muda de hortelã

10/08/2010

Voltei do final de semana em Piracicaba com uma muda de hortelã. Gosto muito de ter hortelã fresco para preparar uma infusão – há semanas que passo na feira apenas para comprar um maço…Agora que as plantas estão indo para frente em casa (pedimos umas dicas para a Filó, minha sogra, e colocamos todos os vasinhos no escritório, onde bate sol), tomei coragem e pedi uma muda para a sogra. Segundo a Filó, hortelã é uma planta resistente, que se espalha e cresce – coisa de mato mesmo. Eu não vejo a hora de a minha muda se proliferar…

Thé à la menthe

O hábito do hortelã fresco entrou na minha vida em 2007, quando ainda morava em Paris e comecei a trabalhar como garçonete em um traiteur libanês. Uma das minhas primeiras tarefas do dia era descer à rue Monge em direção à Place Maubert e parar em uma vendinha na esquina de uma rua estreita e pedir “huit-deux” (“oito-dois”) para a vendedora que voltava com 8 maços de hortelã e 2 de coentro. Depois eu seguia pela ruazinha para comprar pão árabe e voltar carregada de sacolas.

rue Fréderic Sauton é o nome da rua estreitinha (em cuja esquina está a vendinha vietnamita) com vista para uma das laterais da Notre Dame; toda vez que entrava na rua para buscar o pão, eu suspirava com o “passeio”

Voltando ao restaurante, eu colocava uma panelona de água no fogo alto e chamava o dono do traiteur quando a água estava fervendo. Só aprendi a fazer o chá depois de quase um ano trabalhando lá, mas não há muito segredo.

Segue o modo de preparo:

1. Coloque cerca de 1,5 L de água para ferver em uma panela

2. Quando a água estiver fervendo loucamente, jogue um maço de hortelã lavado e mexa com uma colher para ele se espalhar

3. Tampe a panela e desligue o fogo. Deixe por 5 min.

4. Mexa novamente com uma colher, coe e coloque em uma térmica

5.  Ao servir as xícaras, coloque umas três folhinhas em cada uma para dar uma graça

6. O açúcar é opcional, mas o ideal é tomar o chá bem docinho, como se faz nos países orientais

Meu momento preferido é quando abro a panela com o chá pronto. O vapor perfumado que sobe refresca a alma.

Durante os três anos que morei em Paris, este chá regou muitas conversas na mesa do traiteur depois do expediente com  amigas que trabalhavam lá – papos existencialistas, discussões sobre o exílio, o processo artístico de cada uma, os livros, as exposições, os amores…

Marina, Hiba, Ana, Renata, Joana, Talita e Odri: beijo imenso!

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