balcão do Kebabel. A base é feita de erva mate (oficialmente, não é chá “de verdade”, apesar de ser o que mais tomamos no Brasil), e tem misturas interessantes.

gostei mais do lemon ginger, que tomamos juntas depois da aula: gengibre tem tudo a ver com friozinho; ganhei um sachê de vanilla peach para tomar em casa, mas ainda acho estranho a mistura com erva mate torrada (sou um pouco purista no quesito erva mate… ainda!)

OBS: não coloquei comentários sobre modo de preparo etc. porque estou na minha semana freestyle